A Swiss Re, uma das líderes mundiais em seguros, está no centro de uma polêmica ao fornecer apólices para fazendas envolvidas em desmatamento ilegal e conflitos territoriais com comunidades indígenas e quilombolas. Em 2024, três contratos assinados pela empresa totalizaram R$ 264 mil em subsídios públicos, segundo dados do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), administrado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
O que você vai ler neste artigo:
A Fazenda Janaína, localizada em Amambai (MS), exemplifica a complexidade desses contratos. Com 43% de sua área sobreposta à Terra Indígena Dourados-Amambaipeguá I, a propriedade foi segurada pela Swiss Re em múltiplas ocasiões, mesmo em meio a disputas legais sobre a demarcação do território indígena. A Swiss Re afirma que refinou seus processos de análise de riscos socioambientais, mas não comentou os casos específicos.
A Elamar Participações Agropecuárias, proprietária da Fazenda Janaína, contesta judicialmente a sobreposição registrada no Cadastro Ambiental Rural (CAR), alegando que prejudica suas operações financeiras. Enquanto isso, a região continua a ser palco de tensões, com a presença da Força Nacional para proteger os guarani-kaiowá.
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Outro caso envolve a Fazenda Cedro, em Santa Rita (MA), onde a Swiss Re forneceu seguro para gado em uma área sobreposta a um território quilombola em processo de regularização. A família Xenofonte, proprietária da fazenda, enfrenta acusações de envenenamento de águas e ameaças à comunidade quilombola, com processos judiciais ainda em andamento.
No Cerrado baiano, a família Hendges teve suas propriedades multadas por desmatamento ilegal. A Swiss Re segurou a produção de soja em três fazendas da família, que alegou ter sido vítima de um golpe envolvendo licenças ambientais falsas. A questão destaca a necessidade de monitoramento mais rigoroso quando recursos públicos são envolvidos.
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Especialistas, como Manoela Roland do Homa-UFJF, enfatizam a importância de monitorar o uso de recursos públicos para evitar violações de direitos ambientais e sociais. As diretrizes da Climate Policy Initiative sugerem que subsídios do PSR sigam os mesmos critérios de sustentabilidade aplicáveis ao crédito rural.
Com R$ 933,1 milhões destinados a seguros rurais em 2023, o governo ainda precisa implementar um sistema eficaz para verificar irregularidades socioambientais nas áreas subsidiadas, um passo que foi adiado para 2025.
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A Swiss Re fornece seguros para propriedades envolvidas em conflitos territoriais com comunidades indígenas, levantando questões sobre responsabilidade socioambiental.
A Swiss Re enfrenta críticas e possíveis implicações legais por segurar propriedades em áreas de conflito e desmatamento ilegal, apesar de afirmar seguir processos rigorosos de análise de riscos.
A Swiss Re forneceu seguros para áreas em conflito com territórios quilombolas, enfrentando acusações de envolvimento indireto em violações de direitos humanos.
Especialistas pedem diretrizes mais rígidas e a implementação de um sistema eficaz para verificar irregularidades socioambientais, previsto para 2025.
O PSR oferece subsídios para seguros rurais, mas enfrenta críticas por não implementar critérios socioambientais rigorosos, o que é crucial para evitar violações de direitos.