Brasil e EUA, duas grandes potências agrícolas, têm muitos superlativos em comum. Os países dividem a liderança na exportação de diversas commodities, como soja, milho, algodão, carne bovina e de frango. Mas, no seguro agrícola, a diferença é brutal. Pouco mais de 6 milhões de hectares tiveram cobertura de seguro rural com apoio do governo federal no ano passado, o equivalente a 8% da área plantada com grãos e oleaginosas no País. Considerando também os contratos sem subvenção ao prêmio do seguro rural (PSR), a área segurada sobe para 11,3 milhões de hectares, ainda representando menos de 15% da área de grãos. Incluindo na conta também o plantio de café e cana, esse percentual volta a se aproximar dos 10%.
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Nos Estados Unidos, o principal concorrente do Brasil no mercado global, mais de 530 milhões de acres (aproximadamente 214 milhões de hectares) foram cobertos por apólices de seguro agrícola no ano passado, de acordo com dados do USDA citados pelo portal Successful Farming no início deste mês. Considerando que há 880 milhões de acres nas fazendas norte-americanas, incluindo áreas de pastagem, pode-se dizer que 60% da área agrícola estava coberta.
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A principal razão para essa diferença é o baixo nível de subsídios no Brasil, que enfrenta o problema crônico de recursos governamentais escassos e déficit fiscal nas contas públicas. Enquanto os prêmios de seguro rural subsidiados pelo governo dos EUA totalizaram US$ 11,7 bilhões no ano passado, correspondendo a 60% do total, os subsídios do governo brasileiro com a mesma finalidade totalizaram R$ 933 milhões (cerca de US$ 190 milhões). Eles representaram 30% do total dos prêmios de seguro agrícola, segundo dados do Atlas de Seguro Agrícola do Ministério da Agricultura.
Nos EUA, os subsídios governamentais são significativamente mais altos, o que incentiva os agricultores a contratarem seguros. Esse suporte robusto é um dos principais fatores que permitem uma cobertura tão ampla das áreas agrícolas no país.
O governo federal deve anunciar na próxima semana o valor disponível para subvenção do seguro rural na safra 2024/25, durante a divulgação do Plano Safra. A expectativa é de que os recursos continuem em torno de R$ 1 bilhão — patamar registrado desde 2021. Naquele ano, os subsídios totalizaram R$ 1,15 bilhão, levando a área segurada a um recorde. O dinheiro foi suficiente para cobrir cerca de 17% da área plantada, percentual que caiu para 8% no ano passado.
Os preços do seguro agrícola dispararam após 2021, quando uma seca severa no sul do Brasil causou um aumento na quantidade de sinistros, levando várias seguradoras a prejuízos e até forçando algumas a saírem do mercado agrícola. O apetite das resseguradoras, que desempenham um papel muito relevante no seguro rural devido ao alto risco da atividade, também diminuiu após as perdas, contribuindo para aumentar os custos dessas operações para os agricultores, segundo Joaquim Neto, presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg (Federação Nacional das Seguradoras).
O modelo de seguro agrícola do Brasil também é visto como inadequado para a realidade de algumas regiões do País. Para mega fazendas no Mato Grosso, onde as produtividades são acima da média e os riscos climáticos são menores, ‘a conta não fecha’, segundo Gustavo Modenesi, chefe de B2B e serviços da Lavoro. Com o objetivo de ajudar os produtores a acessar o seguro, a Lavoro incluiu o serviço no pacote de insumos oferecido aos agricultores.
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Além da necessidade de mais subsídios, uma alternativa para desenvolver o mercado de seguro rural no Brasil é criar opções de seguro personalizadas de acordo com o perfil e a localização do produtor, afirma o executivo da Lavoro. Atualmente, o custo do seguro agrícola é calculado com base nos dados históricos de produtividade da Conab por município. O ideal, diz Modenesi, seria utilizar dados históricos de produtividade individual, considerando a disparidade que pode haver entre os dados de cada agricultor.
Damasceno, da Mapfre, também defende modelagens diferentes para o seguro rural, com variações no tipo de cobertura, preços e limites de oferta que possam tornar o produto mais adequado (e atrativo) a produtores de diferentes regiões. ‘Estamos olhando para soluções que nos ajudem a desenvolver o mercado’, afirma.
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O seguro rural é importante para proteger financeiramente os produtores rurais contra perdas causadas por eventos climáticos adversos, garantindo a continuidade das atividades agrícolas.
A principal diferença é o nível de subsídios governamentais. Nos EUA, os subsídios são significativamente mais altos, incentivando uma maior adesão dos agricultores. No Brasil, a escassez de recursos limita a cobertura e a adesão.
Subsídios governamentais reduzem o custo do prêmio de seguro para os agricultores, tornando o seguro mais acessível e incentivando uma maior cobertura das áreas agrícolas.
Os desafios incluem a baixa adesão dos produtores, a necessidade de maior conscientização e a implementação de políticas agrícolas robustas que incluam estratégias de mitigação e transferência de risco.
Além de aumentar os subsídios, é necessário desenvolver seguros personalizados que considerem o perfil e a localização do produtor, utilizando dados históricos de produtividade individual.