Servidores públicos que dedicam parte da vida aos cuidados de pessoas com deficiência (PcDs) podem ganhar um benefício relevante: a redução da jornada de trabalho em até 50%, sem diminuição salarial ou perda de direitos. Essa novidade consta do Projeto de Lei 5.500/2025, protocolado na Câmara dos Deputados por Marcos Tavares (PDT-RJ), mirando a realidade de quem acumula rotinas exaustivas para garantir todo o suporte necessário a quem mais precisa.
Ao longo deste artigo, entenda o que prevê o novo projeto, quem pode ser contemplado, quais etapas o texto terá de superar no Congresso e como ele se apoia na legislação vigente para promover a inclusão e dar respaldo a familiares e responsáveis por PcDs. Veja também como a proposta pode afetar trabalhadores do setor privado. Acompanhe os detalhes para saber o impacto prático dessas possíveis mudanças.
O que você vai ler neste artigo:
A proposta apresentada pelo deputado Marcos Tavares destaca o direito de servidores públicos que cuidam diretamente de pessoas com deficiência a terem sua carga horária semanal reduzida pela metade. O texto assegura que essa redução deverá ser feita sem cortes no salário ou em benefícios, progressões e adicionais de carreira, e dispensa a necessidade de compensação.
O benefício se aplica a quem comprovar a necessidade de acompanhamento contínuo — seja para terapias, questões educacionais ou médicas — e está fundamentado no Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015), que determina direitos e princípios de igualdade e acessibilidade para PcDs no país.
Além disso, o projeto valoriza a sobrecarga de servidores que enfrentam duplas e triplas jornadas, reconhecendo na legislação a rotina intensa desse grupo, muitas vezes marcada por cuidados imprescindíveis à manutenção da saúde e bem-estar das pessoas com deficiência.
Leia também: Relatório revela aumento recorde na desigualdade salarial entre homens e mulheres
Embora priorize os servidores públicos, o PL 5.500/2025 propõe inovar ao prever também a redução da jornada para trabalhadores sob as regras da CLT. Para isso, o acordo teria de ser feito entre sindicatos e empresas, obedecendo convenções e o aval do Ministério do Trabalho e Emprego, que terá até 90 dias após a sanção para editar a regulamentação específica.
Caso aprovada, a iniciativa pode representar um avanço significativo para famílias que precisam alinhar emprego e cuidados especiais, ampliando a segurança jurídica e social para pais, mães e responsáveis por pessoas com deficiência. A medida ainda reforça políticas de valorização do cuidado dentro dos ambientes de trabalho, promovendo equidade onde desafios convivem com a rotina profissional.
Leia também: Lei 15.240 reconhece abandono afetivo como ato ilícito e prevê indenização
O trajeto do PL 5.500/2025 inclui análise criteriosa em três comissões permanentes da Câmara dos Deputados. Lá, o texto será submetido à Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência (CPD), depois, à Comissão de Finanças e Tributação (CFT), e, por fim, à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC).
Cada comissão avalia pontos cruciais: defesa dos PcDs, impactos financeiros e compatibilidade constitucional/legal. Após as aprovações, o projeto segue para o plenário da Câmara, passa ao Senado e, caso avance, será encaminhado ao presidente da República para sanção ou veto. Havendo sanção, a nova regra entra em vigor nos termos definidos na lei.
O PL se ancora no Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015), legislação fundamental para inclusão social e garantias aos PcDs. O Estatuto estabelece direitos como educação, moradia, cultura, lazer, saúde e trabalho, além de determinar ajustes e adaptações tanto em espaços físicos quanto digitais, visando eliminar todo tipo de barreira à participação social.
Leia também: Nova faixa de isenção do Imposto de Renda: quem ganha até R$ 5 mil pode ficar livre da cobrança em 2026
Ao sugerir respaldo legal para servidores responsáveis por pessoas com deficiência, o projeto reforça premissas da LBI: igualdade de oportunidades, respeito e autonomia. Reconhece-se, nessa proposta, que o cuidado, muitas vezes silencioso, também merece reconhecimento e proteção para garantir qualidade de vida e dignidade a todos os envolvidos.
A tramitação do PL 5.500/2025 reacende o debate e valoriza públicos fundamentais para a inclusão: servidores e familiares que dedicam tempo e energia a cuidar de pessoas com deficiência. Caso implementada, a redução da jornada pode transformar a rotina de milhares de famílias brasileiras, tornando a legislação mais justa para quem enfrenta desafios diários. Se esse tema despertou seu interesse, aproveite e cadastre-se em nossa newsletter para receber as principais atualizações sobre direitos sociais, trabalho e políticas públicas.
Servidores públicos que comprovem a necessidade de acompanhamento contínuo de pessoas com deficiência, seja para terapias, questões educacionais ou médicas, podem solicitar a redução da jornada.
O projeto prevê possibilidade de redução de jornada para trabalhadores do setor privado mediante acordo entre sindicatos e empresas, com regulamentação prevista pelo Ministério do Trabalho em até 90 dias após a sanção.
O projeto será analisado pela Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Comissão de Finanças e Tributação e Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.
A redução da jornada será sem diminuição salarial, sem perda de benefícios, progressões e adicionais de carreira, e dispensará a necessidade de compensação de horas.
O estatuto assegura direitos e princípios de igualdade e acessibilidade para PcDs, suportando legalmente a proposta que reconhece e protege o cuidado prestado por servidores a essas pessoas.