O impacto das mudanças climáticas no setor de seguros é inegável. Eventos climáticos extremos, como chuvas intensas, secas e incêndios, pressionam preços e limitam a oferta de apólices para casas, carros e empresas. Mas surge uma nova questão: como o próprio negócio das seguradoras contribui para a crise climática?
A Porto, holding da Porto Seguro, líder em seguros de carros no Brasil, divulgou seu inventário completo de gases de efeito estufa em 2023, quando completou 80 anos. A seguradora trabalhou no diagnóstico de sua carteira e definiu metas para 2030, visando um plano de descarbonização.
O que você vai ler neste artigo:
Calcular a pegada de carbono no setor de seguros é complexo. Embora o impacto direto seja pequeno comparado a setores como energia ou transportes, as apólices cobrem riscos de todas essas atividades, contribuindo para as emissões indiretas conhecidas como escopo 3.
Em 2024, as emissões totais da Porto somaram 2 milhões de toneladas de carbono equivalente, sendo 99,8% delas do escopo 3. Este escopo inclui emissões seguradas e financiadas, uma vez que a empresa possui três negócios principais: seguros, banco e gestão de recursos.
“Dentro do processo de revisão estratégica, identificamos o que era material para o negócio”, diz Patrícia Coimbra, diretora de gente e cultura da Porto.
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A estratégia de sustentabilidade da Porto, chamada “Regenera”, estabelece metas ambiciosas para 2030, como reduzir em 40% suas emissões diretas e indiretas associadas à compra de energia elétrica, além de utilizar 100% de energia renovável em suas operações.
Um destaque é a empresa Renova Ecopeças, que compra veículos irrecuperáveis e vende peças reutilizáveis com certificação do Detran. Em 2023, foram desmontados 2,6 mil veículos, com 2,9 mil toneladas de resíduos reciclados.
“O Brasil ainda tem uma taxa muito baixa de reciclagem de veículos. A gente reaproveita praticamente 100% do carro”, afirma Viviane Pereira, gerente de sustentabilidade da Porto.
Embora não tenham sido estabelecidas metas específicas para o escopo 3, ele é contemplado indiretamente em outras duas metas: comercializar R$ 13 bilhões em produtos sustentáveis e monitorar 100% da cadeia de fornecedores com base em critérios de sustentabilidade.
A seguradora estuda incluir soluções de adaptação climática em seus seguros, mas ainda não há produtos disponíveis. Exemplos internacionais, como o “pay-per-use”, são citados como possíveis inspirações.
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Nathalia Pereira, coordenadora de finanças sustentáveis da WayCarbon, destaca a importância de incentivos que reduzam emissões sem limitar o acesso ao seguro.
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As mudanças climáticas aumentam a frequência de eventos extremos, elevando os riscos e os custos das apólices de seguros.
A Porto Seguro calcula sua pegada de carbono considerando principalmente as emissões do escopo 3, que incluem emissões seguradas e financiadas.
As metas incluem reduzir em 40% as emissões diretas e indiretas associadas à energia elétrica e utilizar 100% de energia renovável.
É uma iniciativa da Porto Seguro que compra veículos irrecuperáveis para vender peças reutilizáveis, promovendo a reciclagem.
A Porto Seguro estuda incluir soluções de adaptação climática em seus seguros e considera produtos inspirados no modelo ‘pay-per-use’.