O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações financeiras atípicas na conta bancária do auxiliar administrativo José Laudenor da Silva, que recebe salário de R$ 1,5 mil mensais. Em pouco mais de um ano, a conta de Laudenor registrou movimentação total de R$ 1,3 milhão, incluindo transferências para dois ex-presidentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O caso, que está sendo examinado pela CPI do INSS, acende um alerta para possíveis práticas de lavagem de dinheiro utilizando perfis de baixa renda como “laranjas”.
O relatório do Coaf, encaminhado à CPI, destaca não apenas a incompatibilidade entre a renda formal de Laudenor e os valores transacionados, mas também sua atuação em transações com figuras politicamente expostas (PEPs). Entre os beneficiários estão os ex-presidentes do INSS, José Carlos Oliveira, que ocupou o cargo durante o governo Bolsonaro, e Leonardo Gadelha, dirigente na gestão Temer. Neste texto, detalhamos as principais descobertas da investigação, o perfil do suspeito e como políticos citados vêm se posicionando até agora. Continue a leitura para entender a dimensão do caso e suas implicações.
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O Coaf analisou duas janelas de tempo da conta de José Laudenor: entre outubro de 2021 e outubro de 2022, e o mês de janeiro de 2023. No primeiro período, o fluxo financeiro chegou a R$ 1,2 milhão; no segundo, o valor somou R$ 161 mil, totalizando R$ 1,3 milhão. Os principais destaques dessa movimentação envolvem transferências de R$ 25,6 mil recebidos de José Carlos Oliveira e outros R$ 25 mil transferidos para Leonardo Gadelha. Laudenor e Oliveira chegam a ser sócios em uma empresa de serviços de escritório.
O relatório ainda destaca o recebimento de R$ 4,8 mil por Laudenor, valor vindo de Cícero Marcelino de Souza, apontado como operador financeiro da Conafer e investigado pela Polícia Federal. A Conafer teria captado R$ 100 milhões do INSS. Parte desses recursos teria sido repassada para Laudenor sem justificativa clara, o que motivou a inclusão do nome do auxiliar administrativo nas investigações da PF.
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O Coaf aponta que José Laudenor realizou movimentação financeira elevada, sistemática e desconectada de seu perfil econômico, evidenciando possível utilização da conta para transitar recursos de terceiros. A conclusão do órgão é objetiva: há “indícios do crime de lavagem de dinheiro ou atividades relacionadas”. A Polícia Federal reforça essa interpretação, acrescentando que Laudenor não tem históricos bancários compatíveis com as cifras analisadas e que ele teria operado como laranja em um esquema maior de fraudes dentro do INSS.
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Durante audiência, o ex-presidente do INSS José Carlos Oliveira, que atualmente atende pelo nome Ahmed Mohamad Oliveira, alegou que as transferências envolvendo Laudenor seriam parte de relações pessoais e que o auxiliar seria um apoiador antigo, até mesmo intermediar vendas de itens como álbuns de figurinhas. Segundo Oliveira, não haveria qualquer relação ilícita, embora ele não tenha explicado detalhes sobre os repasses vultosos e sucessivos apontados pelo Coaf.
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A repercussão na CPI do INSS tem sido intensa. O senador Izalci Lucas (PL-DF) classificou Laudenor como parte fundamental da engrenagem fraudulenta ao atuar como um operador “laranja”. Segundo o parlamentar, a movimentação financeira incomum, a relação direta com ex-presidentes do órgão e as evidências apresentadas pela PF justificaram a quebra do sigilo bancário de Laudenor e aprofundamento das investigações sobre o esquema de fraudes no INSS.
O caso do auxiliar administrativo José Laudenor da Silva expõe como estruturas sofisticadas de fraude podem se sustentar por meio da utilização de pessoas de baixa renda como laranjas, movimentando valores incompatíveis com suas declarações formais de renda. A investigação do Coaf e o avanço das diligências na CPI prometem trazer novos desdobramentos sobre práticas de lavagem de dinheiro no INSS e a participação de nomes de peso da política nacional. Para acompanhamento das próximas atualizações e informações de bastidores sobre economia e política, não deixe de se inscrever em nossa newsletter gratuita.
Uma movimentação financeira atípica é aquela que não é compatível com o perfil econômico ou renda formal do titular da conta, envolvendo valores elevados ou transações incomuns sem justificativa clara.
PEPs são indivíduos que ocupam ou ocuparam cargos públicos relevantes e, devido ao maior risco de envolvimento em corrupção, suas transações financeiras são monitoradas para prevenir crimes como lavagem de dinheiro.
O Coaf analisa a origem, o volume e o padrão das transações financeiras, buscando inconsistências entre a renda declarada e os valores movimentados, além de conexões suspeitas entre os envolvidos.
Pessoas de baixa renda são usadas para dar aparência de legalidade às transações, já que seus perfis econômicos não levantam suspeitas iniciais, facilitando a movimentação de recursos ilegais.
Órgãos como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Polícia Federal e comissões parlamentares, como a CPI, são responsáveis por investigar crimes de lavagem de dinheiro.