O fenômeno da pejotização tem se tornado cada vez mais comum no Brasil. Trata-se de um processo em que o trabalhador é contratado como pessoa jurídica (PJ), mas opera sob condições típicas de um contrato de trabalho regido pela CLT. Isso inclui jornada fixa, subordinação e cumprimento de ordens diretas, sem os benefícios tradicionais, como 13º salário, férias e FGTS.
Mas, quando é possível reivindicar o reconhecimento do vínculo empregatício na Justiça? Vamos explorar essa questão, analisando casos, desafios legais e o impacto financeiro dessa prática.
O que você vai ler neste artigo:
A pejotização ocorre quando empresas contratam trabalhadores como se fossem prestadores de serviço autônomos, com CNPJ, mas na prática, estes seguem uma rotina de empregados regulares. Isso inclui horário fixo, uso de uniforme e subordinação hierárquica. Muitas vezes, essa prática visa reduzir custos com encargos trabalhistas.
Danielle Andrade, por exemplo, trabalhou por sete anos como coordenadora de suprimentos em regime PJ. Sem férias, 13º ou FGTS, ela se viu desamparada financeiramente ao ser demitida sem aviso prévio. A falta de direitos trabalhistas deixou um impacto profundo em sua vida.
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O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu temporariamente as ações sobre pejotização, aguardando um julgamento definitivo sobre a legalidade dessas contratações. A dúvida central é se contratar como PJ para funções que se assemelham ao regime CLT é uma fraude.
Embora o STF tenha suspendido os processos, ainda é possível ajuizar novas ações. A questão em debate é se esses casos devem ser julgados pela Justiça do Trabalho ou comum. A definição pode impactar milhões de trabalhadores que buscam o reconhecimento de seus direitos.
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Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) revela que a pejotização pode ter causado perdas bilionárias em tributos e contribuições ao FGTS. Entre 2018 e 2023, estima-se que o governo deixou de arrecadar entre R$ 89 bilhões e R$ 144 bilhões.
Trabalhadores contratados como PJ contribuem menos para a previdência, o que pode resultar em aposentadorias menores. Isso gera um efeito cascata, obrigando muitos a trabalharem por mais tempo ou a dependerem de assistência social.
Mesmo com a suspensão dos processos, é importante lembrar que o prazo para buscar direitos na Justiça não para. Trabalhadores têm até dois anos após a rescisão para entrar com ação e podem cobrar valores dos últimos cinco anos trabalhados.
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Se você acredita que está em uma situação de pejotização, procure orientação jurídica para avaliar a possibilidade de reivindicar seus direitos na Justiça.
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Sinais de pejotização incluem jornada fixa, subordinação, cumprimento de ordens diretas e ausência de benefícios tradicionais como 13º salário e FGTS.
Procure orientação jurídica para avaliar a possibilidade de reivindicar seus direitos trabalhistas na Justiça.
A pejotização pode resultar em perdas bilionárias para o governo em tributos e contribuições ao FGTS, além de afetar a previdência social dos trabalhadores.
Embora o STF tenha suspendido processos sobre pejotização, ainda é possível ajuizar novas ações enquanto aguardamos um julgamento definitivo.
Trabalhadores têm até dois anos após a rescisão do contrato para entrar com ação na Justiça e podem cobrar valores dos últimos cinco anos trabalhados.