Uma pesquisa nacional recente revelou que 59% dos brasileiros preferem trabalhar por conta própria, marcando uma mudança significativa no perfil do trabalhador brasileiro em 2025. O levantamento, conduzido pelo Datafolha, mostra que apenas 39% ainda se veem mais confortáveis em empregos formais com carteira assinada.
O estudo também aponta outra tendência relevante: 31% dos entrevistados aceitariam trabalhar sem registro caso o salário fosse maior, enquanto 67% seguem dando preferência à estabilidade da carteira assinada, mesmo com uma remuneração inferior. Esses dados ilustram como a percepção sobre trabalho e renda vem se transformando no país e o que isso significa no cenário atual do mercado de trabalho.
Confira os detalhes da mudança no comportamento dos trabalhadores e os impactos para a economia nacional. Continue lendo para entender o que está por trás desses números.
O que você vai ler neste artigo:
A preferência pelo trabalho autônomo ganhou força nos últimos anos, impulsionada por um conjunto de fatores econômicos, sociais e culturais. O desejo de flexibilidade e autonomia está entre os principais motivadores apontados por especialistas do mercado de trabalho. Muitos trabalhadores buscam se afastar de jornadas fixas e da hierarquia tradicional das empresas, priorizando a possibilidade de gerir os próprios horários e projetos.
Outro fator expressivo é o avanço da tecnologia, que possibilitou o surgimento de novos modelos de trabalho, como prestação de serviços online, entregas e o crescimento do microempreendedorismo. Essa tendência ficou ainda mais evidente após a pandemia, quando muitos brasileiros recorreram ao trabalho por conta própria para driblar o desemprego ou complementar a renda.
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O Datafolha também investigou um dilema recorrente: estabilidade x remuneração. A pesquisa mostra que 67% dos brasileiros ainda preferem contratos formais mesmo com salários menores, indicando que a segurança típica do regime CLT, com férias, 13º e outros benefícios, segue valorizada. Essa porcentagem, no entanto, caiu em relação a 2022, quando era de 77%.
Por outro lado, houve um salto na disposição para abrir mão do registro formal em troca de salários mais atrativos: 31% dos entrevistados topariam a informalidade se a remuneração fosse superior, contra 21% há dois anos. Esse crescimento sinaliza o desafio do mercado de trabalho em equilibrar garantia de direitos com oportunidades de melhores rendimentos.
| Preferência | 2022 | 2025 |
|---|---|---|
| Carteira assinada, mesmo com salário menor | 77% | 67% |
| Sem carteira assinada, mas com salário maior | 21% | 31% |
| Não sabe | 2% | 2% |
O levantamento do Datafolha foi feito durante os dias 10 e 11 de junho de 2025, abrangendo 136 municípios, o que garante uma ampla representatividade nacional. Foram entrevistadas 2.004 pessoas, por telefone, e a margem de erro está dentro de dois pontos percentuais, para cima ou para baixo. Esses dados foram publicados pelo jornal Folha de S.Paulo, que acompanha regularmente as tendências do emprego no Brasil.
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Os resultados reforçam como o contexto econômico e as mudanças no perfil das profissões afetam as escolhas dos brasileiros. Da mesma maneira, destacam o papel das políticas públicas e a necessidade de adaptação de empresas que buscam atrair ou reter talentos num cenário cada vez mais dinâmico e digital.
Os dados do Datafolha expõem uma realidade em transformação: enquanto a formalidade ainda tem peso, especialmente por conta dos benefícios, cresce o movimento de trabalhadores que enxergam no trabalho autônomo e na flexibilidade uma oportunidade para melhorar a qualidade de vida e os ganhos. Para acompanhar essa transição, tanto o setor público quanto privado precisarão criar estratégias inovadoras voltadas à segurança e à valorização do profissional autônomo.
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