O mais recente relatório do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a desigualdade salarial entre homens e mulheres atingiu o maior nível já registrado no Brasil. Segundo o documento, as mulheres ganham, em média, 21,2% menos que os homens no setor privado, mesmo exercendo funções semelhantes. A diferença é a maior desde o início da série histórica, o que evidencia um cenário ainda mais desafiador para a equidade de gênero no ambiente profissional.
A pesquisa analisou dados de mais de 54 mil empresas com pelo menos 100 funcionários, considerando informações do segundo semestre de 2024 ao primeiro semestre de 2025. O leitor encontrará, neste texto, os principais números do relatório, o impacto entre diferentes recortes populacionais, a distribuição estadual dessa desigualdade e as medidas debatidas para reverter este quadro preocupante. Vale a pena acompanhar os detalhes para entender a profundidade do problema e suas ramificações regionais.
O que você vai ler neste artigo:
A diferença de remuneração entre homens e mulheres saltou de 19,4% no início de 2024 para 21,2% em 2025. Trabalhadoras brasileiras recebem, em média, R$ 3.908,76, enquanto colegas homens recebem R$ 4.958,43. Os dados mostram que, enquanto mais mulheres alcançam cargos nas empresas, o aumento da presença feminina não garante igualdade nos ganhos.
A evolução da desigualdade nos últimos meses é destacada na tabela abaixo:
| Período | Diferença (%) |
|---|---|
| Março/2024 | 19,4% |
| Setembro/2024 | 20,7% |
| Junho/2025 | 21,2% |
Tais dados jogam luz sobre um cenário que exige respostas rápidas e assertivas tanto do poder público quanto do setor privado.
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O relatório do MTE faz um alerta importante sobre como a desigualdade salarial é ainda mais acentuada para as mulheres negras. No salário de admissão, a diferença chega a 33,5% quando comparadas a homens não negros. No rendimento médio — considerando hora-extra e benefícios — a distância cresce assustadoramente para 53,3%. Enquanto homens não negros chegam a ganhar, em média, R$ 6.391,94, mulheres negras não ultrapassam R$ 2.986,50, menos da metade do valor pago ao grupo masculino não negro. Isso reforça a necessidade de um olhar interseccional nas políticas de combate à desigualdade.
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A disparidade salarial não é homogênea em todo o território nacional. Rio de Janeiro e Paraná lideram o ranking dos estados com maior diferença salarial entre os sexos, ambos com 28,5%. Logo depois, aparecem Santa Catarina e Mato Grosso, com 27,9%, e Espírito Santo, com 26,9%.
Veja, na tabela a seguir, os estados com maiores e menores índices de desigualdade:
| Maiores diferenças | Percentual | Menores diferenças | Percentual |
|---|---|---|---|
| Rio de Janeiro | 28,5% | Piauí | 7,2% |
| Paraná | 28,5% | Amapá | 8,9% |
| Santa Catarina | 27,9% | Acre | 9,1% |
| Mato Grosso | 27,9% | Distrito Federal | 9,3% |
| Espírito Santo | 26,9% | Ceará | 9,9% |
Essas variações mostram que fatores locais, como o grau de formalização do emprego e políticas regionais, podem influenciar significativamente o panorama da desigualdade no país.
Autoridades reforçam que só políticas públicas e iniciativas das empresas podem trazer avanços. A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, criticou veementemente os altos índices, principalmente entre mulheres negras, e defende medidas como ampliação da licença-paternidade, incentivo ao auxílio-creche e implementação de programas de cargos e salários mais inclusivos.
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A subsecretária Paula Montagner, do MTE, reforça a necessidade de planos de ação efetivos nas empresas, a fim de criar ambientes de trabalho mais justos. Neste ano, já foram realizadas 787 ações de fiscalização e mais de 31 mil empresas publicaram relatórios de igualdade salarial, uma clara demonstração de avanço na transparência, mas que ainda precisa ser acompanhada de mudanças estruturais reais.
O último levantamento escancara que a jornada pela equidade salarial está longe do fim, especialmente quando observados os novos recordes de desigualdade salarial entre homens e mulheres em 2025. A publicação destes dados, porém, reforça a importância da pressão social e da implementação de políticas afirmativas para mudar tal cenário. Se você se interessa pelo tema e quer ficar sempre bem informado sobre trabalho, renda e igualdade de direitos, aproveite para se inscrever em nossa newsletter e não perder nenhum avanço importante.
Os principais fatores incluem preconceitos históricos, discriminação de gênero, diferenças nas oportunidades de promoção, falta de políticas inclusivas avançadas e influência de estereótipos culturais nas escolhas profissionais.
Mulheres negras enfrentam uma disparidade ainda maior, com uma diferença salarial de até 53,3% em relação a homens não negros, refletindo múltiplas formas de discriminação que combinam gênero e raça.
Empresas podem implementar políticas de transparência salarial, planos de cargos e salários inclusivos, ampliar licenças paternidade e maternidade, oferecer auxílio-creche, realizar auditorias internas e desenvolver programas de conscientização e combate ao preconceito.
A variação ocorre devido a diferenças no grau de formalização do emprego, políticas públicas regionais, níveis econômicos, presença de setores industriais variados e esforços locais de governança para combater a disparidade.
O governo pode criar e fiscalizar leis de igualdade salarial, fomentar políticas públicas de inclusão, fortalecer ações de fiscalização no ambiente de trabalho, incentivar programas educacionais e apoiar iniciativas que promovam a equidade de gênero.