Quando o investidor compra uma ação com foco em dividendos, geralmente ele escolhe papéis de empresas perenes, cujas receitas e lucros costumam crescer acima da inflação. Contudo, esta não é uma garantia de que ele estará automaticamente protegido contra a alta nos preços. O que vai determinar essa proteção diante da inflação é o segmento em que a empresa está inserida ou até mesmo a capacidade da companhia de repassar o aumento do preço dos seus produtos ou serviços aos consumidores sem ter a sua demanda afetada. Mas existem alguns setores na bolsa de valores que garantem que o investidor fique protegido da inflação e ainda receba dividendos de forma constante.
O que você vai ler neste artigo:
São os setores regulados ou de utilidade pública que costumam ter contratos reajustados por índices inflacionários. Um deles é o segmento de transmissão de energia. As empresas neste setor costumam ter concessões de longo prazo (geralmente 30 anos) cujas receitas são corrigidas por índices inflacionários como o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ou o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), explica Sergio Biz, analista focado em dividendos e sócio do GuiaInvest.
Dentro do setor de transmissão, analistas citam a Isa Cteep (TRPL4). Segundo estudo feito por Bruno de Oliveira, analista CNPI do Projeto Vida de Acionista, em 2017 o lucro líquido da companhia era de R$ 600 milhões e em 2023 chegou ao patamar de R$ 1,9 bilhão. Se fosse reajustado pela inflação do período, o lucro líquido deveria ser de R$ 860 milhões. Ou seja, a companhia conseguiu crescer muito mais do que a inflação. Na Isa Cteep, 90% dos contratos são corrigidos pelo IPCA, o que faz com que o investidor esteja muito bem protegido da inflação, reforça Oliveira.
Outra empresa dentro do setor de transmissão que protege o investidor da inflação é a Alupar (ALUP11), companhia privada que possui operações no Brasil, Chile, Peru e Colômbia. Atualmente a Alupar conta com 7100 km de linhas operacionais e outros 2200 km de linhas em implantação. Biz, do GuiaInvest, aponta que a receita total da Alupar é 65% corrigida pelo IPCA e 35% pelo IGP-M. Além disso, a companhia também opera com ativos de geração de energia com contratos reajustados pela inflação.
Ainda dentro dos setores regulados, Saravalle indica a Sanepar (SAPR11). Ele destaca que a companhia pode receber o pagamento de um precatório de R$ 3,9 bilhões em 2025, que se traduziria em dividendos extraordinários. Atualmente, o valor de mercado da empresa é de R$ 7,98 bilhões. O montante, contudo, ainda depende de aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2025, que pode acontecer em agosto ou setembro, segundo Saravalle. O analista estima que com o precatório, o dividend yield da Sanepar possa chegar a 15% ou 20% em 2025. Atualmente o dividend yield da companhia para os próximos 12 meses é entre 8,5% e 9%, sem considerar o efeito do precatório.
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Há também empresas que não pertencem a estes setores, mas pelo seu modelo de negócio têm capacidade de repassar a inflação e proteger os seus investidores.
Um deles é o Banco do Brasil (BBAS3). Segundo estudo de Oliveira, em 2017 o lucro líquido ajustado do banco era R$ 11 bilhões. Ajustado pela inflação a valores presentes, ele deveria representar uns R$ 15 bilhões. No entanto, em 2023 o lucro da empresa foi de R$ 33 bilhões. Desta forma, a companhia não apenas superou a inflação como dobrou o ganho.
Outra empresa que se encaixa neste perfil é a Klabin (KLBN11). A empresa costuma usar o seu ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para remunerar acionistas. Segundo cálculos de Oliveira, se observado o ebitda em 2010, este era cerca de R$ 900 milhões. Se reajustado pela inflação, deveria estar em 2023 no patamar de R$ 2 bilhões. Contudo, até 2023 este ficou em R$ 6 bilhões, ou seja, bateu a inflação em um patamar três vezes superior ao esperado.
A Metal Leve (LEVE3) integra também a lista de empresas que repassam a inflação, segundo Saravalle. A fabricante de motores consegue também negociar o reajuste do seu produto com as concessionárias, embora nem sempre possa ser no patamar do IPCA. O analista lembra ainda que por ter um controlador estrangeiro, a companhia tem como prática distribuir geralmente 100% do seu lucro em proventos aos investidores. Para os próximos 12 meses, o dividend yield esperado é de 12% no cenário pessimista e 15% no mais otimista.
Embora estes segmentos reúnam estas características de proteção contra inflação, analistas reforçam que generalizar poder ser um erro. A melhor opção é olhar as companhias que integram estes segmentos com detalhe, isso porque algumas podem estar mais focadas em investir do que pagar dividendos.
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Setores regulados e de utilidade pública, como transmissão de energia e saneamento, são os que mais protegem contra a inflação devido a contratos reajustados por índices inflacionários.
Investir em empresas que pagam dividendos pode proporcionar uma renda passiva constante e ajudar a proteger seu investimento da inflação.
Dividend yield é um indicador financeiro que mostra o retorno do investimento em ações através dos dividendos pagos, expresso como uma porcentagem do preço da ação.
Exemplos incluem Isa Cteep (TRPL4), Alupar (ALUP11), Banco do Brasil (BBAS3) e Klabin (KLBN11), todas elas conseguiram superar a inflação em seus lucros e receitas.
Para escolher empresas que oferecem proteção contra a inflação, é importante analisar se elas pertencem a setores regulados, sua capacidade de repassar aumentos de custos aos consumidores e seu histórico de pagamento de dividendos.