O Brics está desafiando a ordem global estabelecida pelo G7 ao buscar um sistema mais equitativo e representativo. Com nove integrantes, o bloco se reúne nesta terça-feira (22 de outubro de 2024) em Kazan, na Rússia, para a 16ª cúpula. Durante o encontro, que se estenderá até quinta-feira (24 de outubro), é esperado que o Brics continue a promover o multilateralismo.
Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha declarado que o Brics não é uma ameaça ao G7, o bloco desafia a ordem internacional ao propor mudanças significativas. Lula não participará presencialmente da cúpula devido a uma queda no Palácio da Alvorada, mas acompanhará o evento por videoconferência. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representará o Brasil em Kazan.
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O Brics representa os novos polos de poder no sistema internacional, desafiando o G7, que inclui potências consolidadas como Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. De acordo com Ronaldo Carmona, professor de geopolítica da ESG e Senior Fellow do Cebri, o Brics reflete a mudança no equilíbrio de poder econômico global.
Segundo dados do FMI e do Banco Mundial, em 2023, o Brics, composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, tinha uma participação de 34,9% no PIB mundial. Com a entrada de Irã, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Egito, a estimativa para 2024 é de 35,4%. Em contraste, o G7, com 30,1% em 2023, deve cair para 29,6% este ano.
Essa crescente influência do Brics força o G7 a repensar suas estratégias. Os países do G7 buscam políticas de inovação e reindustrialização para tentar reverter a tendência de declínio.
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O Brics propõe um mundo multipolar, onde o poder seja distribuído entre diferentes nações, ao invés de concentrado em uma única potência. Essa ideia atrai países do Sul Global, que buscam mais influência e representação. Além disso, a cooperação Sul-Sul visa fortalecer laços entre países em desenvolvimento, promovendo o intercâmbio de tecnologias e investimentos.
O bloco defende mudanças no FMI e no Banco Mundial para refletir a nova realidade econômica, com mais voz para países emergentes. Atualmente, essas instituições são vistas como dominadas pelos interesses das maiores economias do mundo.
O Brics está explorando a criação de uma moeda comum e sistemas de comércio em moedas nacionais para reduzir a dependência do dólar. O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), presidido por Dilma Rousseff, financia projetos de infraestrutura nos países do bloco, sendo uma medida concreta do Brics.
A proposta inclui a reforma do Conselho de Segurança da ONU para incluir mais países, principalmente do Sul Global, com assentos permanentes e temporários. Atualmente, o conselho é composto por 15 países, dos quais apenas cinco têm assentos permanentes com poder de veto.
O Brics está claramente redefinindo seu papel no cenário internacional, propondo um sistema mais inclusivo e equitativo, desafiando a ordem estabelecida pelo G7.
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O objetivo principal do Brics é promover um sistema internacional mais equitativo e representativo, desafiando a ordem global estabelecida pelo G7.
Os países que fazem parte do Brics são Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Recentemente, Irã, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Egito foram incluídos no bloco.
O Brics é considerado um desafio ao G7 porque busca promover a multipolaridade e dar mais voz aos países emergentes, propondo reformas nas instituições financeiras globais e na governança mundial.
A cúpula do Brics em Kazan é importante porque reúne os líderes do bloco para discutir e propor mudanças significativas na ordem internacional, promovendo um sistema mais equitativo e representativo.
O Brics impacta a economia global ao representar uma parcela significativa do PIB mundial, propondo novas formas de comércio e financiamento, além de desafiar o domínio das maiores economias globais.