Empresas do setor de energia renovável enfrentam um desafio inédito no Brasil: cortes obrigatórios de geração de energia solar e eólica, impostos pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) para evitar apagões. Em 2025, essa prática já levou à suspensão de investimentos bilionários e ameaça o futuro da matriz energética limpa do país. Companhias alertam para prejuízos crescentes e incertezas que podem, inclusive, pesar no bolso dos consumidores, com possíveis aumentos nas tarifas nos próximos anos.
Neste artigo, entenda o que está acontecendo, como esses cortes afetam empresas e consumidores e o que governo, especialistas e o setor privado apontam como possíveis caminhos para superar o dilema energético brasileiro.
O que você vai ler neste artigo:
O avanço acelerado da energia solar e eólica no Brasil trouxe consigo uma situação inesperada: em momentos de excesso de oferta e limitações técnicas no sistema elétrico, a ONS determina reduções forçadas, conhecidas como curtailments. Só em 2025, cerca de 18,5% da geração potencial dessas fontes foi descartada, um salto de 230% em relação a todo o ano anterior.
A razão principal está no desequilíbrio entre oferta e demanda. Em horários de baixa demanda por eletricidade — especialmente entre 9h e 16h e aos fins de semana — o SIN (Sistema Interligado Nacional) não consegue absorver toda a produção renovável. Como hidrelétricas e termelétricas não podem ser desligadas rapidamente por questões técnicas, as usinas eólicas e solares são as primeiras a serem cortadas.
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O impacto tem sido direto e profundo. Segundo associações do setor como a Absolar e a Abeeólica, as perdas financeiras acumuladas pelos cortes em 2024 e 2025 já superam R$ 6,6 bilhões. Só em 2025, até setembro, os prejuízos já somavam R$ 3,8 bilhões. Relatórios indicam corte de até 26,4% da geração eólica e solar em alguns meses, inviabilizando contratos de longo prazo e afastando financiadores.
Empresas como a Atlas e a Rio Energy admitiram a suspensão de projetos que, somados, poderiam ultrapassar R$ 30 bilhões em investimentos. Pequenos e grandes empreendimentos relataram cortes que chegam a 70% da produção em usinas recentes. Como consequência, houve cancelamentos de audiências públicas e paralisação de obras, afetando empregos e o desenvolvimento regional.
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Os efeitos desse quadro podem ser sentidos por toda a sociedade. A penalização financeira das geradoras cria incertezas que elevam os custos da energia a médio e longo prazo. Empresas que consomem eletricidade renovável, como grandes indústrias e exportadoras, já expressam preocupação com o aumento das tarifas e a perda de competitividade global.
Outro ponto sensível é a discussão sobre o repasse desses prejuízos aos consumidores nas contas de luz. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) avalia pedidos do setor para ratear as perdas financeiras, mas ainda não há uma decisão definida. Distribuidoras temem que aumentos tarifários impactem toda a economia, enquanto associações defendem ressarcimento para manter a viabilidade dos projetos renováveis.
Diante da crise, especialistas e representantes do governo sugerem estratégias para reequilibrar o sistema. Entre as principais propostas, destacam-se:
Nesse contexto, o Ministério de Minas e Energia anunciou grupos de trabalho e priorizou obras de expansão, enquanto o Congresso discute alternativas legislativas para mitigar os cortes obrigatórios. A urgência por soluções é ampla, já que a transição para energia 100% limpa depende de um sistema elétrico mais flexível e robusto.
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O aumento dos cortes obrigatórios de energia solar e eólica em 2025 evidencia um paradoxo na matriz brasileira: mesmo com oferta e capacidade de gerar mais energia limpa, o país enfrenta entraves operacionais e regulatórios que travam novos investimentos, oneram empresas e ameaçam a competitividade da economia. Investimentos em transmissão, armazenamento e inovação regulatória são agora o centro das atenções para dar conta do desenvolvimento sustentável do setor elétrico.
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Os principais desafios incluem a limitação da capacidade do sistema elétrico para absorver a energia gerada nos horários de baixa demanda e a rigidez na operação das hidrelétricas e termelétricas, que não podem ser desligadas rapidamente, obrigando cortes nas fontes solar e eólica.
A ampliação das linhas de transmissão permite transportar o excedente de energia gerada em regiões produtoras, como o Nordeste, para regiões consumidoras, como o Sudeste, facilitando o equilíbrio entre oferta e demanda e reduzindo a necessidade de cortes.
Os sistemas de armazenamento, como baterias inteligentes, armazenam o excedente de energia gerada nos períodos de baixa demanda e a liberam nos picos, ajudando a equilibrar o sistema elétrico e diminuindo a necessidade de cortes forçados.
Essas usinas possuem limitações técnicas que impedem desligamentos rápidos ou frequentes, pois podem comprometer a estabilidade do sistema elétrico, por isso as fontes renováveis são priorizadas para cortes em situações de excesso de oferta.
Os prejuízos financeiros causados pelos cortes podem elevar os custos das empresas geradoras, que podem repassar esses aumentos para as tarifas. Isso pode resultar em contas de luz mais caras para os consumidores.