Quando Jilaine Maria da Silva Brito assumiu a missão de unir as redeiras de Limpo Grande, em novembro de 2021, poucos acreditavam que daria certo. A tradição centenária de tecer redes — transmitida de mãe para filha — estava à beira do desaparecimento, e duas tentativas anteriores de criar uma associação haviam fracassado. “A maioria queria desistir. Elas não acreditavam que o projeto iria para frente”, lembra Jilaine.
O que você vai ler neste artigo:
Quatro anos depois, o cenário mudou de forma impressionante. O grupo que começou com 15 mulheres desacreditadas se transformou em um coletivo vibrante de 53 redeiras, com idades entre 20 e 70 anos. Mais do que isso: o trabalho artesanal de Limpo Grande, antes restrito à comunidade, ganhou destaque nacional e chegou a um dos maiores palcos da moda mundial, o São Paulo Fashion Week.
Antes da associação, a comunidade vendia, em média, apenas 10 redes por ano. Sem sede, Jilaine atendia os primeiros clientes — muitos turistas — no quintal de casa. Mas o sonho era maior. Com organização, capacitação e parcerias estratégicas, as vendas dispararam: em apenas um ano, foram comercializadas 80 redes, além de caminhos de mesa, xales e outras peças artesanais.
Leia também: Mercado Livre de Energia: O Que Muda para Consumidores Residenciais?
Leia também: Desafios dos Aposentados no Japão: Vida Difícil com Pensões Limitadas
Em 2022, o grupo conquistou prêmio nacional do Sebrae e entrou para a lista dos 100 melhores artesanatos do Brasil. A virada definitiva veio em 2023, quando o coletivo conquistou sua própria sede, com apoio da Prefeitura de Várzea Grande. Hoje, o espaço funciona como vitrine cultural, ponto de turismo artesanal e oficina viva, com duas redeiras produzindo peças ao vivo para visitantes.
O tecido característico das redes e das varandas chamou atenção do mercado da moda e, em 2025, parte da produção foi apresentada no SPFW — transformada em saídas de banho e peças conceituais. Atualmente, o coletivo também cria bolsas e acessórios e foi reconhecido com o prêmio destaque do 14º Top Empresarial, promovido pelo Instituto Mais.
Além de resgatar uma cultura única, o projeto cumpre outro papel essencial: atrair jovens para a atividade, garantindo a continuidade da tradição e promovendo geração de renda sustentável dentro da comunidade. A agenda de Jilaine, antes limitada ao bairro, agora inclui feiras e eventos nacionais de artesanato, cultura e empreendedorismo.
“Foram meses viajando pelo Brasil, levando a cultura várzea-grandense para todos os cantos do país”, conta.
Leia também: Mega-Sena acumula e Mega da Virada promete prêmio bilionário
Com uma trajetória que inspira empreendedores de diferentes regiões, Jilaine reforça a mensagem que a guiou desde o início: “É preciso acreditar no seu projeto. Trabalhar, persistir e não olhar para as críticas. Se eu tivesse desistido quando disseram que não ia dar certo, nada disso existiria hoje. Que a nossa história inspire outras pessoas — mulheres, homens, qualquer pessoa que tenha um sonho e queira realizá-lo.”
Hoje, Limpo Grande não é apenas o berço de uma tradição. É o símbolo de como empreendedorismo, cultura e coragem podem transformar vidas — fio por fio, rede por rede.
O projeto começou em novembro de 2021, liderado por Jilaine Maria da Silva Brito, que reuniu as redeiras para formar uma associação e resgatar a tradição de tecer redes.
O projeto promoveu geração de renda sustentável, atraiu jovens para a atividade e resgatou uma cultura única, além de transformar a comunidade em um ponto de turismo artesanal.
Elas conquistaram um prêmio nacional do Sebrae em 2022 e foram reconhecidas com o prêmio destaque do 14º Top Empresarial, promovido pelo Instituto Mais.
O tecido característico das redes chamou a atenção do mercado da moda, e em 2025, parte da produção foi apresentada no São Paulo Fashion Week como saídas de banho e peças conceituais.
Jilaine reforça a importância de acreditar no próprio projeto, trabalhar, persistir e não se deixar abater pelas críticas, inspirando outras pessoas a realizarem seus sonhos.