O déficit das contas federais e a dificuldade do governo petista em lidar com o problema provocam um debate urgente sobre gastos, até agora praticamente intocados. A reforma da Previdência das Forças Armadas é um exemplo dessa pauta.
O que você vai ler neste artigo:
O gasto com militares da ativa equivale a só 57% daquele com militares na reserva, reformados e pensionistas. No caso dos civis, a proporção é de 156%, considerando o último ano até abril, desconsideradas sentenças judiciais e precatórios.
Leia também: 3 bônus confirmados para inscritos do Bolsa Família com estes NIS
A despesa com inativos das Forças está em 0,53% do PIB por ano (R$ 58,9 bilhões); com os civis, em 0,84% do produto (R$ 92,9 bilhões). Mas os beneficiários militares somam 313 mil, ante 796 mil civis.
Segundo dados do Tribunal de Contas da União, publicados pela Folha, o déficit por beneficiário no INSS ronda os R$ 9.400. Entre civis, são R$ 69 mil; já entre os militares, a conta vai a R$ 159 mil.
Servidores das Forças se aposentam mais cedo e mantêm seus vencimentos quando inativos. Sobrevivem regimes especiais de proteção para pensionistas. Sua Previdência não sofreu reforma ampla neste século, como a dos civis.
Os militares argumentam que trata-se de compensação para especificidades da carreira — não têm hora extra, adicional noturno nem sindicatos e são obrigados a mudanças constantes de cidade.
No entanto, cerca de metade dos trabalhadores brasileiros não possui os direitos de contratados formais nos setores privado e público. Ademais, não é na Previdência que se deve corrigir desigualdade do mercado de trabalho.
Em comparação internacional, o gasto nas Forças do Brasil é alto. É fato que a despesa com servidores federais (ativos, inativos e pensionistas) tem diminuído, de 4,26% do PIB em 2008 para 3,17% do PIB atualmente, redução considerável, em particular entre os civis.
Leia também: Passo para acabar com as Forças, diz general sobre Previdência
Ainda assim, é urgente uma reforma administrativa, também de organização e métodos, a fim de modernizar o trabalho e dirigi-lo aonde é mais necessário. O serviço público militar não pode ficar fora dessa revisão geral.
Gostou do conteúdo? Inscreva-se em nossa newsletter para receber mais informações e análises detalhadas sobre temas importantes para o Brasil.
A reforma é urgente devido ao elevado déficit das contas federais e aos altos custos associados às aposentadorias e pensões dos militares.
Os gastos com militares da ativa representam 57% dos gastos com militares na reserva, reformados e pensionistas, destacando a necessidade de revisão dos benefícios.
A despesa com inativos das Forças Armadas está em 0,53% do PIB por ano, o que equivale a R$ 58,9 bilhões.
Os militares argumentam que os benefícios são uma compensação pelas especificidades da carreira, como a ausência de hora extra, adicional noturno e a obrigatoriedade de mudanças constantes de cidade.
Em comparação internacional, o gasto com as Forças Armadas do Brasil é considerado alto, apesar da redução nas despesas com servidores federais nos últimos anos.