No dia primeiro de julho de 1994, o Brasil entrou oficialmente na era do Real. Com a nova moeda, o país sepultou os longos períodos inflacionários. A influência dos 30 anos do Real no mercado de seguros é o tema da entrevista com o coordenador acadêmico e professor da Escola de Negócios e Seguros, Luiz Macoto Sakamoto.
O que você vai ler neste artigo:
O Plano Real teve o grande mérito de trazer estabilidade. O desenvolvimento do setor de seguros é atrelado à economia. Se a economia vai bem, o segmento tende a crescer e foi isso o que aconteceu nos últimos 30 anos.
Avaliando pela perspectiva histórica, o mérito do Plano Real foi perceber o fenômeno da inflação inercial. Os preços aumentavam em função da perspectiva da inflação futura. Os idealizadores do Plano compreenderam que a inflação iria cair se ocorresse a implantação de uma nova moeda sem os efeitos da inflação inercial. Nos planos anteriores, a simples troca de moeda não trouxe estabilidade porque os fundamentos econômicos não estavam firmes.
Existia tarifas padronizadas naquela época. A competição não se dava pelo produto, mas sim na área comercial. Em época de hiperinflação, as seguradoras eram investidoras institucionais. As provisões eram aplicadas no mercado financeiro. Assim, esses ganhos aplacavam o resultado operacional. Atualmente, o resultado das companhias vem dos produtos.
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Se o índice de participação do mercado de seguros no Produto Interno Bruto de um país é baixo, significa que o segmento não é desenvolvido naquela economia. A produção do mercado de seguros no Brasil em 2023 totalizou R$ 669 bilhões. Isto representa 6,2% do PIB brasileiro. No início do Plano Real, essa participação era de 1,3%. Na comparação com economias mais desenvolvidas, estamos abaixo do índice de participação no PIB.
Quando a CNseg lança um desafio desse porte, de chegar a 10% do PIB, trata-se de uma aposta no desenvolvimento da economia, estabilidade e modernização do setor. A média per capita de arrecadação de seguros no País está em torno de R$ 3 mil. É um número baixo se fizermos uma comparação com economias de outros países.
No Brasil, o produto seguro é uma mercadoria consumida pelas classes A e B e com pouca penetração na classe C e D. O que está se procurando é elaborar produtos que sejam adquiridos por estas classes. O auxílio funeral se encaixa nesta proposta.
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O Plano Real trouxe estabilidade econômica, permitindo que o setor de seguros crescesse de forma sustentável ao longo dos últimos 30 anos.
Em 1994, a participação do mercado de seguros no PIB era de 1,3%. Em 2023, essa participação aumentou para 6,2%.
Os desafios incluem aumentar a penetração dos seguros nas classes C e D, desenvolver novos produtos e alcançar uma participação de 10% no PIB.
Antes do Plano Real, as seguradoras dependiam dos ganhos financeiros das provisões aplicadas no mercado, devido à hiperinflação.
A CNseg aposta no desenvolvimento econômico, estabilidade e modernização do setor para alcançar uma participação de 10% no PIB.