O número de brasileiros morando de aluguel continua crescendo em 2025, mesmo diante de avanços na renda e na qualidade das moradias. Segundo a mais recente edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, o aluguel já representa 23% do total de domicílios no país – quase um quarto da população –, consolidando uma transformação marcante no perfil da moradia brasileira nos últimos anos.
Neste conteúdo, você vai conferir quais são os novos padrões de moradia identificados pelo IBGE, como eles refletem mudanças estruturais no bem-estar, na renda e nas escolhas familiares e o que esperar daqui para frente. Confira os principais dados e tendências reveladas pelo estudo.
O que você vai ler neste artigo:
Em 2016, 18,4% das moradias brasileiras eram alugadas. O percentual subiu para 23% em 2024, um salto que representa cerca de 5 pontos percentuais a mais em menos de uma década – o equivalente a um aumento de 45% no volume de imóveis alugados. Por outro lado, moradias próprias e totalmente quitadas caíram de 66,8% para 61,6% no mesmo período.
Esses dados indicam que, mesmo com o aumento da renda e o desenvolvimento de políticas habitacionais, muitos brasileiros continuam sem acesso à casa própria. Para William Kratochwill, analista da PNAD, parte desse fenômeno se explica tanto pela alta concentração de riqueza quanto pelos efeitos de crises econômicas recentes, inflação persistente e restrições de crédito imobiliário, que dificultam o financiamento da compra de imóveis.
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O levantamento do IBGE mostrou ainda mudanças no tipo de moradia preferido pelos brasileiros. As casas seguem dominando, mas estão perdendo espaço diante dos apartamentos, tendência associada à urbanização e à verticalização das cidades. Entre 2016 e 2024, houve avanço de 1,6 ponto percentual na fatia de apartamentos no total de lares, movimento mais visível em regiões metropolitanas.
O Sudeste permanece como região com mais domicílios (43,1%), seguido do Nordeste (26,3%) e do Sul (15,1%). O Norte e o Centro-Oeste somam, juntos, menos de 16%. A região Nordeste, porém, apresenta os maiores desafios em infraestrutura básica, especialmente em relação ao abastecimento de água e à cobertura de esgoto.
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O acesso à infraestrutura melhorou consideravelmente: 86,3% das moradias contavam com água encanada, e a cobertura de energia elétrica chegou a 99,8%. No entanto, persistem desigualdades regionais. O Nordeste possui o menor percentual de residências abastecidas por água da rede (72,6%), e Pernambuco desponta como estado com menor cobertura (44,3%). Já o Sul, com 95,8%, tem o melhor desempenho.
Quanto à rede geral de esgoto ou fossa séptica, 70,4% dos lares tinham o serviço em 2024. O Sudeste lidera (90,2%), enquanto o Norte ainda está aquém (31,2%).
Apesar dos entraves para conquistar a casa própria, a pesquisa evidencia que a qualidade de vida melhorou. O acesso a eletrodomésticos e veículos aumentou. Geladeiras estão presentes em 98,3% das casas (contra 98% em 2016), enquanto as máquinas de lavar saltaram de 63% para 70,4%. Automóveis já fazem parte da realidade de 48,8% dos domicílios; motos, de 25,7%; e ambos os veículos, de 13,4%, demonstrando maior poder de compra e acesso ao crédito para famílias em todo o país.
Segundo o IBGE, a posse desses bens ilustra uma transformação positiva na renda e no cotidiano das famílias. Menos tempo é gasto em tarefas domésticas e as famílias estão mais equipadas para aproveitar oportunidades de trabalho e lazer.
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O cenário da moradia no Brasil em 2025 mostra avanços importantes na infraestrutura, na renda e no acesso a bens de consumo, mas também reforça o desafio persistente de garantir condições acessíveis para aquisição da casa própria. Mesmo com uma parcela crescente da população vivendo em imóveis alugados, os índices de conforto, urbanização e desenvolvimento seguem em ascensão, sinalizando potencial para avanços ainda mais significativos nos próximos anos.
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A principal razão é a combinação de restrições ao crédito imobiliário, inflação persistente e concentração de renda, que dificultam a compra de imóveis e elevam a demanda por aluguel.
A PNAD Contínua coleta informações por meio de entrevistas domiciliares periódicas, amostrando diversos indicadores sociodemográficos e econômicos, incluindo tipo de moradia e forma de aquisição.
O Sudeste lidera em número absoluto, mas o crescimento percentual mais forte ocorre em regiões metropolitanas, onde a verticalização e a oferta de apartamentos incentivam o aluguel.
No Nordeste, 72,6% dos lares têm água encanada (Pernambuco: 44,3%), enquanto no Sul chega a 95,8%. Na rede de esgoto, o Sudeste atinge 90,2% e o Norte somente 31,2%.
O acesso a geladeiras e máquinas de lavar reduz o tempo gasto em tarefas domésticas, libera recursos para outras atividades e melhora o bem-estar geral das famílias.
A urbanização e a verticalização das cidades aumentam a preferência por apartamentos, que oferecem proximidade de serviços, transporte e infraestrutura em áreas metropolitanas.