O governo brasileiro está prestes a promover mudanças significativas na tributação de setores estratégicos da economia para compensar a redução da arrecadação causada pela revisão do IOF.
As novas medidas devem impactar, em especial, plataformas de apostas esportivas (bets), fintechs e produtos de renda fixa, como LCI e LCA, além de ajustes em benefícios tributários. A decisão, que pode movimentar bilhões em arrecadação, ainda depende do aval final do presidente Lula.
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Após intensa pressão do Congresso e do setor produtivo, o governo deve revisar integralmente o decreto que aumentou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Para suprir a perda de receita – que pode chegar a uma queda de 63% na arrecadação esperada para este ano –, a estratégia é ampliar a base de cobrança em outras frentes, mirando setores que, até então, gozavam de isenção ou tributação reduzida.
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Segundo especialistas do mercado financeiro, a taxação trará impactos no comportamento dos investidores e pode provocar ajustes nas taxas oferecidas por bancos e corretoras.
Essa mudança acompanha um movimento global de maior regulação e tributação das apostas online, que cresceram vertiginosamente nos últimos anos no Brasil.
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A mudança visa reduzir diferenciais competitivos e alinhar a carga tributária do setor financeiro inovador ao das instituições bancárias convencionais.
A principal alteração no texto do decreto de IOF está no risco sacado – modalidade de antecipação de recebíveis para lojistas, muito usada no varejo para receber valores de vendas a prazo com cartão de crédito.
O ajuste fiscal é um dos grandes desafios da equipe econômica liderada por Fernando Haddad. O plano de revisão das taxas busca preservar o equilíbrio fiscal e compensar a tímida arrecadação que o novo decreto de IOF pode gerar. A medida também é acompanhada pelo envio de uma Medida Provisória ao Congresso, detalhando todas as mudanças tributárias para apreciação e votação dos parlamentares.
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Com as alterações, a arrecadação total do IOF está estimada em R$ 7 bilhões para este ano, bem abaixo dos R$ 19,1 bilhões previstos anteriormente. Essa diminuição será compensada por um aumento nas exigências fiscais de setores como bets, fintechs e renda fixa, afetando — positiva ou negativamente — consumidores, investidores e empresas.
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Com a nova alíquota de 5% de IR, o rendimento líquido de LCI e LCA ficará menor, exigindo comparação mais criteriosa com outros produtos de renda fixa.
Após aval do presidente e publicação do decreto, as mudanças entram em vigor em 30 dias, prazo padrão para adaptação do mercado.
Para apostadores, pode haver repasse em odds menos atrativas; para plataformas, menor margem de lucro e possível aumento no valor das apostas.
Risco sacado é a antecipação de recebíveis para lojistas. Sem a parte fixa, a alíquota diária deve ser recalculada, reduzindo custos para comerciantes.
Ao uniformizar a carga de CSLL (mínimo de 15%), fintechs perdem vantagem competitiva, podendo repassar custos ao cliente em tarifas ou juros.