O Congresso Nacional fez história ao derrubar na última quarta-feira o decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que aumentava a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Essa foi a primeira vez, em quase 33 anos, que o Legislativo reverteu um decreto presidencial dessa magnitude — algo que só havia acontecido em 1992, durante o governo Collor. A decisão marca um ponto de inflexão na relação entre Executivo e Congresso e pode repercutir em toda a agenda econômica para 2025.
No texto a seguir, você confere os detalhes da tramitação, o impacto fiscal, comparativos históricos e possíveis desdobramentos jurídicos dessa decisão inédita. Continue lendo para entender o que muda nas finanças do país e nos embates de poder em Brasília.
O que você vai ler neste artigo:
A proposta original previa um aumento da alíquota do IOF, com a expectativa de gerar cerca de R$ 10 bilhões em arrecadação para 2025. No entanto, o anúncio encontrou forte resistência no Congresso Nacional e no setor privado, especialmente diante do receio de agravamento da carga tributária e dos efeitos negativos sobre o crédito.
Desde maio de 2025, o governo havia editado três decretos diferentes visando incrementar a receita fiscal via IOF. Os principais argumentos do Executivo eram a urgência em fechar as contas públicas e atender a exigências do novo arcabouço fiscal. Contudo, parlamentares de diversos partidos criticaram a medida por afetar diretamente consumidores e empresas, sem o devido diálogo com a sociedade.
O Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para sustar as normas tramitou em regime de urgência após pressão intensa da oposição e de grupos econômicos. Na Câmara dos Deputados, o texto recebeu aprovacão esmagadora: 383 votos favoráveis contra 98 contrários. No Senado, a votação foi simbólica, sinalizando consenso em torno da rejeição ao aumento do imposto.
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O episódio mais recente e comparável aconteceu ainda em março de 1992, quando o então presidente Fernando Collor viu o Congresso rejeitar decreto que alterava regras para pagamento de precatórios. À época, o ambiente político já era de crise. Como se sabe, meses depois, Collor enfrentaria processo de impeachment.
Nesta quarta-feira, o clima difere daquele de três décadas atrás, mas a decisão evidencia o nível de articulação e poder legislativo consolidado no Congresso Nacional. A derrota imposta ao governo mostra o peso que o parlamento tem na condução das políticas econômicas do país em 2025.
Com a anulação dos decretos, voltam a vigorar as regras antigas referentes ao IOF, reduzindo a previsão de receita federal. Integrantes do governo, como o ministro da Fazenda Fernando Haddad, sinalizam que novas alternativas para o equilíbrio das contas públicas serão debatidas.
O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, comentou o esforço do Executivo em negociar, mas admitiu a derrota: “Foi construída a várias mãos”, disse ele, ressaltando o protagonismo parlamentar neste processo.
Após a derrubada, aliados do governo cogitam acionar o Supremo Tribunal Federal (STF), alegando eventual vício de constitucionalidade na decisão do Legislativo. O senador Jaques Wagner adiantou que irá discutir o assunto com o presidente Lula e outras lideranças do governo federal para avaliar os próximos passos. Uma eventual judicialização pode dar novo rumo à disputa — e deixar o tema nos holofotes por mais tempo.
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O impasse em torno do IOF reacende o debate sobre os limites do Executivo e do Legislativo nas políticas fiscais, em um cenário de contas públicas pressionadas e necessidade de diálogo para avanços estruturais.
A decisão do Congresso em derrubar o decreto do IOF transforma o debate fiscal e político em 2025 e reforça a centralidade do Legislativo nas grandes mudanças do país. Se você quer ficar sempre informado sobre as novidades econômicas e políticas que afetam o seu bolso e o dia a dia nacional, inscreva-se em nossa newsletter e receba nossos conteúdos em primeira mão diretamente no seu e-mail.
O governo deverá buscar novas fontes de receita ou cortes de gastos em outras áreas para equilibrar as contas públicas em 2025.
Qualquer iniciativa para alterar alíquotas do IOF precisará passar por aprovação do Legislativo, com maior negociação entre Executivo e Congresso.
Segmentos que dependem de crédito – como o varejo e o setor imobiliário – podem se beneficiar da manutenção das taxas atuais, evitando encarecimento de empréstimos.
Se o STF acatar questionamento de vício de constitucionalidade, a derrubada do decreto pode ser revista, gerando nova disputa entre poderes.
A derrota no Congresso pode forçar o Executivo a repensar estratégias tributárias e negociar com parlamentares para aprovar futuras propostas de ajuste fiscal.