Uma professora aposentada da Prefeitura de Santos, Ana Maria Dias Pinho, trouxe à tona um caso alarmante de descaso no atendimento de saúde. No último sábado (18), ela levou seu neto de 26 anos à UPA Central devido a uma crise de pânico, mas o atendimento recebido deixou muito a desejar.
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Ana Maria conta que, ao chegar na unidade com o neto em estado crítico, ele foi rapidamente atendido por uma médica que, após ouvir um breve relato, optou por aplicar uma injeção no jovem e emitiu um encaminhamento para psiquiatria, sem qualquer assistência adicional. O jovem saiu cambaleando da UPA, sem condições de ficar em pé, o que obrigou a família a pedir ajuda para levá-lo até um veículo de transporte.
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Segundo a família, o correto seria a unidade providenciar uma internação psiquiátrica imediata. No entanto, a médica optou por um encaminhamento que não poderia ser utilizado no domingo, já que o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) estava fechado. Na segunda-feira (20), no CAPS, foram informados de que o procedimento correto seria uma internação em hospital psiquiátrico.
O protocolo de Saúde Mental estabelece que, em casos de intensa descompensação clínica ou psíquica, os pacientes devem ser internados com acompanhamento do serviço de urgência e das equipes CAPS. O Plano Municipal de Saúde de Santos 2022-2025 também prevê leitos de retaguarda em psiquiatria para casos como o do neto de Ana Maria.
Durante sua estada na UPA, Ana Maria ouviu outras queixas sobre o atendimento. Ela registrou uma queixa na Ouvidoria da Prefeitura, mas também se sentiu desamparada. Relatou que, apesar de estar passando mal devido ao calor, foi impedida de esperar em uma área mais arejada.
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A UPA Central de Santos foi a primeira unidade de urgência e emergência a ter sua gestão terceirizada em 2016, na expectativa de melhorar a eficiência e a qualidade dos serviços. No entanto, as duas organizações sociais que passaram pela administração da UPA enfrentaram denúncias de irregularidades em diversos locais.
O modelo terceirizado custa atualmente R$ 2 milhões mensais aos cofres da Prefeitura. O contrato vigente, com a organização InSaúde, está fixado em mais de R$ 125 milhões para os próximos cinco anos, valor superior ao cobrado pela administração anterior.
A denúncia de Ana Maria expõe uma situação preocupante na saúde pública de Santos, levantando questões sobre a eficácia da terceirização e a necessidade de fiscalização mais rigorosa. Se você se interessou por este tema e quer receber mais conteúdos como este, inscreva-se em nossa newsletter!
As UPAs são responsáveis por oferecer atendimento de urgência e emergência, estabilizar pacientes e, se necessário, encaminhá-los para serviços especializados.
Internação psiquiátrica é um procedimento médico para tratar pacientes com distúrbios mentais graves que necessitam de cuidados intensivos em ambiente hospitalar.
A terceirização de serviços de saúde ocorre quando a gestão de unidades como UPAs é transferida para organizações privadas, com o objetivo de melhorar a eficiência e qualidade dos serviços.
O CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) oferece atendimento diário a pessoas com transtornos mentais graves, promovendo reabilitação psicossocial e integração social.
Os principais desafios incluem a qualidade do atendimento, a gestão terceirizada das unidades, a fiscalização dos serviços prestados e o atendimento adequado às necessidades dos pacientes.