Após uma reunião nesta quinta-feira (11), líderes partidários defenderam a retirada da urgência do projeto que regulamenta a reforma tributária, permitindo mais tempo para discussão e análise no Senado. A Câmara dos Deputados concluiu a votação da proposta (PLP 68/2024) na quarta-feira (10). O regime de urgência, solicitado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estabelece um prazo de 45 dias para deliberação em cada Casa do Congresso, sob pena de trancamento da pauta.
O que você vai ler neste artigo:
Durante a sessão do Plenário desta quinta-feira (10), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, informou que a matéria tramitará na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e anunciou o senador Eduardo Braga (MDB-AM) como relator. No entanto, não confirmou se retirará a urgência. “Queria parabenizar e desejar boa sorte a Eduardo Braga, que terá a responsabilidade de definir um cronograma de trabalho de aprofundamento em relação à reforma tributária e, naturalmente, dentro desse espírito mesmo de ampliação do debate”, afirmou Pacheco.
Leia também: Reforma tributária deve penalizar compensações de empresas do Simples Nacional
O relator Eduardo Braga enfatizou a necessidade de um calendário para debates, apresentação de emendas e análise do texto, destacando a relevância do tema e a quantidade de atores envolvidos. “Todas essas questões serão amplamente debatidas, divulgadas com antecedência, com previsibilidade e transparência, para que possamos construir uma regulamentação da reforma tributária que responda aos anseios da sociedade brasileira”, disse Braga.
O projeto de lei complementar regulamenta diversos aspectos da cobrança do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto Seletivo (IS), que substituirão o PIS, a Cofins, o ICMS, o ISS e parcialmente o IPI. São definidos os percentuais de redução e isenção dos impostos para vários setores e produtos, além de benefícios tributários como crédito presumido, reduções de base de cálculo, imunidades e outros incentivos. A proposta também prevê a devolução de tributos para consumidores de baixa renda (cashback).
Um dos assuntos destacados pelos senadores em suas redes sociais e que deve ser foco de discussão no Senado foi a inclusão da carne vermelha entre os 22 itens da cesta básica que estarão isentos de tributação. O item foi adicionado por meio de uma emenda de Plenário, do deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS). “Vejo integrantes do governo exaltando a inclusão da carne na cesta básica como se fosse uma ação do Planalto, e não do Congresso Nacional”, criticou o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Os senadores do Amazonas, incluindo o relator Eduardo Braga e o senador Plínio Valério (PSDB-AM), manifestaram preocupação com pontos que podem prejudicar a Zona Franca de Manaus. “O texto aprovado na Câmara dos Deputados não é nada bom para a Zona Franca de Manaus. Temos muitos problemas a enfrentar aqui no Senado”, afirmou Plínio Valério.
Em coletiva à imprensa após a reunião, o líder da oposição, senador Marcos Rogério (PL-RO), expressou preocupação com a forma como a matéria foi votada na Câmara dos Deputados. Ele acredita que a urgência constitucional não contribui para o objetivo maior de oferecer mais equilíbrio, justiça, transparência e simplicidade ao sistema tributário brasileiro.
Por outro lado, alguns senadores governistas elogiaram o texto final e a inclusão da carne na cesta básica com 100% de isenção dos impostos. “Vai ter carne na cesta básica, sim. A Câmara aprovou isenção total para a carne, que agora estará na cesta básica”, disse o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP).
Leia também: A paralisação de Bonner no JN com mudança no INSS e notícia ainda cai como presente a aposentados
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) advertiu que a isenção total de alguns itens pode comprometer a soma total dos tributos do novo modelo, que deve chegar, no máximo, a 26,5% de imposto sobre o preço. “Mais uma do modelo liberal brasileiro: votar pelo imposto zero para filé mignon e picanha e reclamar do tamanho da alíquota final do imposto. Muito populismo e pouca matemática, no mínimo”, criticou Vieira.
A retirada da urgência, se confirmada, permitirá um debate mais aprofundado sobre a reforma tributária, envolvendo diversos setores da sociedade e buscando um consenso que atenda às necessidades do país.
Se você gostou deste conteúdo, não deixe de se inscrever em nossa newsletter para receber as últimas atualizações diretamente no seu e-mail!
A reforma tributária é um conjunto de mudanças no sistema de impostos de um país, visando simplificá-lo, torná-lo mais justo e eficiente.
Os senadores querem retirar a urgência para permitir mais tempo para discussão e análise, garantindo um debate mais aprofundado sobre o tema.
A reforma tributária propõe a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto Seletivo (IS), que substituirão o PIS, a Cofins, o ICMS, o ISS e parcialmente o IPI.
A inclusão da carne vermelha na cesta básica, com isenção de impostos, é um dos pontos de discussão, pois visa beneficiar os consumidores, mas também gera debates sobre o impacto fiscal.
Os senadores do Amazonas manifestaram preocupação com pontos da reforma que podem prejudicar a Zona Franca de Manaus, destacando a necessidade de ajustes para proteger a região.