A inadimplência do agronegócio atingiu um patamar inédito na Caixa Econômica Federal, alcançando 7% no segundo trimestre de 2025. O dado acende o alerta para produtores rurais e instituições financeiras, que agora precisam recalcular sua estratégia diante do cenário de calote crescente, mesmo em um ano de previsão de safra recorde.
O avanço do índice de inadimplência do setor, antes visto como porto seguro do crédito bancário, fez o banco público adotar medidas preventivas. Em resposta ao aumento dos atrasos, a Caixa reduziu o ritmo de novas concessões de empréstimos ao agronegócio, priorizando a qualidade da carteira e a estabilidade dos ativos. Entenda abaixo como este movimento impacta produtores, o mercado financeiro e a economia nacional como um todo. Siga a leitura para ter uma visão detalhada e atualizada do cenário.
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Entre abril e junho de 2025, o percentual de empréstimos em atraso por mais de 90 dias no agronegócio saltou de 4,3% para 7,02% na Caixa, segundo divulgado pelo banco. Há um ano, o mesmo índice era de apenas 2,11%. O aumento expressivo ocorre em meio à expectativa de uma colheita recorde de grãos, o que contraria as previsões do mercado e indica dificuldades profundas enfrentadas por parte dos produtores.
O saldo da carteira de crédito do banco destinado ao agronegócio fechou o trimestre em R$ 60,5 bilhões, representando alta de 2,6% frente a 2024, mas com recuo de 4,8% em relação ao trimestre anterior, reflexo da retração nas liberações de crédito. As contratações de novas operações atingiram apenas R$ 5,7 bilhões no período.
Especialistas identificam três principais causas para a disparada do índice: tomada de crédito em tempos de juros reduzidos (a Selic ficou em 2% entre 2020 e 2021), queda brusca do preço das commodities agrícolas e uma onda de recuperações judiciais, muitas delas impulsionadas por condições adversas desde a safra passada.
No contexto internacional, tarifas aplicadas por países como os Estados Unidos a certos produtos brasileiros — como café — também impactam negativamente os resultados dos produtores.
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Diante do agravamento dos calotes no agronegócio, a Caixa decidiu pisar no freio quanto à concessão de crédito ao setor. O vice-presidente de finanças e controladoria, Marcos Brasiliano Rosa, informou que a estratégia agora é priorizar a solidez da carteira, mesmo com pressão para ampliar financiamentos.
No universo dos chamados “créditos problemáticos”, a Caixa já identificou R$ 6 bilhões em risco, com metade desse montante provisionado para perdas. O movimento segue tendência similar à do Banco do Brasil, cujo índice de inadimplência dos empréstimos rurais atingiu 3,94%, o maior da série histórica da instituição.
Mesmo com a restrição no crédito rural, a Caixa registrou um lucro recorrente expressivo no trimestre: R$ 3,68 bilhões, crescimento de 12% em relação ao ano anterior. Já o lucro líquido recorrente acumulado no semestre chegou a R$ 8,9 bilhões, quase 45% superior ao mesmo período de 2024.
O setor imobiliário segue puxando a carteira de crédito do banco, atingindo R$ 875,4 bilhões e mantendo a Caixa como líder, com destaque para mais de 1,1 milhão de novos contratos assinados no semestre — uma média de 3 mil por dia útil. Apesar disso, houve uma redução nas contratações do período, somando R$ 57,3 bilhões no segundo trimestre, queda de 6,5% sobre o mesmo intervalo do ano anterior.
Para suprir a crescente demanda por crédito habitacional, o governo planeja um novo modelo de captação de recursos, que deve entrar em fase de testes em breve. A proposta, ainda em estudo pelo Banco Central, pretende diversificar as fontes de recursos usando o mercado secundário de títulos imobiliários.
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O cenário de inadimplência no agronegócio revela os desafios de uma das principais forças da economia nacional frente às mudanças no ambiente de crédito e de preços globais. Produtores e bancos precisam agora traçar novas estratégias para atravessar 2025 com mais segurança.
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As principais causas incluem condições climáticas adversas e desafios econômicos que afetam a produção agrícola.
O aumento da inadimplência dificulta o acesso a novos financiamentos, pressionando os produtores a ajustar seus planos de produção e manejo financeiro para evitar maiores riscos de calote.
Eles adotam medidas como reduzir a concessão de novos empréstimos, focar na qualidade da carteira de crédito e provisionar perdas para mitigar o impacto dos atrasos.
Embora a safra seja prevista como recorde, fatores como preços internacionais baixos, tarifas comerciais e situação financeira fragilizada dos produtores contribuem para o aumento do calote.
O aumento da inadimplência pode reduzir o volume de crédito disponível ao setor, afetar a rentabilidade dos bancos e gerar maior cautela na concessão de financiamentos, influenciando o desempenho econômico geral.