O mercado de delivery de refeições vive um momento de tensão no Brasil com a chegada da Keeta, marca global do grupo chinês Meituan. Mesmo antes do início oficial das operações no país, previsto para novembro, a Keeta já protagoniza uma disputa judicial com a 99Food, serviço de entrega da também chinesa Didi Chuxing. O impasse envolve denúncias de práticas anticoncorrenciais e estratégias de marketing digital agressivas, acirrando a rivalidade entre gigantes do setor e colocando em xeque o ambiente de livre concorrência no segmento de delivery.
Ao longo deste artigo, você vai entender os detalhes das ações movidas pela Keeta contra a 99Food, o impacto dessas disputas para o consumidor brasileiro e o cenário em que o iFood, grande líder do segmento, observa seus concorrentes travando uma batalha fora dos aplicativos. Continue lendo para saber o que está em jogo e quais são os próximos capítulos dessa novela judicial.
O que você vai ler neste artigo:
A primeira ofensiva da Keeta nos tribunais foi um processo protocolado em agosto na Justiça paulista. Documentos apresentados pelos advogados da empresa denunciam que a 99Food estaria condicionando pagamentos adiantados a redes de restaurantes à assinatura de acordos de exclusividade, impedindo, na prática, que esses estabelecimentos também firmem contratos com a Keeta. Segundo a acusação, tal prática não é exigida pelo iFood, líder com cerca de 80% de participação de mercado, e ameaça instaurar um duopólio no setor.
Os autos revelam ainda que mais de cem grandes redes teriam recebido ofertas da 99Food, em propostas que alcançam R$ 900 milhões, valor próximo ao aporte anunciado pela Didi para relançamento do serviço em 2025. A Keeta pede a suspensão imediata dessas cláusulas, tanto nas parcerias já firmadas quanto nos contratos futuros, alegando que isso é prejudicial à livre concorrência e à inovação na oferta de delivery no Brasil.
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Não bastassem as acusações referentes a práticas comerciais, um segundo processo atinge o cerne da presença digital das empresas. Neste caso, a Keeta sustenta que a 99Food estaria comprando palavras-chave no Google Ads, que remetem ao nome da rival, com o objetivo de eclipsar os resultados orgânicos da Keeta e angariar mais clientes em buscas feitas por consumidores na internet.
A Justiça determinou liminarmente que a 99Food interrompa o uso de termos ligados à Keeta em campanhas patrocinadas, sob pena de multa diária de R$ 20 mil, além de fixar indenização de R$ 100 mil por danos morais. A medida serve de alerta para empresas sobre os limites éticos e legais do marketing digital ao disputar mercado e visibilidade online.
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Enquanto iFood, Keeta e 99Food protagonizam esse embate, os investimentos continuam crescendo. O iFood, controlado pela Prosus, anunciou um compromisso de R$ 17 bilhões para o ciclo fiscal de abril de 2025 a março de 2026, elevando a aposta em tecnologia, expansão e melhorias nos serviços. Já o grupo Meituan, dono da Keeta, prevê um investimento de R$ 5,6 bilhões no Brasil ao longo dos próximos cinco anos, mirando não apenas a entrada, mas a consolidação no segmento.
Esse cenário reflete o interesse de grandes grupos chineses no mercado brasileiro, que já encanta investidores globais e mantém expectativa de crescimento à medida que novos players tentam conquistar espaço.
Para o consumidor, o aumento da disputa judicial entre as multinacionais pode significar, no curto prazo, menos opções de restaurantes em determinados aplicativos e mudanças em promoções e vantagens. Contudo, caso as ações resultem na derrubada das cláusulas de exclusividade, a tendência é de maior diversidade de escolhas e competitividade, o que pode beneficiar restaurantes parceiros e clientes em médio e longo prazo.
A expectativa é que decisões judiciais tragam mais clareza e regras do jogo bem definidas para todos os concorrentes, promovendo equilíbrio e inovação no setor de delivery de comida no Brasil.
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A batalha judicial entre Keeta e 99Food marca um novo capítulo na história do delivery nacional, expondo como a disputa por mercados estratégicos vai muito além do cardápio de ofertas e chega aos bastidores de tribunais e das plataformas digitais. O desfecho dessas ações poderá influenciar toda a estrutura do setor, definindo não só quem vai liderar, mas qual modelo será levado adiante no cenário brasileiro.
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A Keeta acusa a 99Food de impor cláusulas de exclusividade em contratos com redes de restaurantes e de usar palavras-chave do concorrente em campanhas de Google Ads, práticas que violariam a livre concorrência.
A Justiça determinou que a 99Food suspenda o uso de palavras-chave ligadas à Keeta, sob pena de multa diária de R$ 20 mil, e fixou indenização de R$ 100 mil por danos morais.
A liminar serve de alerta ao setor, definindo limites éticos e legais para estratégias de marketing digital e reforçando que disputas por visibilidade online devem respeitar normas de concorrência.
Aporte em tecnologia, logística e expansão de serviços aumenta a eficiência operacional, melhora a experiência do usuário e fortalece a posição das plataformas em um mercado altamente competitivo.
Ao coibir práticas anticoncorrenciais, as decisões podem abrir espaço para novas startups e modelos de negócio, incentivando o desenvolvimento de soluções mais variadas e competitivas.