Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que o INSS e o Bolsa Família pagaram cerca de R$ 4,4 bilhões a pessoas falecidas nos últimos nove anos. Além disso, mensalmente, pelo menos R$ 28,5 milhões ainda são pagos indevidamente. Esse problema, segundo o TCU, deve-se principalmente à falta de atualização das informações de óbitos por parte das famílias e cartórios.
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O TCU identificou que aproximadamente 75 mil pessoas falecidas ainda recebem benefícios. A principal razão para isso é a ausência de registros de 13,1 milhões de óbitos no Sistema Nacional de Informações de Registro Civil (Sirc), responsável por centralizar dados de registros civis no Brasil.
Criado em 2014, o Sirc foi projetado para auxiliar na gestão de políticas públicas por meio do registro de nascimentos, casamentos e óbitos. No entanto, falhas estruturais comprometem a confiabilidade dos dados, resultando em prejuízos significativos para os cofres públicos.
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Embora o INSS seja o mais afetado, o problema também abrange o Bolsa Família e até salários de servidores públicos. A continuidade de pagamentos a beneficiários falecidos, como aposentadorias e pensões, foi um dos principais problemas detectados. O período analisado pelo TCU vai de janeiro de 2016 a fevereiro de 2025.
A fiscalização também encontrou discrepâncias entre os dados do Sirc e os registros da Receita Federal. Essa divergência agrava a situação, sobrecarregando os processos de controle de benefícios e contribuindo para pagamentos indevidos. Além disso, a governança do sistema mostrou-se frágil, com pouca participação de cartórios e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no Comitê Gestor do Sirc.
Para enfrentar essas questões, o INSS tem um prazo de 90 dias para adotar medidas de apuração de responsabilidades e sancionar cartórios que não cumpram os prazos legais. O Comitê Gestor do Sirc também foi orientado a apresentar um plano de ação em até 120 dias para integrar dados de óbitos ao sistema e melhorar a gestão das informações.
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Enquanto aguardamos uma resposta oficial do INSS sobre as medidas que serão tomadas, fica claro que uma ação coordenada é necessária para solucionar as falhas e evitar que pagamentos indevidos continuem ocorrendo.
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O Sirc é um sistema criado em 2014 para centralizar dados de registros civis, como nascimentos, casamentos e óbitos, no Brasil.
Os pagamentos indevidos resultam em prejuízos significativos para os cofres públicos, sobrecarregando processos de controle de benefícios.
O TCU realizou uma auditoria que revelou a falta de atualização das informações de óbitos no sistema de registros civis.
Os cartórios são responsáveis por registrar óbitos e atualizar essas informações no sistema, mas falhas têm comprometido esse processo.
O INSS tem 90 dias para adotar medidas e o Comitê Gestor do Sirc deve apresentar um plano de ação em até 120 dias para melhorar a gestão de informações.