O Benefício de Prestação Continuada (BPC) está assumindo um papel central na rede de proteção social do Brasil, ultrapassando o Bolsa Família em termos de recursos aplicados em 1.167 cidades do país. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), o programa tem registrado crescimento contínuo desde meados de 2022, com um aumento de 33% no número de beneficiários, o que representa 1,6 milhão de pessoas a mais recebendo o auxílio.
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A expansão do BPC está ligada a uma série de fatores, incluindo mudanças legislativas, novas regras de concessão, interpretações judiciais e alterações no cenário previdenciário e econômico. Esse fenômeno fez com que o número de municípios onde o BPC tem maior peso orçamentário que o Bolsa Família mais que dobrasse em dois anos, passando de 492 em 2023 para os atuais 1.167.
Criado em 1993, o BPC atende idosos a partir de 65 anos e pessoas com deficiência de qualquer idade que se encontram em situação de vulnerabilidade, com renda familiar per capita de até R$ 379,50, que corresponde a um quarto do salário-mínimo. Cada beneficiário recebe um salário-mínimo mensal de R$ 1.518, valor que é mais que o dobro da média do Bolsa Família, que é de R$ 660 por família.
Em março de 2025, o BPC contava com 6,2 milhões de beneficiários, enquanto o Bolsa Família atendia 20,5 milhões de famílias. No orçamento federal deste ano, estão previstos R$ 112 bilhões para o BPC, em comparação com R$ 158,6 bilhões para o Bolsa Família. Apesar de atender menos pessoas, o BPC representa um gasto significativo devido ao valor do benefício ser maior.
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O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Antonio Anastasia, identificou seis fatores principais para o crescimento do BPC: a mudança legislativa em 2020 que permite múltiplos benefícios por família, a reforma da Previdência de 2019 que dificultou o acesso a aposentadorias, a ampliação do conceito de deficiência incluindo o Transtorno do Espectro Autista (responsável por 17% dos novos benefícios), o programa de redução de filas no INSS, o aumento real do salário-mínimo e a crescente judicialização de pedidos.
O crescimento do BPC levanta debates sobre a sustentabilidade do programa e sua relação com o Bolsa Família. Um dos principais desafios é equilibrar a complementaridade dos dois programas, garantindo a eficácia da rede de proteção social para a população mais vulnerável.
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A expansão do BPC não se limita às grandes capitais como Recife, Curitiba e Belo Horizonte. O programa também alcança pequenos municípios, como Não-Me-Toque (RS) e Itororó (BA), demonstrando sua capilaridade em todo o território nacional.
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Os critérios incluem ter 65 anos ou mais ou possuir deficiência, além de renda familiar per capita de até um quarto do salário-mínimo.
O BPC representa uma injeção significativa de recursos nos municípios, especialmente aqueles com menor desenvolvimento econômico.
O BPC é direcionado a indivíduos, oferecendo um salário-mínimo mensal, enquanto o Bolsa Família é para famílias em situação de pobreza, com valor médio inferior.
A solicitação do BPC deve ser feita através do INSS, onde o requerente deve comprovar os requisitos necessários.
O BPC não pode ser acumulado com outros benefícios previdenciários, exceto em casos de decisões judiciais específicas.