O Bradesco entrou com uma ação na Justiça contra o diretor de Integração e Finanças da Ambipar, Thiago da Costa Silva, buscando impedir que ele venda possíveis bens pessoais que possam ser usados no pagamento das dívidas da empresa. A Ambipar, que sofreu uma grave crise financeira e pediu recuperação judicial no início desta semana, rebateu a ofensiva do banco, classificando as acusações como infundadas.
Entenda neste artigo os principais detalhes desse confronto jurídico, o impacto para o mercado e como essa disputa afeta diretamente credores, funcionários e investidores. Fique por dentro das informações mais relevantes deste caso, que está dando o que falar no ambiente empresarial e financeiro brasileiro.
O que você vai ler neste artigo:
O Bradesco protocolou na 18ª Vara Cível do Foro Central Cível de São Paulo uma medida cautelar contra o diretor da Ambipar. O objetivo é claro: impedir a alienação de bens que possam ser utilizados no futuro para cobrir eventuais prejuízos do banco, caso fique provado que houve irregularidades na gestão.
Segundo o Bradesco, o grupo Ambipar possui dívida superior a R$ 390 milhões com o banco e teria apresentado sinais de fraude nas demonstrações contábeis. Conforme documentos anexados ao processo, a suspeita recai sobre movimentações em fundos de investimento considerados de baixa liquidez e sobre o uso irregular de recursos, atribuídos pela empresa como ‘caixa’, mas que, segundo o banco, deveriam ser tratados como ‘contas a receber’.
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A Ambipar, em resposta à Justiça, contestou veementemente as alegações do Bradesco. Segundo seus advogados, o banco está promovendo uma pressão excessiva e tentando desmoralizar publicamente os diretores da companhia sem comprovação efetiva dos supostos delitos. A empresa também afirmou que a iniciativa faz parte de uma estratégia para consolidar na mídia o que chamou de ‘tese fantasiosa’ do banco.
Chama atenção o número de advogados mobilizados pela Ambipar para esta resposta: 17 profissionais de quatro escritórios distintos, incluindo nomes de peso do mundo jurídico nacional. A empresa também alegou que medidas semelhantes do Bradesco em relação a outros diretores já haviam sido rejeitadas em outras varas, evidenciando uma tentativa de obter sucesso pelo cansaço processual.
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A crise que atingiu a Ambipar teve origem em uma operação de swap cambial com o Deutsche Bank, culminando na saída do então diretor financeiro e no pedido de recuperação judicial. Apesar de ter anunciado caixa de R$ 4,7 bilhões meses antes, a empresa declarou incapacidade de honrar uma dívida de R$ 60 milhões, o que levantou suspeitas de esvaziamento ou fraude no caixa – ponto central das acusações do Bradesco.
Um aspecto decisivo é o uso do Fundo Fênix, um FIDC onde grande parte do caixa foi alocada. O fundo é de baixíssima liquidez e, segundo a acusação, teria sido empregado para simular liquidez e ocultar recursos. O Bradesco aponta que o real valor disponível seria muito inferior ao informado nos balanços.
As ações da Ambipar despencaram drasticamente após o início da crise, passando de R$ 13,60 para apenas R$ 0,39 em poucos meses. O controlador majoritário da empresa, Tércio Borlenghi Junior, também perdeu participação relevante devido a execuções de garantias em fundos de investimento, agravando ainda mais a instabilidade corporativa.
Mesmo diante da turbulência, a Ambipar mantém seu discurso de continuidade das operações e busca proteger empregos e contratos. A empresa é reconhecida como líder em gestão ambiental no Brasil e ressalta seu envolvimento com a economia circular e manejo sustentável de resíduos.
No âmbito internacional, os desdobramentos atingiram os Estados Unidos, onde uma subsidiária acionou o Capítulo 11 da lei de falências americana. Essas medidas buscam reestruturar a dívida e garantir a manutenção das atividades do grupo, ainda que sob forte vigilância do mercado e pressão dos credores.
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O embate judicial entre Bradesco e Ambipar acirra tensões no setor financeiro e deixa o mercado em alerta. Os próximos passos da Justiça serão determinantes para o futuro da Ambipar, seus credores e funcionários, além de poder criar precedentes importantes sobre responsabilização de administradores em casos de recuperação judicial no país.
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O pedido de recuperação judicial é uma medida legal que permite à empresa endividada suspender temporariamente cobranças e negociar condições para pagar suas dívidas, evitando falência imediata e possibilitando continuidade das atividades.
A Justiça pode conceder medidas cautelares que bloqueiam a alienação desses bens quando há suspeitas de irregularidades, garantindo que patrimônio esteja disponível para cobrir eventuais prejuízos causados pela gestão.
Fundos de investimento podem ser usados para alocar recursos da empresa, mas em casos suspeitos podem ser questionados por baixa liquidez ou uso indevido para ocultar situação financeira real, como no caso do Fundo Fênix na Ambipar.
Essa situação pode gerar instabilidade nas ações da empresa, perda de confiança dos investidores, impactos nos contratos com fornecedores e risco para empregos, além de criar precedentes jurídicos importantes.
Embora exista pressão financeira, a recuperação judicial visa preservar empregos e manter as operações da empresa, buscando evitar demissões em massa enquanto se renegociam dívidas.