Empreender tornou-se uma possibilidade real para milhões de famílias em vulnerabilidade social. O programa Acredita no Primeiro Passo, lançado pelo governo federal, abriu portas para beneficiários do Bolsa Família e inscritos no CadÚnico. Com microcrédito de até R$ 21 mil, a iniciativa foca no estímulo a pequenos negócios.
O programa substitui o antigo crédito consignado, descontinuado por riscos de endividamento. Agora, as condições são mais seguras, com taxas acessíveis e prazos flexíveis.
O que você vai ler neste artigo:
O Acredita oferece microcrédito com valores entre R$ 6 mil e R$ 21 mil, com taxa de juros atrelada à Selic + 5% ao ano e prazo de até 60 meses para pagamento. O foco é em investimentos produtivos, como compra de ferramentas ou matéria-prima. A iniciativa já atraiu o interesse de 14 milhões de pessoas, segundo dados oficiais. Com metas ambiciosas, o programa promete transformar o cenário do empreendedorismo popular até o fim de 2025.
Lançado em abril de 2024, o Acredita no Primeiro Passo integra um pacote de políticas públicas voltadas à inclusão financeira. A iniciativa surgiu após o fim do crédito consignado do Bolsa Família, encerrado em 2023. O consignado, embora popular, gerava altos índices de inadimplência, comprometendo o orçamento de famílias de baixa renda. O novo programa foi desenhado para corrigir essas falhas.
Em vez de descontos diretos no benefício, o Acredita oferece crédito produtivo, direcionado exclusivamente a investimentos em negócios. A análise de crédito é simplificada, com aprovação em até 15 dias úteis. O governo destinou R$ 1 bilhão a um fundo garantidor, reduzindo riscos para instituições financeiras parceiras. Bancos como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil lideram a operacionalização, garantindo alcance nacional.
Leia também: Como Contribuições ao INSS e Previdência Privada Impactam o IR
Nem todos os beneficiários do Bolsa Família podem acessar o programa automaticamente. O Acredita estabelece critérios claros para garantir que o crédito chegue a quem realmente precisa.
Quem pode participar:
O processo de solicitação é desburocratizado. Interessados podem se inscrever digitalmente pelo site da Caixa ou em agências físicas. A análise considera a capacidade de pagamento, mas não exige garantias complexas, facilitando o acesso.
O Acredita se destaca por suas condições acessíveis, pensadas para atender famílias de baixa renda. A taxa de juros, fixada em Selic + 5% ao ano, é significativamente menor que a de empréstimos convencionais.
Detalhes das condições:
A flexibilidade das parcelas é um diferencial. O governo garante que o pagamento não comprometerá mais de 30% da renda mensal do beneficiário. Isso reduz o risco de endividamento, um problema recorrente no modelo anterior de consignado.
A implementação do Acredita prioriza regiões com maior índice de pobreza. O Norte e o Nordeste concentram o maior número de beneficiários, mas áreas vulneráveis do Sudeste e Centro-Oeste também recebem atenção.
O programa começou com projetos-piloto em cidades como Belém, Recife e São Paulo. Nessas localidades, o governo identificou alta demanda por microcrédito entre empreendedores informais.
Em 2024, cerca de 300 mil operações de crédito foram realizadas, com valor médio de R$ 6 mil. A meta é alcançar 1,25 milhão de contratos até dezembro de 2025, beneficiando diretamente pequenos negócios.
Formalizar um negócio pode ser um desafio para famílias de baixa renda. O Acredita no Primeiro Passo simplifica esse processo, oferecendo suporte técnico e crédito diferenciado para MEIs.
Benefícios da formalização:
O programa já formalizou 150 mil novos MEIs desde seu lançamento. A meta é dobrar esse número até o fim de 2025, com foco em setores como comércio, serviços e artesanato.
Além do microcrédito, o Acredita inclui o Desenrola Pequenos Negócios, um programa voltado para a renegociação de dívidas. A iniciativa beneficia MEIs e pequenas empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.
Quem pode aderir:
Bancos como Santander e Banco do Brasil oferecem descontos de até 90% em juros e multas. A adesão é feita diretamente com as instituições financeiras, sem intermediação do governo. Desde o lançamento, 50 mil empresas já renegociaram dívidas, totalizando R$ 300 milhões.
O Acredita atende uma ampla gama de atividades econômicas. Pequenos negócios, como salões de beleza, lanchonetes e confecções, estão entre os mais contemplados.
Principais setores:
A diversidade de setores reflete a realidade dos beneficiários. Muitos começam com investimentos modestos, como a compra de uma máquina de costura ou um forno industrial. O programa acompanha o uso do crédito, garantindo que os recursos sejam aplicados corretamente.
Leia também: Azul (AZUL4) sobe 10% antes do balanço do 1T25; confira expectativas
A operacionalização do Acredita depende de parcerias com bancos públicos e privados. A Caixa Econômica Federal é a principal instituição responsável, mas outros bancos, como Banco do Brasil e Santander, também participam.
