Uma médica perita do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) foi denunciada à polícia e ao Conselho Federal de Medicina (CFM) por supostamente agredir uma criança autista, de 8 anos, em uma das unidades do órgão em Curitiba (PR). O caso aconteceu na última segunda-feira (1º) em meio a uma consulta na unidade Visconde de Guarapuava.
O que você vai ler neste artigo:
À Banda B, a avó do menino afirmou que o incidente ocorreu após ele ficar agitado e irritado com a demora no atendimento. A consulta estava marcada para ocorrer às 13h40, mas a criança só foi atendida por volta das 15h. Durante a espera, alguns seguranças do INSS teriam ajudado a avó a acalmar o neto.
Leia também: Mais de 600 famílias de Cruzeiro do Sul que estavam na fila de espera são aprovadas para receber o Bolsa Família
O menino foi diagnosticado com Transtornos do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD) e Transtornos de Conduta Emocional (F92). A consulta agendada tinha como objetivo obter o Benefício de Prestação Continuada (BPC), auxílio prestado pelo INSS para pessoas com deficiência e idosos.
‘Mas ele [menino] não queria falar com ninguém. Quando passamos pela salinha para ir para a perícia, ele já tinha tirado todos os controles dele e estava ao extremo… Dava soco nele, me empurrava, queria sair correndo e começou a gritar e xingar’, narrou Floraci Fernandes, que tem a guarda unilateral do neto.
No início da consulta, contudo, a médica teria mandado o garoto ‘calar a boca’, ao que ele reagiu. ‘Ele respondeu para a perita que ela não mandava nele. Ela disse: ‘Vai gritar com a sua mãe’. Ele começou a dar soco no acrílico que separa a perita do paciente. Ela se levantou da cadeira, o segurou pelas costas e o apertou. Todo mundo sabe que autista não suporta toque’, prosseguiu a avó.
Após supostamente apertar as costas do menino, ele teria mordido a mão direita da médica. Ela, então, deu um tapa na cabeça dele, segundo Floraci: ‘Nisso, ela deu um tapa na cabeça dele e eu só escutei o estalo. Ela abriu uma portinha e disse que ia prender ele. Ela tentou arrastar ele e chamou os seguranças para retirá-lo da sala. Ela se recusou a atender a criança e ainda deu um tapa na cabeça dele.’
Emocionada durante a conversa com a reportagem, Floraci disse estar ‘indignada’ com as atitudes da médica, que deveria, segundo ela, ‘ter paciência’. ‘Eu ainda não consigo acreditar que uma perita fez isso. Eu não estava ali para brincadeira’, disse, chorando.
Segundo o boletim de ocorrência ao qual a Banda B teve acesso, o menino confirmou aos policiais ter sido atingido pelo tapa. Quando a Polícia Militar (PM) chegou ao INSS, a médica já havia ido embora. Todo o episódio teria sido registrado pela própria perita no livro de ocorrências do órgão.
Nele, a médica relatou que o menino entrou na sala ‘alterado e falando palavrões’. Disse também que pediu à criança que ela se acalmasse. No entanto, o menino teria ‘pulado’ sobre ela e mordido sua mão. Por reflexo, segurou e bateu no braço dele, que se ajoelhou e se debateu.
Leia também: Seguro de Pessoas Cresce, Mas Ainda Está Aquém do Seu Potencial
Além de ter denunciado o caso à Polícia Civil e ao CFM, a avó disse ter levado o caso à Defensoria Pública da União (DPU). Em nota, a Polícia Civil informou que instaurou um procedimento para apurar o caso e que a médica será ouvida nos próximos dias.
Procurada pela Banda B, a Perícia Médica Federal do Ministério da Previdência Social (MPS) lamentou o ocorrido e disse que a conduta da médica descumpre as normas do órgão. ‘A situação narrada descumpre as normas estabelecidas para o atendimento. Solicitamos que a mãe da criança faça uma denúncia junto à Ouvidoria do MPS e informamos que os fatos serão apurados’, diz trecho da nota.
Já o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) afirmou que está apurando a denúncia recebida sobre o caso e que irá instaurar uma sindicância, que deverá tramitar sob sigilo.
Se você gostou deste conteúdo e quer ficar por dentro de mais notícias como esta, inscreva-se em nossa newsletter!
Durante a consulta, a médica perita supostamente agrediu uma criança autista de 8 anos após ele ficar agitado devido à demora no atendimento.
O menino foi diagnosticado com Transtornos do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD) e Transtornos de Conduta Emocional (F92).
A avó afirmou que o neto estava agitado, dando socos, empurrando e gritando, o que levou a médica a reagir de forma inadequada.
A médica teria mandado o garoto ‘calar a boca’ e, após ele morder sua mão, ela deu um tapa na cabeça dele e chamou os seguranças.
A avó denunciou o caso à Polícia Civil, ao Conselho Federal de Medicina (CFM) e à Defensoria Pública da União (DPU). A Polícia Civil está investigando o caso.