O Canadá é um dos países líderes na regulamentação das redes sociais e serviços online. A lei canadense do streaming, por exemplo, obriga plataformas a financiar a mídia local e apresentar conteúdo nacional. Outra lei, de notícias online, determina que os buscadores paguem para mostrar notícias produzidas pela mídia local.
Depois dessas legislações, o Parlamento discute uma nova proposta de lei que torna a mídia e as plataformas responsáveis por reduzir a exposição a conteúdo nocivo, incluindo bullying, sexualização de crianças, incitação ao extremismo, violência e ódio.
Essa experiência canadense foi compartilhada com brasileiros por Taylor Owen, professor associado da Escola Max Bell de Políticas Públicas da Universidade McGill, em Montreal, no Canadá. Owen é titular da Cátedra Beaverbrook em Mídia, Ética e Comunicações e diretor fundador do Centro para Mídia, Tecnologia e Democracia.
Na primeira quinzena de junho, Owen esteve em Brasília para uma reunião na Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e para uma conferência na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília sobre plataformas digitais e sustentabilidade do jornalismo. Confira os principais trechos da entrevista que Owen concedeu à Agência Brasil após a palestra na UnB:
Os principais desafios incluem garantir a liberdade de expressão enquanto se reduz a disseminação de conteúdo nocivo e encontrar um equilíbrio entre regulamentação eficaz e inovação tecnológica.
A regulamentação pode afetar a liberdade de expressão dependendo de como é implementada. O foco deve ser nos mecanismos de distribuição e amplificação de conteúdo, não na censura direta do que pode ou não ser dito.
Além do Canadá, a União Europeia, o Reino Unido e a Austrália são líderes em regulamentação das redes sociais, com leis abrangentes de segurança online e privacidade.
A inteligência artificial oferece novas ferramentas para jornalistas, como análise de dados e comunicação com audiências, mas também pode representar riscos, como a desvalorização do papel do jornalismo tradicional.
A regulamentação é crucial em contextos de polarização política para evitar que o desenho do ecossistema digital exacerbe divisões e promova comportamentos nocivos, garantindo um ambiente online mais seguro e democrático.