O consignado privado pode transformar o mercado de crédito de forma semelhante ao impacto que o Pix teve em pagamentos e transferências no Brasil. Essa é a avaliação de Mario Leão, CEO do Santander Brasil. O potencial dessa modalidade de crédito, que está sendo estudada pelo governo, pode aumentar em R$ 80 bilhões o volume de empréstimos, alcançando R$ 120 bilhões.
Na semana passada, Leão participou de uma reunião com o governo federal e outros representantes do setor bancário para discutir esse novo produto financeiro.
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“Vejo essa iniciativa com bons olhos”, afirmou Leão. Ele comentou que, em conversa com o presidente Lula, destacou que o consignado privado pode ser tão revolucionário para o crédito quanto o Pix foi para pagamentos. O Santander Brasil reportou um lucro de R$ 13,87 bilhões em 2024, refletindo a expectativa positiva em torno dessa nova modalidade.
Apesar do otimismo, Leão alertou que a modalidade não deve ter um teto de juros como o consignado do INSS, cujo custo é limitado pelo governo. Atualmente, a taxa máxima é de 1,80% ao mês, o que não cobre os custos, segundo o executivo. “O teto limita o público-alvo”, explica Leão.
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O CEO do Santander propõe que a oferta do consignado privado seja personalizada. A análise deve considerar a empresa empregadora e sua dependência do ciclo econômico, além da rotatividade de funcionários. “Sem teto de juros, milhões de brasileiros podem ser incluídos nessa equação”, afirma.
Embora a inadimplência esteja sob controle, o banco está atento aos riscos macroeconômicos. “Estamos monitorando o impacto da inflação e o cenário desafiador na capacidade de consumo das pessoas”, ressalta Leão.
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A desaceleração do crédito preocupa o governo diante da alta dos juros, e o consignado privado é visto como uma solução potencial. A expectativa é que ele ofereça crédito mais barato para cerca de 42 milhões de brasileiros.
Atualmente, o consignado para trabalhadores de empresas privadas é restrito a convênios entre empresas e bancos. Muitos clientes não têm acesso e acabam recorrendo a opções mais caras, como o crédito pessoal.
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O consignado privado é voltado para trabalhadores do setor privado, enquanto o consignado do INSS é destinado a aposentados e pensionistas. Além disso, o consignado privado não possui as mesmas limitações de juros impostas pelo governo ao INSS.
Assim como o Pix revolucionou as transações financeiras, o consignado privado tem o potencial de transformar o acesso ao crédito no Brasil, ampliando significativamente o volume de empréstimos disponíveis.
O governo espera que o consignado privado ofereça crédito mais acessível a cerca de 42 milhões de brasileiros, ajudando a desacelerar o impacto negativo da alta dos juros sobre o crédito.
É necessário que empresas e bancos firmem convênios para que os trabalhadores possam ter acesso ao consignado privado, além de uma análise personalizada de cada caso.
Um dos principais riscos é o aumento do endividamento entre trabalhadores que já possuem outros tipos de empréstimos.