As ações da Azul (AZUL54) despencaram 25% nesta terça-feira, 30 de novembro, após a divulgação de dados operacionais que não agradaram o mercado. A empresa, que está fora do índice Ibovespa, viu suas ações liderarem as maiores quedas da B3, fechando o dia com o valor de R$ 1.800,00 na mínima intradiária.
Logo na primeira hora de negociação, as ações tiveram suas transações suspensas e foram a leilão por atingirem a oscilação máxima permitida, caindo 10%.
O que você vai ler neste artigo:
Na noite de segunda-feira, 29 de novembro, a Azul divulgou seu relatório operacional mensal, apresentando informações financeiras de novembro ao sistema judicial dos Estados Unidos, como parte do processo de recuperação judicial (Chapter 11) no país.
No período, a receita líquida totalizou R$ 1,817 bilhão, com um resultado operacional ajustado de R$ 392,1 milhões, equivalente a uma margem operacional de 21,6%. O Ebitda ajustado alcançou R$ 621,8 milhões, representando uma margem Ebitda de 34,2%.
Em relação à posição financeira no final de novembro, a Azul possuía R$ 1,348 bilhão em caixa e equivalentes de caixa, além de aplicações financeiras de curto prazo. As contas a receber somavam R$ 3,749 bilhões. Esses dados são preliminares e não auditados, com o objetivo de manter o mercado informado sobre a evolução financeira e operacional da companhia durante seu processo de reestruturação.
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O mercado está cauteloso com a recente oferta pública de distribuição primária de ações ordinárias e preferenciais, que promete uma diluição significativa do patrimônio dos acionistas. A Azul planeja converter senior notes emitidas no exterior em participação acionária, como parte de seu plano de recuperação.
Para viabilizar essa troca de dívida, a empresa emitirá um volume expressivo de papéis, sendo:
Essa operação resultou na mudança das negociações das ações para o ticker AZUL54, adotado recentemente para representar um lote padrão de 10 mil ações.
No início de dezembro, a Azul obteve aprovação da Justiça dos Estados Unidos para seu plano de recuperação judicial, que prevê a conversão de parte significativa da dívida em ações e a captação de recursos através da venda de novos papéis. O conselho de administração convocou uma assembleia geral extraordinária e uma assembleia especial para janeiro de 2026, para deliberar sobre o fim das ações preferenciais e transformar todo o capital em ações ordinárias.
A proposta sugere que cada ação preferencial (AZUL4) seja convertida em 75 ações ordinárias (AZUL3), baseada na relação econômica entre os dois tipos de ações. A principal diferença é que ações preferenciais dão preferência no recebimento de dividendos, enquanto as ordinárias garantem direito a voto.
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Com a proposta, a Azul busca ter seu capital totalmente composto por ações ordinárias. Para ser aprovada, a conversão precisa do aval dos detentores de ações preferenciais e da confirmação dos acionistas ordinários nas assembleias.
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As ações da Azul caíram 25% devido à divulgação de resultados operacionais que não agradaram o mercado, impactando negativamente a percepção dos investidores.
Chapter 11 é um processo de recuperação judicial nos Estados Unidos que permite que empresas reorganizem suas dívidas enquanto continuam operando.
Ações ordinárias garantem direito a voto, enquanto ações preferenciais dão preferência no recebimento de dividendos, mas geralmente não têm direito a voto.
A Azul planeja converter parte significativa de sua dívida em ações e captar recursos através da venda de novos papéis como parte de seu plano de recuperação.
Ebitda ajustado é uma medida financeira que representa o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ajustado por itens não recorrentes ou não operacionais.