No primeiro semestre de 2025, o uso do crédito rotativo continua sendo motivo de preocupação no país. Com taxas médias que chegam a assustadores 450% ao ano, quase 80 milhões de brasileiros carregam dívidas em atraso, segundo levantamentos recentes de órgãos financeiros. O avanço do endividamento expõe uma nova realidade: o descontrole do cartão de crédito transformou-se numa armadilha que impacta famílias de diferentes perfis sociais e faixas etárias.
Nesta reportagem, você encontra uma análise completa sobre as causas desse novo recorde de inadimplência, as razões que tornam o crédito rotativo tão perigoso e orientações práticas para evitar o superendividamento. Continue a leitura e fique por dentro dos dados e caminhos para proteger sua saúde financeira.
O que você vai ler neste artigo:
O crédito rotativo é ativado automaticamente quando o cliente não quita o valor total da fatura do cartão até o vencimento. Em vez de suspender o uso, os bancos transferem o saldo devido para uma linha de financiamento com os maiores juros do mercado, criando dificuldades praticamente intransponíveis para quem deixa acumular parcelas.
O grande perigo mora nos juros que podem facilmente multiplicar o valor inicial da dívida. Muitas pessoas, imaginando uma solução simples ao pagar o valor mínimo da fatura, acabam presas a um ciclo crescente de dívidas, já que cada parcela não paga integra o rotativo e gera cobrança de novos encargos em cascata.
Leia também: Mudanças no Senado podem redefinir tributação de fintechs e ampliar limite do MEI
Dados recentes da Serasa mostram que 78 milhões de brasileiros possuem ao menos uma dívida negativada, representando números históricos de inadimplência. A maior parte dos devedores está na faixa entre 26 e 60 anos, período associado à fase economicamente ativa e maior número de obrigações familiares — veja a divisão:
| Faixa Etária | % de Inadimplentes |
|---|---|
| 41 a 60 anos | 35,3% |
| 26 a 40 anos | 34% |
| Acima de 60 anos | 19,2% |
| 18 a 25 anos | 11,5% |
A combinação de crédito fácil, alta dos juros da Selic (hoje em 15% ao ano) e renda estagnada cria o terreno ideal para o endividamento. Em um contexto de inflação persistente, o impacto da inadimplência se aprofunda em grupos de renda média e baixa, que dependem do cartão para despesas rotineiras.
Leia também: Caixa inicia pagamento do Bolsa Família para NIS final 4 nesta quarta-feira (19)
Os juros cobrados no rotativo do cartão de crédito são os mais elevados entre todas as modalidades de financiamento. O motivo principal está no risco que as instituições financeiras assumem — ao emprestar para quem já entrou em atraso, os bancos compensam a inadimplência elevada embutindo taxas exorbitantes.
Além disso, a escalada da Selic influencia o custo de captação para os bancos, repassando esses valores para os consumidores. Quem não consegue quitar a fatura integral, acaba pagando juros sobre juros, o que multiplica a dívida rapidamente. Por isso, o controle de gastos é fundamental antes de recorrer ao rotativo.
Evitar cair no rotativo requer atenção e organização financeira. Veja algumas orientações essenciais para manter o orçamento sob controle:
Aplicar essas dicas aumenta a chance de retomar o controle sobre as contas e impede o crescimento de dívidas impagáveis em poucos meses.
Leia também: Antecipação do FGTS sofre novas restrições em 2025: entenda o que muda para quem precisa de crédito
O alarmante avanço do endividamento causado pelo crédito rotativo evidencia a necessidade de mais educação financeira e políticas de crédito responsável. Ao conhecer os riscos e juros envolvidos, o consumidor amplia suas chances de manter o orçamento saudável e evitar a bola de neve das dívidas.
Gostou dessas orientações sobre crédito rotativo e como driblar as armadilhas do crédito? Receba mais conteúdos exclusivos assinando nossa newsletter e mantenha-se informado para tomar decisões cada vez mais seguras para o seu bolso.
Pagando somente o valor mínimo você entra no crédito rotativo, que cobra juros elevados sobre o saldo restante, fazendo a dívida crescer rapidamente.
Especialmente pessoas entre 26 e 60 anos, que representam mais de 69% dos inadimplentes, devido a maior número de obrigações financeiras nessa fase.
Devido ao alto risco de inadimplência e ao aumento da taxa Selic, os bancos cobram juros elevados para compensar o risco financeiro dessas operações.
A Selic elevada aumenta o custo de captação dos bancos, que repassam esse custo ao consumidor por meio de juros mais altos no crédito rotativo.
Pagar sempre o valor total da fatura, controlar gastos via aplicativo, definir limites reais para uso do cartão, evitar parcelamentos e manter uma reserva de emergência.