A edição da Black Friday 2025 está marcada por uma transformação inédita no comportamento de compra do brasileiro.
Um levantamento detalhado do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) em colaboração com a FIA Business School aponta para a menor disposição dos consumidores em aderir à tradicional maratona de descontos.
Acompanhe e entenda por que a Black Friday, que já movimentou o varejo como nenhuma outra data, agora enfrenta uma desaceleração relevante — e o que isso pode significar para os próximos anos.
O que você vai ler neste artigo:
O estudo do Ibevar destaca um dado alarmante: o índice de interesse dos consumidores para a Black Friday de 2025 atingiu apenas 394 pontos. Para efeito de comparação, em 2019, no auge das expectativas, esse número era de 764. Isso equivale a uma retração de quase 50% em seis anos, consolidando a tendência de baixa já observada nos ciclos anteriores. Em relação a 2024, o novo recuo foi de 9,13%.
A explicação vai muito além do simples cansaço do consumidor. Fatores econômicos pesam na decisão de compra: o endividamento das famílias já compromete cerca de 49% da renda doméstica, enquanto a geração de empregos pouco avançou frente à inflação e aos juros altos. Para muitos consumidores, a incerteza econômica limita apostas em compras não essenciais, empurrando para baixo o apetite por promoções aparentemente vantajosas.
Veja a evolução do índice de interesse por promoções nas últimas edições:
| Ano | Índice |
|---|---|
| 2019 | 764 |
| 2020 | 667 |
| 2021 | 604 |
| 2022 | 609 |
| 2023 | 516 |
| 2024 | 430 |
| 2025 | 394 |
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O consumidor brasileiro mostra-se cada vez mais criterioso ao decidir se vale mesmo a pena aproveitar as ofertas da Black Friday. De acordo com o levantamento, desde 2012 observa-se que 67,5% dos produtos monitorados enfrentaram redução ou estabilidade na intenção de compra. Ou seja: vender não está nada fácil para boa parte das categorias — mesmo dentro das listas de promoção mais tradicionais.
Produtos como micro-ondas, lavadoras, tênis, videogames e fritadeiras aparecem entre os itens que tiveram queda na procura entre 2024 e 2025, mostrando que os desejos do consumidor estão cada vez mais pautados pela necessidade real. Outra razão para a escolha mais criteriosa é a desconfiança: parte do público sente que determinados descontos não entregam exatamente aquilo que prometem, o que mina a expectativa de fazer um negócio realmente vantajoso durante o evento.
Com o ciclo de consumo em maturidade, a estratégia de descontos agressivos já não seduz por si só. Para Claudio Felisoni, presidente do Ibevar, a proposta agora deve ser construir relações de confiança, focando em experiência de compra, diferenciais reais e conveniência. O consumidor que permanece ativo na Black Friday é hoje mais racional, cauteloso e seletivo, rejeitando promoções de ocasião que não trazem vantagens tangíveis.
O varejo, por sua vez, precisa reagir rápido: inovar no relacionamento com o cliente, propor benefícios concretos e resgatar a credibilidade das ofertas é fundamental para reverter o cenário de estagnação e evitar que a Black Friday perca valor no calendário do consumo brasileiro. Agregar valor e experiência ao cliente passou a ser mais importante do que apenas baixar preços.
Os dados mostram que, mesmo com uma leve expectativa de melhora pontual em algumas categorias em 2025, o movimento de retração geral exige uma mudança profunda nas estratégias de vendas. O foco, daqui para frente, estará cada vez mais em soluções personalizadas e no atendimento de necessidades reais dos consumidores.
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O cenário apresentado pela Black Friday 2025 revela que, em tempos de economia restritiva e consumidores mais atentos, o desafio é ressignificar as promoções e restaurar a confiança no evento. Para quem acompanha o mercado de perto ou atua no varejo, fica o alerta: vender mais neste novo contexto depende de inovação, transparência e ofertas verdadeiramente relevantes.
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Os principais desafios incluem a necessidade de inovar no relacionamento com o cliente, oferecer benefícios concretos, aumentar a transparência nas promoções e resgatar a credibilidade das ofertas para reconquistar consumidores mais cautelosos.
A maior cautela se deve ao endividamento elevado, baixa geração de empregos reais diante da inflação, e a desconfiança em relação a descontos que não entregam o prometido, levando a escolhas baseadas em necessidades reais.
Produtos como micro-ondas, lavadoras, tênis, videogames e fritadeiras tiveram redução na demanda, refletindo a seletividade dos consumidores frente ao contexto econômico e à percepção de valor.
A economia restritiva, com alta inflação, juros elevados e endividamento familiar alto, limita o gasto em compras não essenciais, tornando os consumidores mais cautelosos e seletivos nas promoções.
A tendência é o fortalecimento de estratégias baseadas em experiência, personalização, transparência e valor agregado, deixando para trás o modelo de desconto agressivo para reconquistar a confiança dos consumidores.