A Casas Bahia fechou o segundo trimestre de 2025 com um prejuízo expressivo de R$ 555 milhões. O resultado chama atenção porque, no mesmo período do ano anterior, a empresa havia registrado um lucro de R$ 37 milhões. O desempenho negativo foi atribuído a fatores como o aumento da taxa de juros no Brasil e uma base de comparação distorcida por ganhos não recorrentes em 2024. Mesmo em meio a essa turbulência, a diretoria da varejista enxerga novas oportunidades no cenário internacional, especialmente diante das recentes tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a mercadorias brasileiras.
Ao longo deste artigo, você vai entender o impacto real dessa reviravolta financeira para os negócios da Casas Bahia, como a empresa está reagindo ao cenário macroeconômico atual e por que enxerga potencial de crescimento, mesmo diante das barreiras no comércio exterior. Descubra ainda detalhes sobre a reestruturação acionária e financeira promovida pela companhia. Continue a leitura para não perder nenhum detalhe.
O que você vai ler neste artigo:
O aumento significativo da taxa Selic no país impactou fortemente o balanço da Casas Bahia. O resultado financeiro negativo saltou para R$ 1,15 bilhão, uma diferença gritante em relação ao prejuízo de R$ 42 milhões visto no segundo trimestre de 2024. Segundo o diretor financeiro Elcio Ito, a taxa média de juros passou de 10,5% para 14,5% no período analisado, tornando mais caro o financiamento das operações e os custos de sua dívida.
Vale ressaltar que, no ano passado, a varejista foi beneficiada por um efeito contábil único: o reperfilamento da dívida. O movimento gerou um ganho extraordinário de R$ 637 milhões, distorcendo a base de comparação entre os trimestres. A ausência desse benefício em 2025 contribuiu para o cenário de queda no lucro.
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Apesar dos resultados negativos no último trimestre, a Casas Bahia teve desempenho operacional favorável em algumas frentes. A receita líquida subiu 6%, alcançando R$ 6,87 bilhões. Paralelamente, despesas gerais e administrativas mostraram disciplina de gestão e fecharam o período com queda de 2,9% (R$ 1,57 bilhão).
Outro destaque foi o bom momento do marketplace, cuja fatia no volume bruto de mercadorias (GMV) cresceu 16,2%. O segmento de vendas com estoque próprio avançou 6,1%. Nas lojas físicas, mesmo com o fechamento de 22 unidades em 2025 (total de 30 em 12 meses), o GMV bruto atingiu R$ 6,3 bilhões, alta de 5,8%. A venda nas mesmas lojas subiu 6,7%, indicando resiliência mesmo num ambiente desafiador para o varejo físico.
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O anúncio das tarifas de 50% dos EUA a produtos brasileiros mudou o tabuleiro para o varejo. Para a Casas Bahia, o cenário deve intensificar a concorrência de empresas asiáticas pelo mercado brasileiro, agora menos atraente para exportadores dos Estados Unidos. Segundo Ito, a movimentação pode beneficiar as grandes redes nacionais, pois fortalece a competitividade interna e oferece espaço para ampliação da atuação das brasileiras no segmento de eletroeletrônicos.
Esse contexto geopolítico, apesar de trazer incertezas, pode gerar vantagens para companhias bem posicionadas e adaptáveis, como é o caso da Casas Bahia.
Em meio à crise, a Casas Bahia apostou numa conversão de dívida que concedeu à Mapa Capital uma fatia relevante no controle da empresa: 85,5% das ações. A mudança promete dar continuidade ao plano de transformação iniciado nos últimos trimestres, sem mudanças bruscas na estratégia, segundo a diretoria.
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Além disso, o alongamento das dívidas para até 2027 e outras iniciativas já reduziram em 40% a dívida líquida da companhia, baixando a relação dívida líquida/Ebitda de 1,8 para 1,1. A expectativa é que essas medidas gerem um alívio de R$ 400 milhões no caixa nos próximos dois anos, proporcionando maior fôlego e previsibilidade para as operações.
Mesmo em um trimestre onde a palavra-chave foi “prejuízo”, a Casas Bahia conseguiu mostrar capacidade de adaptação e traçou rumos para contornar as adversidades econômicas. O mercado segue atento à retomada da empresa, especialmente diante das oportunidades geradas por mudanças no ambiente internacional e ajustes em sua estrutura financeira. Se você deseja acompanhar de perto os próximos passos da Casas Bahia e as novidades do setor varejista, faça parte da nossa comunidade: inscreva-se em nossa newsletter e fique sempre informado com conteúdos exclusivos.
O aumento da Selic de 10,5% para 14,5% elevou o custo do financiamento e da dívida da empresa, pressionando o resultado financeiro.
O marketplace cresceu 16,2% em GMV, ajudando a compensar perdas em outros segmentos e mostrando o potencial de diversificação.
Em 2024, o reperfilamento da dívida gerou um ganho extraordinário de R$637 milhões, inflando o lucro e distorcendo a base de comparação.
As tarifas de 50% sobre produtos brasileiros podem afastar importadores americanos, favorecendo o varejo nacional e fortalecendo a posição da Casas Bahia.
Com controle majoritário pela Mapa Capital, a empresa espera manter a estratégia de transformação, mas com maior estabilidade acionária.
O alongamento do prazo até 2027 e a conversão de dívida reduziram 40% do endividamento, baixando a relação dívida líquida/Ebitda de 1,8 para 1,1.