A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apura irregularidades no INSS precisou ser interrompida nesta segunda-feira, 13 de outubro de 2025, após um acalorado desentendimento entre o ex-presidente da autarquia, Alessandro Stefanutto, e o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). O embate expôs a tensão nos bastidores da investigação e trouxe à tona divergências sobre a condução das perguntas durante o depoimento.
Entenda, ao longo deste texto, como a troca de farpas alterou o rumo da sessão, quais os pontos de maior discordância e as justificativas dadas pelo ex-presidente do INSS. A seguir, veja detalhes sobre os bastidores e as consequências da suspensão do depoimento, além do histórico de gestão de Stefanutto e os temas polêmicos debatidos na comissão.
O que você vai ler neste artigo:
A sessão da CPI do INSS, que ouviria explicações de Alessandro Stefanutto sobre supostas irregularidades, foi marcada por confronto entre o depoente e o relator. Após ser questionado a respeito de reportagens com denúncias não confirmadas formalmente, Stefanutto acusou o deputado Gaspar de desrespeito, exigindo respeito em voz alta e gesticulando, situação que gerou alvoroço entre os parlamentares e pedidos por desacato.
Para evitar a escalada do conflito e garantir a continuidade dos trabalhos, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), decidiu suspender temporariamente a reunião. Apesar da pressão de opositores, não houve aceitação do pedido de prisão feito pela bancada de oposição, liderada pelo deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS).
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No início da oitiva, Alessandro Stefanutto afirmou que só responderia perguntas que considerasse respeitosas, hesitando, inclusive, em aceitar questionamentos de Alfredo Gaspar. Após intervenção do presidente da CPI, acabou colaborando, mas manteve críticas à postura do relator.
O ex-presidente relatou ter sido nomeado em julho de 2023, após integrar a equipe de transição do governo Lula. Segundo ele, o convite teria partido do ministro da Previdência, Carlos Lupi, a quem Stefanutto disse não conhecer previamente. O depoente destacou que sua saída do cargo resultou de determinação judicial, não de decisão política.
Durante o depoimento, Stefanutto defendeu as mudanças implantadas em sua gestão, incluindo o programa Atestmed. O sistema permite análise e concessão de benefício por incapacidade utilizando atestados médicos, medida que, segundo ele, reduziu a espera para concessão do auxílio. “Derrubamos para 14 dias a espera do benefício por incapacidade. Era mais barato e eficiente”, afirmou.
O ex-presidente comentou ainda que manteve toda a equipe de diretores da autarquia ao assumir o comando, demonstrando continuidade administrativa e defendendo a lisura dos procedimentos internos do INSS durante seu mandato.
A orientação da defesa de Stefanutto era não responder ao relator, alegando pré-julgamento por parte do parlamentar. O clima na comissão ficou tenso diante das constantes acusações, culminando com a suspensão do depoimento. Após o intervalo, Stefanutto reconheceu o excesso e apresentou pedido público de desculpas ao relator, o que permitiu o recomeço da oitiva — mas o clima de animosidade permaneceu evidente.
A repercussão desse episódio já provoca debates sobre a condução das CPIs e os limites entre o papel dos depoentes e o dever dos parlamentares em buscar esclarecimentos, sem ultrapassar o respeito institucional.
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A discussão acalorada protagonizada por Alessandro Stefanutto e o relator da CPI do INSS demonstra os desafios de conduzir investigações parlamentares em ambientes marcados por polarização e pressões políticas. O tema principal desta sessão reforça a necessidade de diálogo respeitoso para o esclarecimento de possíveis irregularidades envolvendo a gestão previdenciária federal.
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O presidente da CPI tem a função de mediar os conflitos, garantir o respeito entre os participantes e pode suspender a sessão para evitar escaladas de conflito, assegurando a continuidade dos trabalhos.
Os deputados e depoentes devem seguir regras de conduta, evitando acusações pessoais e mantendo o diálogo baseado em fatos, além da intervenção do presidente da comissão para controlar excessos.
O depoente pode escolher não responder perguntas que considere desrespeitosas, mas a comissão pode deliberar para garantir que os esclarecimentos essenciais sejam dados dentro das normas da investigação.
A CPI pode revelar irregularidades, incentivar maior transparência, aprimorar processos administrativos e responsabilizar gestores por práticas inadequadas, influenciando melhorias na administração pública.
A colaboração é fundamental para o bom andamento das investigações, permitindo esclarecimentos claros e objetivos, além de evitar conflitos que possam atrasar ou prejudicar a apuração dos fatos.