Segundo um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), publicado em 2025, cerca de 50% das famílias beneficiárias do Bolsa Família acabam deixando o mercado de trabalho. A pesquisa, liderada pelo economista Daniel Duque, chama atenção para os impactos sociais e econômicos após o aumento do valor médio do programa para aproximadamente R$ 670, incremento realizado em 2023. O levantamento destaca ainda que a participação dos beneficiários no mercado caiu 11% se comparada à de famílias que não recebem o benefício.
Nesta matéria, você vai entender como a ampliação do Bolsa Família afetou a dinâmica do emprego formal e informal, principalmente entre jovens das regiões Norte e Nordeste. Entenda também as justificativas do estudo e propostas para calibrar o maior programa de transferência de renda do país.
O que você vai ler neste artigo:
Dados coletados pela FGV mostram uma queda significativa na inserção dos beneficiários do Bolsa Família no mercado de trabalho. O estudo identificou reduções de 12% na probabilidade de estarem empregados e 13% em empregos formais, especialmente entre homens de 14 a 30 anos. O fenômeno ocorre devido ao receio de perder o benefício ao conquistar uma posição formal, já que a renda pode ultrapassar o limite estabelecido para elegibilidade.
Daniel Duque, responsável pelo levantamento, avalia que a percepção de estabilidade financeira atrelada ao programa pesa mais do que a busca por uma colocação formal, fator agravado em regiões com salários historicamente mais baixos. Nesses casos, o valor do Bolsa Família se aproxima da remuneração que o mercado oferece, tornando o programa especialmente atrativo como fonte de sustento principal.
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O estudo sublinha que as regiões Norte e Nordeste concentram os maiores impactos do Bolsa Família sobre o emprego, já que o aumento do benefício traz novo mecanismo de escolha para jovens que enfrentam poucas perspectivas de ascensão profissional fora do programa social. O atraso do ingresso no mercado de trabalho, conforme o pesquisador, reduz não apenas a renda imediata, mas também compromete o desenvolvimento de habilidades, a qualificação e até os salários no futuro.
Diante desses efeitos colaterais, a pesquisa sugere ajustes para evitar a dependência prolongada do programa por parte de jovens adultos. Entre as possibilidades analisadas estão a redução dos valores para este público e o redirecionamento dos recursos para famílias com crianças pequenas, estimulando transferência de renda para situações mais críticas de vulnerabilidade.
Outras recomendações envolvem integrar o Bolsa Família a programas de educação, como o Pé-de-Meia, e políticas de estímulo ao ensino técnico, empregabilidade e qualificação, promovendo acesso a oportunidades para quem ainda está estudando.
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O programa Bolsa Família teve sua média de pagamentos triplicada nos últimos anos. De uma média de R$ 190 pagos em 2019, o benefício saltou para cerca de R$ 670 em 2023, alcançando mais de 21 milhões de famílias. O orçamento anual também cresceu de R$ 35 bilhões para R$ 170 bilhões entre 2017 e 2023.
A taxa de participação no mercado de trabalho, que era de 63,6% antes da pandemia, ainda não recuperou o patamar pré-crise sanitária, estando em 62,2% no início de 2025. O Ministério do Desenvolvimento Social tem divulgado a saída de milhares de famílias a cada mês, à medida que melhoram de vida e deixam de atender aos critérios do programa.
Desde junho do ano passado, entraram em vigor regras que permitem que famílias cuja renda ultrapasse o limite de entrada (R$ 218 per capita) permaneçam no programa por mais 12 meses, com direito a 50% do valor do benefício, desde que a renda mensal por pessoa não seja superior a R$ 706. A medida, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, segue critérios internacionais de linha de pobreza, buscando evitar cortes abruptos e promovendo transição para quem conquista novas fontes de renda.
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Além disso, quem recebe aposentadorias, pensões ou Benefício de Prestação Continuada (BPC) pode ficar até dois meses com o auxílio, e famílias com pessoas com deficiência podem permanecer até 12 meses nesses casos de transição. O objetivo é oferecer previsibilidade e proteger as famílias durante mudanças de renda, sem excluir imediatamente quem obtém novos vínculos trabalhistas ou direitos previdenciários.
O impacto do Bolsa Família no mercado de trabalho segue sob análise e debate, especialmente na busca por um modelo social que equilibre combate à pobreza e estímulo à inclusão produtiva. ✅ Se você gostou desta análise detalhada sobre o Bolsa Família e quer receber mais notícias exclusivas, assine nossa newsletter e acompanhe todas as novidades no seu e-mail.
O critério de entrada é renda mensal de até R$ 218 per capita; quem ultrapassa esse valor pode permanecer por até 12 meses recebendo 50% do benefício, desde que a renda não exceda R$ 706 per pessoa.
O estudo indica que a entrada tardia no mercado de trabalho reduz experiência prática e qualificação, impactando futuras oportunidades e salários.
O Pé-de-Meia é um programa de educação financeira do governo que pode ser oferecido em conjunto ao Bolsa Família, visando preparar beneficiários para gestão de recursos e autossuficiência.
Aposentados e pensionistas mantêm o benefício por até dois meses após o novo vínculo; famílias com pessoas com deficiência têm até 12 meses de perdão na transição.
O orçamento anual saltou de R$ 35 bilhões em 2017 para R$ 170 bilhões em 2023, refletindo a expansão e valorização do benefício.
A participação dos beneficiários caiu de 63,6% antes da pandemia para 62,2% em 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social.