A Comissão de Assuntos Sociais do Senado deu o primeiro passo para ampliar a proteção trabalhista aos brasileiros enlutados. Foi aprovado o Projeto de Lei 1.271/2024, que propõe aumentar o período de licença por falecimento de familiares próximos de dois para até oito dias consecutivos, uma demanda antiga de trabalhadores que enfrentam, além da dor da perda, uma grande quantidade de trâmites burocráticos logo após o óbito.
Na legislação atual, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) restringe a licença a apenas dois dias. A proposta aprovada segue para análise da Câmara dos Deputados, devendo avançar caso não haja recursos para que a matéria seja debatida também no Plenário do Senado. Quem enfrenta perda de parentes próximos poderá, se o novo texto virar lei, contar com um período maior para lidar com o luto e questões práticas. Saiba neste artigo todos os efeitos desse projeto, o porquê da mudança e como a medida pode impactar positivamente os trabalhadores.
O que você vai ler neste artigo:
Com foco na valorização da saúde mental e na humanização das relações de trabalho, o PL 1.271/2024 prevê alterações consistentes na CLT, especialmente para quem perde:
Nesses casos, a ausência poderá se estender até oito dias consecutivos, sem nenhum abatimento salarial. A medida equipara os direitos dos trabalhadores da iniciativa privada àqueles já garantidos a professores e servidores federais, que contam com o mesmo prazo desde 1990.
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O tempo curto atualmente previsto em lei é frequentemente apontado como insuficiente para que o trabalhador consiga não apenas elaborar o luto, mas resolver pendências práticas que acompanham a perda de um familiar. O autor da proposta, senador Chico Rodrigues (PSB-RR), enfatizou que este é o tempo mínimo necessário para velório, inventário e regularização de documentos, entre outros processos legais.
O relator, senador Paulo Paim (PT-RS), reforçou que a alteração é um passo importante para combater a disparidade entre diferentes categorias de trabalhadores e reconhece o impacto psicológico do luto, favorecendo não só a saúde mental, mas a possibilidade de retorno ao trabalho em melhores condições emocionais.
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Especialistas em saúde ocupacional e psicologia destacam que estender o período da licença por falecimento pode refletir diretamente no bem-estar dos empregados. Entre os principais ganhos esperados, estão:
Empresas atentas às demandas de qualidade de vida e equilíbrio emocional já consideram que a mudança pode ser um diferencial de gestão e reduzir afastamentos prolongados por abalos emocionais mal-resolvidos.
A aprovação na Comissão de Assuntos Sociais é apenas o início. O Projeto de Lei agora segue para a Câmara dos Deputados, onde pode ser aprovado em definitivo se não houver novos recursos ou alterações. Caso receba o aval da Câmara e seja sancionado pela Presidência da República, passará a valer para todos trabalhadores regidos pela CLT em território nacional.
Na mesma sessão do Senado, outros temas relevantes também foram debatidos, como novos calendários de campanhas sobre saúde bucal e doenças raras, além de discussões sobre o papel dos agentes comunitários de saúde. O olhar ampliado para a saúde do trabalhador ganha, assim, protagonismo no calendário legislativo do país.
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Com essa possível mudança, o luto deixa de ser tratado apenas como evento pessoal e passa a ser reconhecido como componente importante para a dignidade humana e a produtividade no ambiente de trabalho. Fique atento aos desdobramentos dessa notícia e como ela pode impactar sua rotina caso a medida seja aprovada em definitivo.
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A nova licença ampliada contempla trabalhadores que perderem cônjuge, pais, padrastos, filhos, enteados, menores sob guarda ou tutela e irmãos.
Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) concede apenas 2 dias consecutivos de licença remunerada para falecimento de familiares próximos.
O aumento visa permitir tempo suficiente para velório, inventário, regularização de documentos e dar suporte à saúde mental do trabalhador durante o luto.
A medida pode reduzir o estresse, fortalecer a empatia no trabalho e diminuir afastamentos prolongados causados por abalos emocionais não tratados.
Após aprovação na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, o projeto segue para análise da Câmara dos Deputados e, se aprovado, será sancionado pela Presidência da República.