Advogados norte-americanos estão enfrentando uma nova onda de punições após utilizarem inteligências artificiais generativas, como o ChatGPT, na confecção de petições e documentos jurídicos sem a devida checagem. Tribunais de diversos estados dos Estados Unidos relataram um aumento nos processos disciplinares contra profissionais do direito que apresentaram peças com citações falsas, jurisprudência inexistente e argumentos produzidos por ferramentas automatizadas, expondo fragilidades e riscos dessa tecnologia no setor jurídico.
Este texto mostra os casos mais recentes, as consequências e as discussões éticas que o uso indiscriminado de IA nos tribunais norte-americanos tem gerado. Entenda quais medidas estão sendo adotadas para combater o uso irresponsável dessa tecnologia e o futuro da atuação profissional na era da inteligência artificial. Não saia sem conferir as recomendações das principais entidades que regulam a advocacia nos EUA.
O que você vai ler neste artigo:
Com a popularização de plataformas de IA generativa, profissionais do setor legal passaram a utilizá-las para acelerar a redação de petições e outros documentos processuais. No entanto, casos recentes demonstram que confiar integralmente nessas ferramentas pode colocar a credibilidade de advogados e todo o andamento dos processos em xeque.
Tribunais americanos notaram, em 2025, uma quantidade preocupante de petições recheadas de citações falsas, decisões inexistentes e textos incoerentes, gerando erros processuais e até danos aos próprios clientes. O resultado? Sanções financeiras, advertências formais e risco de suspensão para advogados que não revisam cuidadosamente o que entregam à Justiça.
A resposta dos órgãos judiciais e de ética foi rigorosa. O tribunal de Nova York, por exemplo, determinou multas a profissionais surpreendidos apresentando jurisprudências inventadas por IA.
Além disso, o advogado francês Damien Charlotin criou um banco de dados público que já conta com mais de 500 registros de erros cometidos por advogados ao usarem IA sem acompanhamento humano. Advogados de diferentes países também passaram a rastrear casos e expor colegas para criar uma cultura de responsabilidade digital. A ideia é desestimular o uso irresponsável da tecnologia e preservar a reputação da profissão, cada vez mais manchada por incidentes desse tipo.
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A American Bar Association (ABA), associação que dita as boas práticas jurídicas nos Estados Unidos, reconhece a utilidade da inteligência artificial para auxiliar advogados em tarefas repetitivas. No entanto, a entidade reforça a recomendação de revisar criteriosamente todo material gerado antes de submetê-lo à Justiça.
Especialistas em ética, como o professor Stephen Gillers, da New York University, defendem que a supervisão humana é essencial para evitar que erros ou fraudes prejudiquem clientes e comprometam a imagem dos operadores do Direito. A ABA tem discutido, inclusive, a necessidade de cursos específicos sobre o uso ético de IA nos escritórios de advocacia e pode adotar normas mais rígidas nos próximos meses.
O uso descuidado da IA gerou uma tensão evidente entre escritórios que buscam eficiência e o receio de ver anos de reputação abalados por descuidos tecnológicos. Processos de revisão e treinamento têm se tornado urgentes, enquanto cresce a pressão para que órgãos reguladores atuem de modo mais firme.
O debate segue acalorado e promete se intensificar à medida que as ferramentas digitais ganham espaço nos tribunais. Mais do que nunca, a advocacia enfrenta o desafio de equilibrar inovação e responsabilidade ética perante seus clientes e a sociedade.
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O uso indiscriminado de IA na advocacia está provocando profundas transformações e acendendo alertas em todo o sistema judiciário americano. O futuro da profissão dependerá, cada vez mais, da combinação entre tecnologia e supervisão humana criteriosa para evitar prejuízos irreversíveis.
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Os principais riscos incluem a apresentação de citações falsas, jurisprudência inexistente, incoerências em documentos jurídicos e possíveis danos aos clientes, que podem resultar em sanções disciplinares para os advogados.
Tribunais têm aplicado multas, advertências formais e processos disciplinares contra advogados que apresentaram documentos gerados por IA sem checagem, destacando a importância da responsabilidade e revisão humana.
A ABA recomenda que advogados usem IA para tarefas repetitivas, porém exijam uma revisão criteriosa de todo conteúdo gerado antes de sua submissão judicial para evitar erros e manter a ética profissional.
Porque evita erros e fraudes potencialmente prejudiciais aos clientes e à reputação dos advogados, garantindo que o material submetido cumpra os padrões éticos e legais exigidos pela profissão.
Investindo em treinamento ético sobre o uso de IA, implementando processos rigorosos de revisão e acompanhando as normativas de entidades reguladoras para equilibrar tecnologia e responsabilidade.