A trajetória do seguro rural no Brasil é marcada por avanços esporádicos e muitos retrocessos ao longo de 147 anos. Apesar de ser uma potência agrícola, o Brasil ainda não conseguiu estruturar uma política de gestão de riscos à altura de sua agricultura. Enquanto outros países transformaram o seguro rural em uma política de Estado sólida e eficaz, o Brasil ainda enfrenta desafios significativos nesse setor.
O que você vai ler neste artigo:
A Embrapa, desde 1996, tem sido uma exceção honrosa no Brasil. Ela desenvolveu o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), uma ferramenta científica que ajuda a identificar onde e quando plantar com base em dados climáticos. Essa iniciativa reduz perdas e aumenta a previsibilidade produtiva, mas ainda não foi transformada em uma política de Estado abrangente.
Leia também: Corretora não responde por atraso de imóvel, decide STJ
Leia também: INSS inicia pagamento de benefícios de outubro nesta segunda (27)
Na Espanha, o sistema de seguros agropecuários é gerido pela Agroseguro, cobrindo produções agrícolas, pecuárias, florestais e aquícolas. Com 44 linhas de seguro, o programa movimenta cerca de € 350 milhões anuais em subvenções públicas, tornando o sistema previsível e confiável.
O programa federal de seguro agrícola nos Estados Unidos cobre cerca de 89% da área plantada de grandes culturas, com subsídios anuais superiores a US$ 12 bilhões. Lá, o seguro é visto como um investimento estratégico em estabilidade.
Iniciando seus programas em 2007, a China rapidamente se tornou o maior mercado de seguro agrícola do mundo, com cobertura acima de 70% em algumas regiões. Esse crescimento foi impulsionado por tecnologia, resseguro estatal e uma sólida articulação entre governo e setor privado.
O modelo TARSİM na Turquia combina regulação estatal e operação privada, oferecendo cobertura para culturas, estufas e aquicultura. O sistema é ágil nas indenizações e conta com apoio formal do Estado.
Países como Chile, Peru e Colômbia estruturaram fundos garantidores nacionais, permitindo que pequenos e médios produtores tenham acesso ao seguro com apoio técnico. Na Austrália, diversas iniciativas de mitigação de riscos são integradas, mesmo sem um fundo estatal-privado exclusivo.
Essas experiências internacionais têm em comum o fato de o seguro rural ser tratado como política de Estado, coordenado e profundamente integrado ao sistema de crédito e tecnologia.
Leia também: Macapá abre seleção para entrevistadores sociais do CadÚnico e Bolsa Família
Enquanto isso, no Brasil, a situação atual é preocupante, resultado de falhas estruturais e políticas insuficientes. O próximo artigo desta série irá analisar as consequências dessa trajetória, com dados atualizados. Não perca!
*Pedro Loyola é consultor em gestão de riscos agropecuários e financiamento sustentável e coordenador executivo do Observatório do Seguro Rural da FGV Agro.
A Embrapa desenvolveu o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que ajuda a identificar onde e quando plantar, reduzindo perdas e aumentando a previsibilidade produtiva.
Nos EUA, o seguro agrícola cobre cerca de 89% da área plantada de grandes culturas, com subsídios anuais superiores a US$ 12 bilhões, sendo visto como um investimento estratégico em estabilidade.
O Brasil enfrenta falhas estruturais e políticas insuficientes, além de não ter uma política de gestão de riscos integrada ao sistema de crédito e tecnologia.
A China iniciou seus programas em 2007 e rapidamente se tornou o maior mercado de seguro agrícola do mundo, com cobertura acima de 70% em algumas regiões, impulsionada por tecnologia e resseguro estatal.
Países como Chile, Peru e Colômbia estruturaram fundos garantidores nacionais, permitindo que pequenos e médios produtores tenham acesso ao seguro com apoio técnico.