Um levantamento recente trouxe à tona que grande parte dos brasileiros que decidiram empreender afirma preferir a estabilidade proporcionada pelos empregos formais. De acordo com dados publicados no fim de 2025, 56% dos autônomos que já trabalharam como CLT garantem: voltariam para o regime de carteira assinada sem hesitar, caso tivessem essa possibilidade. Essa revelação surpreende e expõe uma série de contradições no mercado de trabalho atual.
Ao longo deste artigo, você entenderá os motivos por trás da crescente insatisfação entre empreendedores, os fatores que afastam os profissionais dos postos formais e as consequências dessa movimentação no cenário econômico brasileiro. Continue lendo para conferir os principais pontos dessa pesquisa e as tendências para o mercado de trabalho brasileiro em 2025.
O que você vai ler neste artigo:
Nos últimos anos, ser empreendedor deixou de ser apenas uma necessidade para se transformar em um status. Termos como “negócio próprio” e “liberdade financeira” pipocam nas redes sociais, estimulando o desejo por autonomia. Entretanto, a mais recente pesquisa da CUT evidencia que, apesar da popularidade do empreendedorismo, boa parte dos autônomos anseia pelas vantagens do emprego tradicional, como benefícios garantidos e previsibilidade salarial.
Segundo o levantamento, flexibilidade de horário, possibilidade de ser o próprio chefe e busca por realização pessoal estão entre os principais motivos citados para empreender. Por outro lado, o desafio da remuneração instável, jornadas exaustivas e falta de direitos sociais pesam na decisão de muitos que, se pudessem, retornariam ao modelo formal.
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Enquanto 53,4% dos brasileiros acreditam que o desejo nacional é ser empreendedor, 56% dos autônomos com experiência anterior em postos formais manifestam interesse claro em voltar para a carteira assinada. O principal impeditivo hoje para o trabalho formal é a insatisfação com salário (44,5%) e as altas exigências de qualificação (38,7%), além da oferta escassa de vagas de qualidade.
A informalidade, que hoje atinge cerca de 38% dos profissionais ocupados, aumenta a sensação de insegurança. Muitas vezes, escolher trabalhar por conta própria é uma alternativa obrigatória diante das dificuldades do mercado e da falta de oportunidades formais, fenômeno apontado como “empreendedorismo por necessidade”.
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A pesquisa também identificou interessantes contradições: enquanto 40,9% dos profissionais empregados com carteira assinada expressaram o desejo de empreender, 30,9% dos autônomos ponderam voltar para o regime CLT. O conceito de empreendedorismo está tão disseminado que profissionais que atuam como ambulantes, cabeleireiros ou pedreiros se intitulam empreendedores, mesmo quando ainda carecem de garantias sociais e estabilidade.
Outro ponto trazido pelo estudo diz respeito aos impactos de longo prazo. Muitos trabalhadores que migraram para a informalidade não contribuem para a previdência, o que poderá gerar problemas futuros, inclusive rombos no sistema de aposentadorias.
De acordo com pesquisadores e sindicalistas, a força de trabalho menos escolarizada é a mais vulnerável às mudanças, frequentemente empurrada para a informalidade e para modelos frágeis de associação, como o MEI. Além disso, cresce a necessidade de regular o uso de regimes tributários específicos e proteger categorias em expansão, como entregadores e motoristas de aplicativo, que já começam a se organizar em sindicatos.
O mercado de trabalho brasileiro em 2025 caminha para transformações importantes. O movimento sindical e os órgãos públicos debatem novas formas de proteger quem opta pela autonomia, sem que isso signifique abrir mão de direitos essenciais e segurança para o futuro.
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A pesquisa revela uma realidade que desafia previsões simplistas: embora o discurso do empreendedorismo siga forte no imaginário nacional, a estabilidade proporcionada pela CLT ainda é altamente valorizada. Entender essas motivações e contradições é essencial para proteger o trabalhador brasileiro e propor soluções para o futuro do trabalho.
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O emprego formal oferece benefícios como estabilidade salarial, direitos trabalhistas garantidos, contribuição para a previdência e segurança em relação à jornada de trabalho.
Empreendedorismo por necessidade ocorre quando o trabalhador opta por atuar por conta própria devido à falta de vagas de emprego formal ou condições inadequadas no mercado tradicional.
A informalidade aumenta a insegurança dos trabalhadores, dificulta o acesso a direitos sociais e previdenciários, e pode comprometer o futuro financeiro desses profissionais.
Eles são mais vulneráveis à informalidade, enfrentam dificuldades de acesso a empregos qualificados e podem ser absorvidos por regimes precários, como o MEI, que nem sempre garantem proteção social completa.
Sindicatos podem organizar e proteger essas categorias, lutar por direitos específicos, negociar melhores condições e contribuir para a regulamentação de atividades autônomas e digitais.