O volume de investimentos chineses no Brasil alcançou uma marca histórica em 2024, somando US$ 4,18 bilhões, de acordo com um levantamento do Centro Empresarial Brasil-China (CEBC). O crescimento expressivo de 113% em relação a 2023 consolida o Brasil como um dos destinos prediletos do capital chinês fora da Ásia, superando o desempenho registrado desde 2021 e atraindo atenção de setores estratégicos.
O relatório, divulgado nesta quinta-feira (4), destaca também a mudança de cenário no fluxo global de investimentos da China, enquanto outros países da região, como os Estados Unidos e vizinhos latino-americanos, registraram queda ou estagnação dos aportes. Descubra abaixo os setores que mais receberam recursos, os motivos por trás desse avanço e o impacto no ambiente econômico brasileiro.
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O levantamento do CEBC mostra que, impulsionado por grandes projetos, o investimento chinês no Brasil cresceu mais de duas vezes em apenas um ano. Enquanto em 2023 o volume foi de US$ 1,96 bilhão, o salto para US$ 4,18 bilhões em 2024 representa não só uma recuperação, mas um avanço acima da média global dos investimentos chineses.
Segundo o diretor de pesquisas do CEBC, Tulio Cariello, o ambiente favorável criado por oportunidades de negócio e segurança jurídica teve peso crucial para o apetite de investidores chineses. Para ele, embora uma política externa amistosa — especialmente sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — ajude a aproximar os países, o principal é a confiança no mercado brasileiro.
É importante ressaltar que o CEBC registra os principais anúncios de investimento, focando nos projetos efetivamente realizados e em empresas de capital chinês, independentemente da origem da transferência de recursos.
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Parte significativa do investimento chinês em 2024 foi direcionada ao setor de energia, especialmente em energia eólica e solar, com US$ 1,43 bilhão movimentados — o que corresponde a 34% do total e um aumento de 115% em relação ao ano anterior. Segundo especialistas, esse interesse reflete tanto o potencial do país para geração de energia limpa, quanto a maturidade das empresas chinesas já instaladas aqui.
Além da energia, o setor automobilístico também despontou, captando US$ 575 milhões e consolidando-se como a terceira maior área de investimento. Esse movimento ocorre em meio à chegada de grandes montadoras chinesas ao país, que apostam em veículos híbridos e elétricos para o mercado brasileiro. Outros segmentos, como mineração e agricultura tecnológica, também registraram aportes relevantes.
O contraste entre a alta de investimentos no Brasil e a contração observada em outras potências chama atenção. Conforme dados do China Global Investment Tracker (CGIT), os valores aplicados nos Estados Unidos em 2024 caíram 11%, para US$ 2,23 bilhões. Na América Latina, sem contar o Brasil, foi registrada uma redução de 8,4%.
Na tabela de destinos globais, apenas o Reino Unido captou valor superior ao Brasil, com US$ 4,6 bilhões. No entanto, o monitor do CGIT considera apenas projetos acima de US$ 100 milhões, o que subestima o real volume de investimentos em terras brasileiras segundo o CEBC.
| Destino | Investimento Chinês em 2024 (US$ bi) |
|---|---|
| Reino Unido | 4,6 |
| Brasil | 4,18 |
| Estados Unidos | 2,23 |
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O fluxo recorde reforça o Brasil como destino seguro e estratégico para o capital chinês, tendência que deve prosseguir diante do interesse contínuo em setores essenciais da economia brasileira.
A força dos investimentos chineses no Brasil em 2024 reafirma a confiança no mercado nacional e destaca oportunidades relevantes em energia e indústria. Com a economia aquecida e as relações diplomáticas fortalecidas, o cenário é favorável para a chegada de novos projetos e tecnologias. Se você curte acompanhar notícias de economia e investimentos, não deixe de se inscrever em nossa newsletter e receba as principais atualizações diretamente no seu e-mail.
O Centro Empresarial Brasil-China (CEBC) monitora e divulga projetos efetivamente realizados por empresas de capital chinês no Brasil, fornecendo dados sobre fluxos de investimento.
A combinação de potencial para geração de energia limpa e a maturidade de empresas chinesas instaladas no Brasil tornou eólica e solar altamente atrativas.
Eles geram empregos, estimulam a transferência de tecnologia e fortalecem setores estratégicos, além de melhorar a balança comercial e a infraestrutura.
Riscos incluem mudanças na política interna, instabilidade regulatória e tensões diplomáticas que possam alterar a segurança jurídica e a confiança dos investidores.
Em 2024, o Brasil foi o segundo maior receptor de recursos chineses fora da Ásia, atrás apenas do Reino Unido, superando Estados Unidos e demais países.
Espera-se expansão em tecnologia limpa, mobilidade elétrica e setores ligados à digitalização, com foco em parcerias de longo prazo e inovação.