Nos últimos cinco anos, o crédito consignado oferecido a aposentados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) movimentou cifras impressionantes: os bancos brasileiros arrecadaram juntos R$ 466 bilhões apenas com essa modalidade, segundo dados recém-disponibilizados via Lei de Acesso à Informação. Paralelamente, denúncias de fraudes, cobranças indevidas e condenações judiciais têm colocado o setor no centro de discussões sobre a proteção dos consumidores idosos no Brasil.
Ao longo deste artigo, você vai entender como esse mercado se expandiu rapidamente desde 2020, os perfis dos principais bancos envolvidos, as irregularidades mais recorrentes e o que tem sido feito em resposta a essas queixas. Acompanhe a seguir para saber o que mudou no consignado do INSS, quem são os principais personagens e o que está em jogo para os aposentados e pensionistas.
O que você vai ler neste artigo:
Os dados comprovam uma explosão no número de instituições credenciadas a operar crédito consignado junto ao INSS: em 2020, 52 bancos ofereciam essa linha; em 2025, o total chegou a 87. O volume de contratos ativos também saltou de 23 milhões para 35 milhões, acompanhando o crescimento da demanda durante o período da pandemia e a entrada de novos players no segmento.
O faturamento mensal dos bancos dobrou em poucos anos, indo de R$ 4 bilhões ao mês para picos próximos a R$ 9 bilhões. Para visualizar a trajetória, confira a tabela a seguir:
| Ano | Faturamento anual (R$ bilhões) | Contratos ativos (milhões) |
|---|---|---|
| 2020 | 50,6 | 23 |
| 2024 | 100,8 | 35 |
Com o aumento da competição, instituições como C6 e Agibank passaram de meros figurantes a protagonistas, conquistando fatias relevantes do mercado e ultrapassando marcas de um milhão de contratos anuais.
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O avanço do consignado trouxe também uma avalanche de reclamações, investigações administrativas e sentenças judiciais contra instituições financeiras. No topo das irregularidades, se destacam:
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Alguns bancos despontaram pelo volume de concessões e, também, pelo número de queixas recebidas. O C6 Consignado, por exemplo, saltou de apenas 514 contratos em 2020 para mais de 3,3 milhões em 2024 – uma segunda colocação apenas atrás dos veteranos Bradesco, BMG e Pan. Após enfrentar uma onda de reclamações e sanções, o banco adotou biometria facial obrigatória e digitalização do processo para coibir fraudes. As reclamações caíram, segundo dados do consumidor.gov, mas o passado ainda pesa em processos judiciais.
O Agibank também trilhou caminho semelhante: multiplicando sua carteira de contratos em mais de vinte vezes em questão de meses, viu as queixas de portabilidade não autorizada crescerem, o que levou à suspensão temporária de seu acordo com o INSS e à assinatura de ajustes para maior transparência.
O BMG, tradicional no segmento, participou de contratos com entidades investigadas por descontos fraudulentos. No epicentro de denúncias, o banco revisou contratos com parceiros, aprimorou controles internos e busca reforçar sua reputação, segundo nota oficial enviada à reportagem.
Diante do aumento das reclamações, o INSS anunciou o rompimento de 19 acordos de cooperação técnica com bancos que descumpriram normas, além de suspender outros quatro e endurecer os critérios para novas parcerias. A atual gestão destaca medidas de controle mais rigorosas e a implementação de termos de compromisso que asseguram a devolução de valores cobrados de forma indevida.
Bancos citados reforçam que vêm ampliando controles internos, adotando tecnologia biométrica, aprimorando o treinamento de parceiros e criando canais para a reparação de casos suspeitos de fraude ou má conduta. Instituições do porte de C6, Agibank e BMG enfatizam o respeito às normas do Banco Central e o alinhamento à autorregulação do setor, sem admitir práticas irregulares estruturais.
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A tendência, para os próximos anos, é de maior rigor nas regras para concessão e fiscalização dos consignados do INSS, além de transparência crescente para os consumidores, que hoje já contam com plataformas como o consumidor.gov.br para registrar e acompanhar reclamações.
A expansão do consignado do INSS segue no centro do debate público, ao equilibrar a demanda por crédito dos aposentados e o dever do sistema financeiro de atuar com ética, transparência e responsabilização. Fique atento, pois a fiscalização deve seguir ainda mais intensa e novas regulações podem surgir para proteger o público mais vulnerável do país. Caso queira continuar a receber notícias exclusivas, análises e informações confiáveis sobre finanças e direitos do consumidor, inscreva-se em nossa newsletter e mantenha-se informado diariamente.
Sim, o aposentado ou pensionista pode solicitar o cancelamento junto ao banco e registrar reclamação nos órgãos de defesa do consumidor, além de acionar o INSS para reverter descontos indevidos.
O INSS mantém acordos técnicos e exige controles rigorosos, podendo suspender ou romper contratos com instituições que apresentem irregularidades comprovadas.
Evite fornecer dados pessoais ou assinar contratos por telefone sem comprovar a idoneidade da instituição. Prefira solicitar simulações e contratos digitais para garantir segurança.
Margem consignável é o limite do benefício mensal que pode ser comprometido para pagar empréstimos. Atualmente, corresponde a até 35% do valor do benefício, somando crédito consignado e cartão de crédito consignado.
A aposentadoria detalha os descontos na folha de pagamento mensal. Acompanhe atentamente e, ao identificar valores não contratados, contate imediatamente o banco e INSS para bloqueio e contestação.