Cada instituição tem autonomia para definir processos internos, mas todas seguem as diretrizes do programa. A Caixa, por exemplo, disponibiliza um portal online onde beneficiários podem acompanhar o status de suas solicitações.
O fundo garantidor de R$ 1 bilhão reduz os riscos para os bancos, incentivando a adesão de novas instituições. Até outubro de 2024, 20 bancos regionais já haviam se juntado ao programa, ampliando o alcance em cidades menores.
O sucesso de um negócio depende não apenas de crédito, mas também de conhecimento. O Acredita oferece capacitação gratuita, em parceria com o Sebrae e outras entidades.
Cursos disponíveis:
Os treinamentos são oferecidos em formatos presencial e online, garantindo acesso a beneficiários em áreas remotas. Desde o início do programa, 200 mil pessoas participaram de pelo menos um curso.
A capacitação também inclui mentoria individual. Empreendedores podem consultar especialistas para ajustar seus planos de negócios ou resolver problemas específicos. Esse suporte é especialmente valioso para quem está começando.
Embora recente, o Acredita já mostra resultados promissores. Até outubro de 2024, 300 mil operações de crédito foram realizadas, beneficiando diretamente 500 mil pessoas, considerando os impactos indiretos em suas famílias. O valor total liberado ultrapassa R$ 1,8 bilhão, com 80% dos contratos concentrados em valores de até R$ 10 mil.
A taxa de inadimplência é baixa, abaixo de 3%, graças às condições flexíveis e ao acompanhamento próximo dos beneficiários. Mulheres representam a maioria dos beneficiários, com 60% dos contratos. Jovens entre 18 e 30 anos também se destacam, com 25% das solicitações. Esses números refletem o perfil empreendedor de grupos historicamente vulneráveis.
O governo planeja ampliar o Acredita em 2025, com a inclusão de novos públicos e regiões. Uma das metas é aumentar o número de operações em cidades pequenas, onde o acesso ao crédito ainda é limitado. Novas parcerias com cooperativas de crédito estão em negociação. Essas instituições, comuns no interior do Brasil, podem facilitar a distribuição do microcrédito em comunidades rurais.
Outra novidade é a criação de um aplicativo dedicado ao Acredita. A ferramenta permitirá que beneficiários solicitem crédito, acompanhem parcelas e acessem cursos diretamente pelo celular. O lançamento está previsto para o primeiro semestre de 2025.
Pequenos negócios impulsionados pelo Acredita já começam a mudar realidades. Em Recife, uma beneficiária usou R$ 8 mil para comprar equipamentos para sua confeitaria, triplicando sua produção. Em Manaus, um grupo de artesãs investiu em matéria-prima, aumentando as vendas em feiras locais. Essas histórias ilustram o potencial do programa.
Embora os valores pareçam modestos, eles fazem diferença significativa para famílias que dependem de rendas baixas. O acompanhamento técnico garante que os investimentos sejam bem-sucedidos. Em 2024, o governo destacou 50 casos de sucesso em uma campanha nacional. A iniciativa busca inspirar mais pessoas a participarem, mostrando que o empreendedorismo é acessível mesmo em condições adversas.
O Acredita não opera isoladamente. O programa está alinhado a outras iniciativas de inclusão financeira, como o Bolsa Família e o CadÚnico. Essa integração garante que os beneficiários tenham suporte contínuo, além do crédito.
O Desenrola Brasil, por exemplo, complementa o Acredita ao oferecer renegociação de dívidas pessoais. Essa combinação permite que famílias organizem suas finanças antes de investir em negócios. O governo também planeja conectar o Acredita a programas de economia solidária. Cooperativas e associações de empreendedores poderão acessar linhas de crédito coletivas, ampliando o impacto do programa.
Apesar dos avanços, o Acredita enfrenta obstáculos. A burocracia em algumas regiões ainda dificulta o acesso ao crédito, especialmente para quem não tem familiaridade com processos digitais. A capacitação, embora ampla, não chega a todos os beneficiários. Em áreas rurais, a falta de internet limita o acesso a cursos online. O governo está investindo em pontos de atendimento presenciais, mas a cobertura ainda é limitada.
Outro desafio é a sustentabilidade financeira do programa. O fundo garantidor de R$ 1 bilhão é suficiente para a fase inicial, mas a expansão exigirá mais recursos. O governo avalia parcerias com o setor privado para manter o programa a longo prazo.
O microcrédito do Programa Acredita é oferecido com taxas de juros de Selic + 5% ao ano, prazo de até 60 meses para pagamento, e é direcionado exclusivamente para investimentos produtivos.
O programa oferece suporte técnico e crédito diferenciado para MEIs, facilitando o acesso a benefícios previdenciários e a possibilidade de emitir notas fiscais.
O programa prioriza regiões com maior índice de pobreza, como o Norte e Nordeste, além de áreas vulneráveis do Sudeste e Centro-Oeste.
O Desenrola Pequenos Negócios é voltado para MEIs e pequenas empresas com dívidas atrasadas há mais de 90 dias e faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.
Instituições financeiras como a Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil são responsáveis pela operacionalização do programa, seguindo diretrizes governamentais e oferecendo suporte aos beneficiários.