O Itaú Unibanco, um dos maiores bancos do Brasil, realizou nesta semana uma série de demissões de funcionários que atuavam em regime de home office. O motivo oficial alegado foi a suposta baixa produtividade dos colaboradores, com base em controles digitais rígidos sobre o tempo de tela e outros indicadores de atividade. O caso trouxe à tona dúvidas sobre transparência, limites do monitoramento laboral e o impacto dessas práticas na rotina dos bancários.
Apesar de o Itaú não divulgar números exatos, o sindicato dos bancários estima que ao menos 1.000 pessoas foram desligadas. As demissões ocorrem em meio a discussões sobre o modelo de trabalho remoto, adotado pelo banco desde 2022, e colocam em evidência o uso de métricas digitais para avaliação de desempenho.
Veja, a seguir, os detalhes dos cortes, como funciona o controle digital dos colaboradores e o posicionamento dos envolvidos.
O que você vai ler neste artigo:
Com o avanço das modalidades de trabalho remoto, grandes empresas como o Itaú passaram a adotar ferramentas para mensurar engajamento e produtividade. No caso do banco, métricas como movimentação de mouse, uso de teclado, participação em videochamadas, envio de mensagens corporativas e acesso a sistemas internos fazem parte do pacote de monitoramento.
Segundo relatos de funcionários dispensados, contudo, a transparência sobre esses critérios sempre foi limitada. Muitos descobriram apenas no momento da demissão que os detalhes de suas jornadas estavam sendo monitorados de forma tão rigorosa, o que gerou surpresa e frustração. “Já trabalhei em finais de semana e por mais de sete dias seguidos nos últimos meses, mas disseram que minha produtividade era baixa”, afirmou um ex-colaborador ao G1 sob anonimato.
Em resposta, o Itaú afirma que todo procedimento de controle está detalhado em políticas internas e acordos sindicais assinados pelos funcionários. O banco diz que não faz captação de telas, áudios ou vídeos, mas defende a necessidade de controle para garantir confiança entre empresa e quadro de colaboradores. O argumento é que aqueles que apresentam atividade digital inferior ao esperado estavam sistematicamente abaixo dos parâmetros estabelecidos.
Leia também: Polícia Federal investiga vazamento de dados no INSS e amplia combate a fraudes em 2025
Leia também: Novo seguro protege trabalhador CLT no consignado em caso de demissão em 2025
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região classificou as demissões como excessivas e questionou a legitimidade do uso do monitoramento digital como justificativa. Para a entidade, o corte em massa representa um retrocesso nas condições de trabalho, impõe pressão psicológica e pode afetar a saúde mental de quem permanece na empresa.
A principal crítica é à falta de transparência e de comunicação prévia, apontando ausência de feedback e dificuldades para que funcionários se defendam de acusações de baixa produtividade. Segundo dirigentes sindicais, o método adotado não é razoável e impõe vigilância excessiva sobre os trabalhadores.
Do ponto de vista legal, o controle da jornada é permitido, principalmente no home office. O advogado trabalhista Paulo Renato Fernandes da Silva, professor da FGV Direito Rio, lembra que o empregador tem o direito de fiscalizar o trabalho, mas recomenda clareza contratual sobre o que é monitorado e comunicação prévia de quaisquer mudanças.
Ele destaca que, apesar de a legislação prever que empresas podem demitir sem necessidade de justificativa, boas práticas recomendam diálogo e oportunidades de ajuste antes de um desligamento definitivo. No ambiente digital, a recomendação é que mecanismos de controle sejam acordados entre as partes e não promovam um clima de desconfiança exagerada.
O episódio envolvendo o banco Itaú expõe um dilema recorrente em tempos de trabalho remoto: como equilibrar autonomia e produtividade, garantindo um ambiente de trabalho saudável e respeitoso?
Leia também: Saiba quando será pago o BPC em setembro: veja datas e como consultar
As recentes demissões por suposta baixa produtividade em home office no Itaú reacenderam o debate sobre os limites do monitoramento digital e a importância da transparência nas relações trabalhistas. O episódio escancara a necessidade de aprimorar políticas internas e fortalecer o diálogo entre empresas, sindicatos e trabalhadores para evitar injustiças e preservar o equilíbrio entre desempenho e bem-estar dos funcionários.
Se você gostou deste conteúdo e quer acompanhar notícias importantes sobre mercado de trabalho, relações trabalhistas e tecnologia, inscreva-se em nossa newsletter e fique bem informado.
O monitoramento é permitido desde que seja transparente, previsto em contrato e respeite a privacidade do funcionário, evitando métodos invasivos como captação de imagens ou áudios sem consentimento.
Deve-se informar claramente quais métricas serão utilizadas, permitir o acesso dos colaboradores aos dados coletados e realizar diálogos regulares para ajustes e feedbacks sobre o desempenho.
Pode gerar estresse, ansiedade, sensação de desconfiança e perda de motivação, afetando a saúde mental e a produtividade no longo prazo.
Podem negociar políticas de controle transparentes, garantir a participação dos trabalhadores nas discussões e oferecer suporte jurídico e psicológico aos funcionários afetados.
Realizar comunicação prévia, oferecer feedbacks constantes, aplicar planos de melhoria e possibilitar que o funcionário apresente sua defesa antes do desligamento.