No último ano, o preço do café surpreendeu consumidores ao alcançar alta acumulada de mais de 80% nas prateleiras dos supermercados. Apesar disso, quem planta e comercializa o grão já percebe sinais de alívio: os valores pagos no campo começaram a recuar após o início da colheita em todo o Brasil. Este movimento abre espaço para uma possível redução no custo ao consumidor, ainda que de maneira lenta.
Você vai entender nesta reportagem por que o preço do café subiu tanto para quem compra, os motivos da recente queda para o produtor, quais as tendências de preços até o fim do ano e as previsões envolvendo a próxima safra. Fique por dentro das análises e cache de informações atualizadas do setor cafeeiro.
O que você vai ler neste artigo:
Entre junho de 2024 e junho de 2025, o café moído se tornou um dos principais vilões da inflação, conforme apurado pelo IBGE com base no IPCA-15. O aumento de 81,6% no acumulado de 12 meses foi intensificado por uma série de fatores globais e internos que afetaram o abastecimento.
Especialistas apontam que o impacto da guerra no Oriente Médio alterou as rotas marítimas, obrigando importadores europeus a reforçar compras no Brasil. Ao mesmo tempo, a baixa nos estoques remanescentes do início do ano, combinada à forte exportação brasileira em 2024, reduziu a oferta interna e elevou os preços.
Além do contexto internacional, a inflação elevada nos últimos meses derivou do chamado “efeito repasse”: existe um tempo de atraso entre a colheita, o beneficiamento do café e sua chegada aos mercados. Isso explica por que a redução nos valores recebidos pelos produtores ainda não alcançou o bolso dos consumidores.
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No ambiente rural, a realidade já é distinta. Dados do Cepea/Esalq mostram que, só em junho, a cotação do café arábica teve queda de 17% frente a fevereiro, período em que atingiu picos históricos. Esse recuo está atrelado principalmente ao avanço da colheita e ao início do aumento da oferta.
Segundo Carlos Cogo, especialista do setor, a tendência é de continuidade na diminuição dos valores pagos ao produtor conforme a safra avança, especialmente entre junho e julho, quando ocorre o pico da colheita. Porém, o consumidor poderá sentir um alívio real só nos próximos meses, pois até que o café industrializado chegue às prateleiras, há todo um processo logístico e de beneficiamento que leva de 60 a 90 dias.
A dinâmica dos preços envolve dois tipos principais de café: arábica e robusta. Em 2025, a produção do robusta deve saltar 28%, alcançando quase 19 milhões de sacas. Essa recuperação é explicada pelo uso de irrigação em estados como Espírito Santo e Bahia, onde o clima não foi impeditivo. Por outro lado, a safra do arábica, responsável pela maior parte do café brasileiro, recuou cerca de 6,6% devido à estiagem prolongada.
Com o aumento expressivo do robusta, o mercado colhe os primeiros sinais de alívio nos preços, enquanto o arábica segue pressionado — cenário corroborado por projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
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No início de 2025, o mercado foi sacudido por recordes históricos: em fevereiro, a saca do arábica ultrapassou os R$ 2.700, conforme acompanhamento do Cepea/Esalq. O robusta também chegou perto dos R$ 2.100 por saca, patamar nunca antes registrado.
O fator decisivo foi o volume de exportações em 2024, que ultrapassou 50 milhões de sacas, esvaziando estoques nacionais. Soma-se à equação o temor de novas restrições comerciais europeias para café de áreas desmatadas, previsto para o fim de 2025 mas já influenciando o ritmo das importações.
Outro elemento central foi o conflito no Oriente Médio: ataques a navios no Mar Vermelho, principal rota do café asiático rumo à Europa, estimularam países europeus a buscarem fornecedores alternativos— principalmente o Brasil — e anteciparem compras.
Economistas acreditam que o consumidor brasileiro terá de esperar até o fim de 2025 ou começo de 2026 para testemunhar uma queda consistente nos preços no supermercado, salvo surpresas na próxima safra ou mudanças bruscas no cenário internacional.
Projeções da Conab apontam leve crescimento na colheita geral deste ano, cerca de 2,7% em comparação à safra anterior, resultando em 55,7 milhões de sacas no total. A expectativa é que, com a retomada dos estoques e a normalização nas exportações, o preço do café comece a ceder gradualmente aos consumidores brasileiros.
Embora o consumidor sinta leve alívio nos próximos meses, é pouco provável que os preços retornem aos patamares do início de 2024, pelo menos até que a próxima safra esteja consolidada e eventuais tensões geopolíticas amenizadas.
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O ritmo de aumento do preço do café finalmente começa a dar sinais de trégua ao consumidor brasileiro, com recuo nos custos ao produtor e maior oferta nas principais regiões cafeeiras do país. Mesmo assim, quem espera voltar a pagar valores baixos pelo produto precisará ter paciência: os repasses são lentos e influenciados por cenários globais.
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Como o café é cotado em dólar no mercado internacional, a desvalorização do real encarece o produto para o consumidor brasileiro e eleva o valor pago ao produtor no mercado interno.
Os custos incluem mudas, fertilizantes, mão de obra na colheita, beneficiamento, transporte, secagem e armazenagem, além de gastos com energia e embalagens.
O arábica tem sabor mais suave e é mais valorizado, mas sofreu impactos por estiagem. O robusta é mais resistente, teve forte alta de produção e tende a baratear o mercado.
Após a colheita, beneficiamento e distribuição, o processo logístico leva de 60 a 90 dias até que a redução do valor ao produtor reflita nas gôndolas.
Clima (seca ou excesso de chuva), geopolítica (conflitos e rotas comerciais), políticas ambientais e demanda global são variáveis que podem mudar as estimativas.
A colheita principal ocorre entre abril e setembro, variando por região e tipo de café, com pico de oferta geralmente em junho e julho.