A partir de 2025, o Banco Central promete endurecer ainda mais o combate aos golpes via Pix com o lançamento de uma ferramenta moderna para rastrear transferências fraudulentas. O novo sistema, batizado de MED 2.0 (Mecanismo Especial de Devolução), permitirá ao órgão mapear o caminho do dinheiro em até cinco níveis de contas. Hoje, o rastreamento é limitado, o que dificulta a recuperação para quem sofre golpes virtuais. A mudança busca atender à crescente onda de tentativas de golpes no ambiente digital, tornando o sistema Pix e suas devoluções mais eficazes. Saiba a seguir como vão funcionar as novidades, o que muda na contestação e quais os desafios enfrentados pelo Banco Central.
Entenda como será possível acompanhar, em detalhes, o percurso das transferências suspeitas, quais bancos já oferecem facilidades de contestação e o que muda na transparência para quem foi vítima de fraude. Continue a leitura para ficar por dentro de todas as atualizações que podem proteger seu dinheiro.
O que você vai ler neste artigo:
Um dos maiores obstáculos no enfrentamento das fraudes do Pix é a pulverização rápida dos valores roubados entre diversas contas, dificultando o bloqueio e devolução. Com pouco mais de 31% dos pedidos de estorno aceitos e menos de 7% do valor total desviado recuperado desde o lançamento do sistema, o Banco Central identificou que o principal entrave era o limite do rastreio apenas até a primeira conta destinatária.
Com o MED 2.0, previsto para o primeiro trimestre de 2026, a autoridade monetária vai rastrear o dinheiro em até cinco transferências sucessivas. Assim, ficará muito mais difícil para criminosos se aproveitarem da velocidade do Pix para disfarçar o paradeiro do dinheiro roubado, ainda que usem contas de laranjas ou façam várias divisões do valor.
Desenvolver o MED 2.0 exigiu estudos profundos sobre o comportamento das quadrilhas e os limites técnicos para monitorar transações em tempo real de mais de 800 instituições financeiras conectadas ao Pix. A complexidade operacional e tecnológica é o fator que adiou o lançamento do sistema, com promessa de mudar o cenário em 2025.
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Enquanto o MED 2.0 não entra em vigor, já há novas medidas para facilitar a vida de quem precisa contestar um Pix fraudulento. Os bancos devem implementar, até 1º de outubro, uma função “autoatendimento” que permite ao consumidor abrir contestação direto pelo aplicativo. Anteriormente, a denúncia dependia da intermediação e avaliação inicial do próprio banco, processo que muitas vezes atrasava a análise e favorecia a dispersão dos valores pelos criminosos.
Bancos como o Bradesco já oferecem o recurso: o cliente acessa o extrato, seleciona a transação suspeita e pode iniciar a contestação do Pix com poucos cliques, informando o motivo e adicionando uma descrição do ocorrido. O sistema, então, orienta sobre etapas, prazo para resposta e possibilidade de documentação complementar — tudo 100% digital.
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Com as novidades, o consumidor ganha em agilidade e clareza. Quando uma contestação é feita, o banco deve oferecer informações claras sobre o passo a passo, os tipos de golpe, e garantir que o pedido seja registrado com data, protocolo e prazo máximo de resposta. Caso o relato seja aceito, existe um prazo de até 11 dias para a devolução dos valores — parcial ou total — desde que haja saldo em conta do recebedor.
Também cabe ao banco notificar a instituição da conta suspeita e, caso necessário, acionar os mecanismos antifraude previstos pelo Banco Central. A colaboração entre bancos, fintechs e a autarquia tem papel central para bloquear as chamadas “contas laranja” e evitar a reincidência dos golpes digitais.
Especialistas do setor financeiro afirmam que o rastreamento aprofundado no MED 2.0 pode elevar os índices de recuperação das fraudes, atualmente abaixo do esperado. Estudos sugerem potencial aumento nas devoluções, podendo atingir até 80% dos casos. Porém, parte do dinheiro pode ainda escapar devido à criatividade dos criminosos, que utilizam diferentes táticas, como transferências rápidas e uso de criptomoedas.
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Apesar das limitações, as instituições financeiras, em parceria com o Banco Central, estão cada vez mais preparadas para enfrentar golpes digitais, apostando em ferramentas de automação, inteligência artificial e fluxos de contestação intuitivos para proteger o bolso dos brasileiros.
Com tantos avanços previstos, o futuro das devoluções de golpes no Pix parece mais seguro e transparente. Se você gostou deste conteúdo sobre rastreamento de dinheiro em fraudes do Pix, aproveite para assinar nossa newsletter e receber as notícias mais importantes do universo financeiro diretamente no seu e-mail.
O MED 2.0 está previsto para ser implementado no primeiro trimestre de 2026, segundo o Banco Central.
Basta acessar o extrato, selecionar a transação suspeita e iniciar o processo de contestação informando o motivo e detalhes do golpe.
O banco tem até 11 dias úteis para devolver, total ou parcialmente, os valores contestados, desde que haja saldo na conta do recebedor.
Nesse caso, a devolução fica suspensa até que haja saldo ou se utilize outros meios legais para bloqueio e ressarcimento.
Ao rastrear o dinheiro em até cinco níveis de transações, o sistema identifica rapidamente movimentações suspeitas mesmo quando os valores são divididos em várias contas.
Instituições como Bradesco, Itaú e outros grandes bancos já disponibilizam o recurso de contestação direta pelo app, com prazos e protocolos automatizados.