O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) identificou um grave esquema de fraude que desviou R$ 5,9 bilhões do Seguro-Defeso, benefício destinado à proteção dos pescadores artesanais durante o período de defeso, quando a pesca é proibida para garantir a reprodução das espécies. O rombo bilionário representa um dos maiores escândalos recentes envolvendo dinheiro público, afetando não apenas os cofres federais, mas também a credibilidade de programas sociais fundamentais no Brasil.
O caso escancarou pagamentos a milhares de ‘pescadores fantasmas’, sobretudo no Maranhão e no Pará, onde o número de beneficiários ultrapassa em muito a capacidade real de produção pesqueira. A seguir, confira detalhes do impacto dessas fraudes, a resposta das autoridades e as novas medidas para apertar o cerco contra irregularidades no Seguro-Defeso. Entenda o que muda para o setor de pesca e para a sociedade.
O que você vai ler neste artigo:
Lançado para garantir uma renda mínima a pescadores durante o período de reprodução dos peixes, o Seguro-Defeso acabou expondo fragilidades no sistema de cadastramento. Em pequenas cidades do Norte e Nordeste, o número de registros extrapola toda lógica: municípios com poucos milhares de habitantes apresentam, supostamente, milhares de trabalhadores vivendo da pesca – um quadro irreal diante da estrutura local e do volume real de pescado.
No Pará, cidades como Cametá registram cerca de 44 mil supostos pescadores – um terço da população. No Maranhão, 192 mil pessoas estão cadastradas como profissionais da pesca, mas a produção anual mal chega a 12 mil toneladas. O Amazonas conta com 104 mil pescadores registrados para uma produção de apenas 19 mil toneladas. A discrepância não é pontual; outros estados como Amapá e Tocantins também apresentam números fora do comum, deixando claro o desvio dos recursos públicos.
| Estado | Beneficiários | Produção (toneladas/ano) |
|---|---|---|
| Maranhão | 192 mil | 12 mil |
| Pará | 185 mil | 15 mil |
| Amazonas | 104 mil | 19 mil |
| Amapá | 27 mil | 2 mil |
| Tocantins | 23 mil | 1,5 mil |
Esses números reforçam suspeitas de fraudes generalizadas, com consequências sérias para as finanças públicas e para famílias que realmente dependem do recurso.
Leia também: Governo rebate acusações sobre beneficiários do Bolsa Família
Leia também: STJ Decide: Recusa do Credor Pode Impedir Troca de Penhora
Segundo o INSS, só em 2024 mais de R$ 5,9 bilhões foram canalizados para o pagamento do benefício – boa parcela desse valor com indícios de irregularidades. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) detectaram movimentação de milhões em entidades ligadas à pesca, envolvendo até mesmo autoridades locais. Um caso emblemático envolve o presidente da Federação dos Pescadores do Maranhão, Edson Cunha de Araújo, sob investigação da Polícia Federal após movimentar R$ 5,4 milhões entre 2023 e 2024. No Pará, o Ministério Público Federal denunciou irregularidades no cadastro de pescadores, com prejuízos mensais estimados em R$ 130 milhões somente naquele estado.
Outros esquemas incluem o uso indevido de senhas de servidores federais e repasses condicionados a intermediações suspeitas por parte de entidades representativas dos trabalhadores. A somatória dos desvios envolvidos na fraude do Seguro-Defeso evidencia um problema estrutural na fiscalização dos recursos públicos.
Como resposta à enxurrada de golpes, o governo federal passou a exigir a validação biométrica de todos os novos registros de pescadores a partir de janeiro. O objetivo é barrar cadastros com documentos falsos ou de pessoas inexistentes. Além disso, decreto oficializou a necessidade de homologação dos beneficiários pelas prefeituras, criando um filtro adicional para identificar e barrar fraudes locais. O Ministério da Pesca faz cruzamentos de dados com outros órgãos públicos, enquanto o Tribunal de Contas da União (TCU) conduz auditorias sigilosas para dimensionar o prejuízo total.
Leia também: Pé-de-Meia: confira as datas de pagamento do incentivo em julho de 2025
A expectativa é que tais medidas promovam um controle real e efetivo do Seguro-Defeso, direcionando a assistência apenas a quem de fato depende dela para sobreviver. A nova fiscalização coloca pressão sobre entidades representativas e servidores regionais, aumentando o risco para quem tentar fraudar o sistema.
O combate à fraude no Seguro-Defeso é urgente para garantir justiça social e racionalidade no uso do dinheiro público. A expectativa é que, com as novas regras, menos recursos escapem dos critérios legais e alcancem quem realmente vive da pesca artesanal. Se você quer se manter informado sobre políticas sociais, investigações e novas medidas de fiscalização do INSS, inscreva-se em nossa newsletter e fique por dentro dos próximos desdobramentos dessa pauta decisiva para o país.
É aquele cadastrado como pescador artesanal sem comprovar atividade ou produção, recebendo benefício de forma irregular.
Por meio de cruzamento de dados do COAF, auditorias do TCU, validação biométrica e conferência municipal de homologação.
Devolução dos valores recebidos, multa, bloqueio de novos benefícios e até responsabilização criminal pela Polícia Federal.
Impedindo cadastros com documentos falsos ou de pessoas inexistentes ao vincular a digital real do beneficiário ao pedido.
Devendo apresentar inscrição no INSS, comprovante de atividade pesqueira e passar pela homologação na prefeitura, além da biometria.