A venda da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE) para a Sabesp está no centro de uma intensa controvérsia judicial. A operação, avaliada em R$ 1,13 bilhão, foi contestada pelo fundo Phoenix Água e Energia, controlador da EMAE, que tentou barrar a transação, inclusive solicitando segredo de Justiça. No entanto, a iniciativa foi rechaçada pelo juiz Eduardo Palma Pellegrinelli, da 1ª Vara Empresarial de São Paulo, que chegou a classificar a tentativa como “quase litigância de má-fé”. O caso acendeu o alerta para possíveis irregularidades no processo e para uma disputa que promete render novos capítulos.
Neste artigo, você irá entender os principais desdobramentos dessa venda, os desafios para o setor de saneamento e energia em São Paulo e o que está em jogo para todas as partes envolvidas. Siga conosco para se informar sobre os próximos passos dessa negociação estratégica e polêmica.
O que você vai ler neste artigo:
A negociação ganhou destaque porque a EMAE, produtora relevante de energia na região metropolitana de São Paulo, vinha enfrentando dificuldades financeiras graves. O fundo Phoenix, controlado por Nelson Tanure e Tercio Borlenghi Junior, inadimpliu o pagamento de uma dívida que ultrapassava R$ 650 milhões. Os títulos dessa dívida estavam sob a responsabilidade da XP Investimentos e do agente fiduciário Vórtx, que decidiram, junto aos credores, pela execução antecipada dessa obrigação e a oferta da EMAE ao mercado.
A Sabesp, gigante do saneamento avaliada em R$ 87 bilhões, viu na EMAE uma oportunidade de reforçar sua segurança hídrica, especialmente por conta das represas Billings e Guarapiranga, essenciais para abastecimento e geração energética. A transação incluiu a aquisição de 70,1% do capital da EMAE por parte da Sabesp, usando recursos próprios e sem necessidade de contrair novas dívidas.
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Logo ao entrar com a ação, o fundo Phoenix solicitou a tramitação em segredo de Justiça, ato criticado pelo magistrado por supostamente dificultar o acesso das demais partes ao processo. O juiz também determinou que o valor envolvido na causa fosse corrigido para R$ 520 milhões, bem acima dos R$ 10 mil inicialmente sugeridos pelo Phoenix, e preferiu ouvir todas as partes antes de conceder qualquer liminar.
A Vórtx, responsável por zelar pelo interesse dos detentores das debêntures, defende que a venda seguiu à risca o rito estabelecido em lei, com assembleia dos investidores e execução regular diante do não pagamento das dívidas pela Phoenix. Além disso, tanto a Eletrobras — sócia minoritária na estrutura — quanto o governo do Estado de São Paulo manifestaram apoio ao negócio, entendendo que a transação poderia trazer maior segurança hídrica e energética para a região.
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Do ponto de vista técnico, a compra da EMAE traz vantagens consideráveis para a Sabesp. Além de ampliar o acesso à produção energética regional, a integração das operações pode otimizar investimentos em despoluição dos rios Tietê e Pinheiros e ajudar no cumprimento das metas de universalização do saneamento até 2029. Já para a EMAE, a perspectiva é de uma administração mais focada em soluções de longo prazo, podendo reverter o histórico recente de irregularidades e operações financeiras controversas.
A venda da EMAE para a Sabesp ainda depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com o processo judicial em andamento e a análise por órgãos reguladores, o desfecho do caso permanece incerto. O mercado observa atentamente os desdobramentos, já que a efetivação da operação pode redefinir o cenário do setor hídrico-pesado em São Paulo, ao mesmo tempo que expõe fragilidades de gestão e governança de fundos controladores de ativos estratégicos.
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A discussão sobre a venda da EMAE para a Sabesp extrapola questões corporativas e atinge interesses públicos relevantes, especialmente no abastecimento de água e segurança energética na metrópole paulistana. Confirmando-se a aquisição, a Sabesp deverá ampliar sua atuação e a capacidade de enfrentar crises hídricas, tornando-se ainda mais estratégica para o estado de São Paulo.
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A transação depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O fundo contestou o processo alegando irregularidades, pediu segredo de justiça e tentou barrar a operação judicialmente.
A aquisição amplia a segurança hídrica pela gestão das represas Billings e Guarapiranga, otimiza investimentos na despoluição dos rios e contribui para metas de universalização do saneamento.
A Vórtx atua como agente fiduciário e representante dos credores, garantindo que a venda siga as regras legais e protege os interesses dos investidores.
A disputa judicial inclui acusações de litigância de má-fé, pedidos de segredo de justiça e controvérsias sobre a correção do valor da causa, o que pode atrasar o desfecho da negociação.