A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (17 de dezembro de 2024), o primeiro texto do pacote de corte de gastos proposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Esta iniciativa busca impor restrições na concessão de créditos tributários em situações de déficit, além de ampliar o poder do Executivo para suspender pagamentos de emendas parlamentares, que têm sido foco de disputas entre os Três Poderes nos últimos meses.
O que você vai ler neste artigo:
O texto principal do projeto foi aprovado com 318 votos a favor e 149 contrários. Agora, os deputados se debruçam sobre os destaques, que são sugestões analisadas separadamente. Após essa etapa, a proposta seguirá para o Senado.
Leia também: Seguro-Defeso: INSS exige cadastro atualizado e pescadores enfrentam cortes
O pacote faz parte de um esforço conjunto do governo e do Congresso para aprovar as prioridades da equipe econômica liderada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Composto por quatro propostas, o pacote visa economizar R$ 375 bilhões até 2030. A aprovação na Câmara ocorreu em um dia marcado por agitações no mercado financeiro, com o dólar atingindo uma alta histórica de R$ 6,21, fechando a R$ 6,10.
O Projeto de Lei Complementar (PLP) 210 de 2024 propõe o bloqueio e contingenciamento das emendas parlamentares até a mesma proporção das demais despesas não obrigatórias do governo, ou seja, até 15% do valor total. O deputado Átila Lira (PP-PI) foi designado como relator da proposta.
Na quarta-feira (18 de dezembro), os deputados deverão votar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 45 de 2024, que propõe um corte gradual no acesso a benefícios, desvincula receitas do Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) e altera a correção do valor do FCDF (Fundo Constitucional do Distrito Federal).
A Câmara também deve votar o PL 4.614 de 2024, que limita o aumento real do salário mínimo a no máximo 2,5% acima da inflação, além de endurecer as regras para concessão do BPC (Benefício de Prestação Continuada).
As votações da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e da LOA (Lei Orçamentária Anual), que determinarão a execução do orçamento federal em 2025, estão previstas para esta semana. A aprovação do orçamento está condicionada à evolução do pacote fiscal, com o governo acelerando a liberação de emendas para negociar a aprovação das medidas.
O relator do PLP 210 recuou em sua decisão de extinguir o recém-criado Spvat (Seguro Obrigatório para Proteção de Vítimas de Acidentes de Trânsito). Inicialmente incluído no relatório, esse trecho foi removido após resistência da sociedade civil.
Leia também: FGTS aprova orçamento recorde de R$ 55,1 bilhões para 2025
O projeto aprovado permite que, entre 2025 e 2030, o superávit financeiro de alguns fundos seja destinado à amortização da dívida pública. Entre os fundos incluídos estão:
O texto original permitia livre aplicação do saldo positivo, mas o relator optou por delimitar o destino.
Se você gostou deste artigo e quer ficar por dentro das últimas notícias sobre economia e política, não deixe de se inscrever em nossa newsletter!
O pacote foi aprovado com 318 votos a favor e 149 contrários.
O pacote visa economizar R$ 375 bilhões até 2030 e faz parte de um esforço conjunto do governo e do Congresso para aprovar as prioridades da equipe econômica.
Após a aprovação na Câmara, a proposta seguirá para o Senado para novas discussões e votações.
O PLP 210/2024 propõe o bloqueio e contingenciamento das emendas parlamentares até a mesma proporção das demais despesas não obrigatórias do governo.
Entre os fundos estão o FDD, Funad, FMM, Fnac, Funset, Fundo do Exército, Fundo Aeronáutico e Fundo Naval.