O custo para ter um pet no Brasil vem aumentando nos últimos anos e, em 2026, pode chegar a quase R$ 700 por mês. Na régua do salário mínimo do ano (R$ 1.621), isso significa comprometer de um quinto a 42% do piso nacional. A Petzay reuniu os principais estudos públicos sobre o tema para chegar a um retrato realista do orçamento pet em 2026, e explicar por que os números variam tanto.
O mercado pet brasileiro fechou 2025 faturando R$ 77,96 bilhões e projeta passar de R$ 80 bilhões em 2026. Ainda assim, viveu no ano passado sua primeira retração real em anos: o faturamento cresceu menos que a inflação. Traduzindo para a vida do tutor: cuidar de um pet ficou proporcionalmente mais caro, e planejar esse orçamento deixou de ser detalhe. Se você está pensando em adotar ou quer entender para onde vai o dinheiro, este levantamento organiza a conta inteira.
O que você vai ler neste artigo:
O levantamento da CVA Solutions aponta gasto médio mensal de R$ 690 para cães e R$ 574 para gatos, cerca de 8% do orçamento familiar. Já o Instituto Pet Brasil calcula uma média de R$ 431,40 por mês para cachorros. E a pesquisa da Serasa com o Opinion Box mostra que 56% dos tutores declaram gastar até R$ 300 mensais.
Colocados na régua do salário mínimo de 2026, R$ 1.621 fixado pelo Decreto 12.797/2025, esses números ganham peso: o cão da média CVA consome 42,6% do piso nacional, quase metade de um salário. O gato fica em 35,4%, mais de um terço. Mesmo pela média mais conservadora do Instituto Pet Brasil, um cachorro custa 26,6% do mínimo mais de um quarto, e até o tutor econômico da pesquisa Serasa compromete quase um quinto do piso com o pet.
Por que tanta diferença entre os estudos? Cada um mede uma coisa. As médias da CVA incluem tutores de produtos premium e serviços recorrentes, que puxam o valor para cima. O dado da Serasa é autodeclarado e tutor tende a lembrar da ração, mas esquecer o antipulgas, o banho e a consulta avulsa. A faixa realista para quem soma tudo fica entre R$ 350 e R$ 700 por mês, variando com porte, região e padrão de consumo. O mesmo estudo da Serasa revela o tamanho do compromisso emocional por trás da conta: 65% dos tutores dizem estar dispostos a investir o que for preciso, e 52% já priorizaram o gasto do pet sobre uma necessidade pessoal.
O porte é o fator que mais mexe na conta canina. A média mensal varia de R$ 346,50 para cães de porte pequeno a R$ 593,50 para os grandes, uma diferença de quase R$ 250 puxada principalmente pela ração, que responde por mais da metade do faturamento de todo o setor pet.
A tabela abaixo organiza as principais despesas recorrentes de um cachorro, com as faixas praticadas no mercado:
| Despesa | Frequência | Faixa mensal estimada |
|---|---|---|
| Ração | Mensal | R$ 100 a R$ 350 (por porte) |
| Antipulgas e vermífugo | Mensal/trimestral | R$ 30 a R$ 80 |
| Banho e tosa | Mensal | R$ 50 a R$ 150 |
| Consultas e vacinas (diluídas) | Anual | R$ 40 a R$ 100 |
| Plano de saúde pet (opcional) | Mensal | R$ 60 a R$ 250 |
O gato é, em média, mais barato que o cachorro, os R$ 574 mensais da CVA ficam abaixo dos R$ 690 caninos, mas a diferença é menor do que muita gente imagina. A ração de qualidade tem preço parecido, e o gasto com areia sanitária, item que não existe no orçamento canino, adiciona de R$ 40 a R$ 100 por mês à conta felina.
Em compensação, gatos dispensam banho e tosa frequentes e costumam demandar menos acessórios de passeio. O resultado prático: um gato de apartamento bem cuidado cabe numa faixa de R$ 300 a R$ 550 mensais, com a ração e a areia respondendo pela maior parte.
As médias mensais escondem as despesas que não chegam todo mês, mas chegam e costumam pesar no orçamento.
Uma cirurgia, uma internação ou um exame de imagem pode custar de algumas centenas a alguns milhares de reais de uma vez. A recomendação corrente entre veterinários e educadores financeiros é manter uma reserva de emergência dedicada ao pet, separando de 5% a 15% do gasto mensal total para esse fundo.
Quem viaja precisa incluir o pet na conta da viagem. Em 2026, a diária de um cuidador na casa do tutor varia de R$ 80 a R$ 150, e a hospedagem na casa do cuidador, de R$ 70 a R$ 130 por dia. Numa viagem de dez dias, são até R$ 1.500 que raramente aparecem no “custo do pet”.
Vermífugo, antipulgas e vacinas de reforço são gastos silenciosos: individualmente baratos, mas recorrentes e fáceis de esquecer e o esquecimento sai caro, porque tratar uma infestação ou uma doença evitável custa muito mais do que prevenir. É o tipo de despesa que merece lembrete fixo no calendário do tutor.
Com os números na mesa, o planejamento fica simples de estruturar. Some as despesas fixas do seu contexto (ração, prevenção, higiene), adicione a fração mensal das despesas anuais (vacinas, consultas de rotina) e reserve um percentual para o fundo de emergência. Quem faz essa conta antes de adotar escolhe um pet compatível com o próprio bolso, e quem já tem o bicho em casa ganha previsibilidade.
Os dados reforçam que esse planejamento virou necessidade, não capricho. Se mais da metade dos tutores já priorizou o gasto do pet sobre uma necessidade própria, como mostra a pesquisa da Serasa, a diferença entre uma rotina financeira equilibrada e um orçamento apertado está justamente em saber, com antecedência, quanto o animal custa de verdade.
O levantamento mostra que a conta brasileira varia de R$ 300 a R$ 700 mensais, de um quinto a mais de 40% do salário mínimo, que o gasto virou linha fixa no orçamento das famílias e que a maior parte dos sustos vem do que ninguém planejava.
No fim, os números contam uma história maior que a do bolso. Num país com quase 150 milhões de pets, em que dois em cada três tutores declaram investir o que for preciso no animal, o orçamento pet deixou de ser gasto supérfluo e se consolidou como o que os próprios dados já mostram: uma das contas fixas mais estáveis, e mais defendidas, da casa brasileira.