O teto de juros para o crédito consignado privado e a contratação exclusiva pelo eSocial podem frear a expansão dessa modalidade de empréstimo, de acordo com o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha. Essa análise vem em um momento em que o banco projeta mudanças significativas no cenário econômico brasileiro para os próximos anos.
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A proposta do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de permitir que trabalhadores com carteira assinada tenham acesso ao crédito consignado, gera expectativas e preocupações. Noronha acredita que, para ser eficaz, essa modalidade deve estar disponível também através dos canais próprios dos bancos, além do eSocial.
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No final de janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com os principais bancos do país para discutir possíveis mudanças no crédito consignado do setor privado. O Secretário de Reformas Econômicas da Fazenda, Marcos Pinto, revelou uma proposta para usar recursos do FGTS como garantia no consignado para funcionários do setor privado.
Os economistas do Bradesco preveem que a taxa Selic alcance 14,75% ao final de 2025. Embora o cenário possa ser mais favorável, o banco não descarta desafios econômicos. Noronha também comentou sobre a valorização do dólar, que chegou a R$ 6,20 no fim do ano passado, afastando a hipótese de um ataque especulativo.
Para 2025, o Bradesco projeta um cenário econômico mais desafiador, especialmente para empresas. No entanto, a inadimplência deve permanecer controlada. O banco prevê um crescimento da oferta de crédito entre 4% e 8%, abaixo da previsão de 7% a 11% para 2024. No ano anterior, esse indicador avançou 11,9%.
O Bradesco estima que o IPCA, índice oficial de inflação, alcance 5,7% no final do ano, superando o teto da meta. Analistas apontam que o impacto da alta dos preços será mais acentuado na primeira metade do ano, afetando o orçamento das famílias.
O executivo do Bradesco destacou que o preço das carnes deve continuar elevado em 2025 e 2026, reflexo do choque de preços do ano anterior. A arroba do boi, por exemplo, teve um aumento de 20,8% em 2024, segundo o IBGE, após uma queda de 9,3% em 2023.
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Em 2024, o Bradesco registrou um lucro líquido recorrente de R$ 19,6 bilhões, um aumento de 20% em relação ao ano anterior. Esse crescimento foi impulsionado pela expansão da carteira de crédito, que cresceu 11,9%, especialmente entre pequenas e médias empresas e pessoas físicas. O banco também aumentou sua base de clientes em 2,1 milhões.
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O teto de juros é importante porque limita a taxa máxima que pode ser cobrada, tornando o crédito mais acessível e previsível para os consumidores.
O eSocial centraliza e facilita a gestão de informações trabalhistas, mas a exclusividade na contratação pode limitar o acesso aos canais próprios dos bancos.
O Bradesco prevê um cenário desafiador com crescimento controlado da oferta de crédito e uma inflação que pode superar o teto da meta.
O preço das carnes deve continuar elevado devido ao choque de preços anterior, que impactou o custo da arroba do boi, entre outros fatores.
Em 2024, o Bradesco teve um lucro líquido recorrente de R$ 19,6 bilhões, um aumento de 20% em relação ao ano anterior, impulsionado pela expansão da carteira de crédito.