A Academia Soul usa metodologias embasadas cientificamente para incorporar programas de desenvolvimento socioemocional em escolas — e prevê faturamento de R$ 150 milhões com o negócio.
Fernando Gabas, CEO e fundador da Academia Soul, conta: ‘Eu tinha seguido tudo o que a sociedade preconiza que precisamos fazer para ser feliz: obtive sucesso financeiro relativamente cedo, era empresário, construí uma família e morava nos Estados Unidos. Mas eu não atingi essa felicidade que era esperada’.
É assim que o empreendedor Fernando Gabas, 46 anos, define o conflito interno que vivia quando sofreu a ruptura de um aneurisma cerebral, em 2012. Com o episódio que quase o levou à morte, Gabas viu que precisava buscar maneiras de diminuir o estresse e a ansiedade para evitar novos problemas de saúde. Assim, depois de passar anos dedicado a estudar temas relativos a finanças e administração, ele decidiu aprender mais sobre si mesmo.
O que você vai ler neste artigo:
Para isso, Gabas embarcou em uma jornada de autoconhecimento enquanto fazia cursos em diversos países a fim de estudar o funcionamento dos pensamentos e sentimentos humanos. ‘Esses novos conhecimentos e experiências mudaram completamente a forma como eu percebia a vida. Eu me tornei mais feliz, animado, passei a dormir melhor e a sofrer muito menos. Foi quando percebi que a gente passa uma vida inteira aprendendo sobre tudo que está fora de nós, mas sem saber nada do que está dentro da gente. Com isso, cheguei à conclusão de que eu precisava levar esses conhecimentos para o máximo de pessoas possível’, conta Gabas.
Leia também: Ex-comissário de seguros da Geórgia condenado à prisão após se declarar culpado de fraude em assistência médica
Assim, em 2014, o empresário decidiu voltar para o Brasil para começar a Academia Soul (Academia da Alma, em português). O projeto, que começou como uma Organização Não Governamental (ONG), tinha como objetivo trabalhar a inteligência socioemocional em crianças a partir da inserção de programas educacionais sobre o tema em escolas.
Segundo Gabas, o propósito do trabalho era oferecer conteúdos de desenvolvimento não-cognitivo baseados na ciência e com resultados efetivos na vida dos alunos. Para isso, o empreendedor fez uma parceria com a ONG americana Committee for Children, especializada em educação socioemocional para crianças, e adaptou para o Brasil um programa da organização.
A primeira ação, que operou como um projeto piloto, impactou 17 escolas e cerca de oito mil crianças ao longo de 2015. Com resultados positivos, o programa continuou sendo aplicado nos anos seguintes. A iniciativa se manteve sem fins lucrativos até 2020, quando Gabas percebeu que, para continuar crescendo e impactando um número cada vez mais extenso de crianças, seria preciso manter um braço comercial no projeto.
Assim, nos últimos quatro anos, a empresa permaneceu atuando com uma vertente social, com a operação da comercialização dos programas em paralelo. De lá para cá, a Academia Soul implementou três novos programas, estendendo a atuação para diferentes faixas etárias e passando a abordar, também, o desenvolvimento socioemocional dos educadores. Entre os projetos estão:
Cada programa conta com diferentes ferramentas e estratégias adaptadas para o público. De materiais impressos a ferramentas digitais e rodas de conversas, os conteúdos dos projetos são entregues e implementados por uma equipe da empresa, que tem como objetivo garantir a execução adequada do programa em todos os municípios, que já somam mais de 100 localidades no Brasil.
De acordo com a empresa, 3,5 mil escolas brasileiras já passaram por ao menos um dos programas. Do total de estudantes atendidos, 95% afirmam que os conteúdos trabalhados contribuem para a melhora do comportamento e relacionamento na sala de aula, e 94% apresentaram melhora no desempenho escolar após o envolvimento com o projeto. Segundo Gabas, os resultados são medidos a partir de uma avaliação realizada com coordenadores, professores e alunos no início e ao final do programa.
Para manter as estratégias de expansão comercial, a empresa vem investindo em ferramentas de inteligência artificial para facilitar e potencializar o processo de aprendizagem. Atualmente, a Academia Soul já conta com bots desenvolvidos para diferentes públicos, todos baseados em IA generativa e ancorados em uma base de dados de pesquisas científicas.
‘Para os educadores, temos um bot que os auxilia na resolução de conflitos na sala de aula, como um caso de bullying, assédio, agressão ou qualquer aspecto que envolva a saúde mental e emocional. Para os pais, temos uma ferramenta para ajudar a identificar problemas e melhores formas de agir com filhos, por exemplo’, aponta Gabas.
Leia também: Ji-Paraná atinge meta de cobertura da pesagem do Bolsa Família
De acordo com o fundador do negócio, os recursos estão sendo desenvolvidos para compor uma plataforma que deve integrar o desenvolvimento acadêmico e socioemocional a partir da tecnologia. A projeção da empresa é de um investimento de R$ 10 milhões em ferramentas de inteligência artificial e em estruturas motivacionais para alunos e professores. Além disso, para 2025, a empresa planeja iniciar a expansão internacional a partir da tradução e adaptação dos materiais para inglês e espanhol.
Com os novos programas e investimentos em tecnologia, a companhia, que considera o ano-calendário de junho a maio em razão das demandas das escolas, espera um crescimento de 300% no faturamento de 2024/25, partindo de R$ 37 milhões em 2023/24 para R$ 150 milhões em 2024/25.
Gostou deste conteúdo? Inscreva-se em nossa newsletter para receber mais artigos inspiradores e informativos diretamente no seu e-mail!
Fernando Gabas é o CEO e fundador da Academia Soul. Após sofrer um aneurisma cerebral devido ao estresse, ele decidiu criar uma empresa focada em educação socioemocional.
A Academia Soul é uma empresa que oferece programas de desenvolvimento socioemocional em escolas, impactando crianças e educadores com conteúdos baseados em ciência.
Os programas incluem Soul Kids, Soul Socioemocional, Soul Mind e Trilha Sel, cada um focado em diferentes faixas etárias e necessidades, desde a educação infantil até o ensino médio e educadores.
Os resultados são medidos por avaliações realizadas com coordenadores, professores e alunos no início e ao final dos programas, mostrando melhorias no comportamento e desempenho escolar.
A empresa planeja investir R$ 10 milhões em ferramentas de inteligência artificial e expandir internacionalmente até 2025, com a tradução e adaptação dos materiais para inglês e espanhol.