A implementação da chamada taxa das blusinhas não trouxe aumento significativo na geração de postos de trabalho, de acordo com um levantamento recente divulgado em outubro de 2025. A regra, que elevou a alíquota de importação para compras de até US$ 50 em plataformas internacionais de e-commerce, foi defendida como solução para movimentar o varejo nacional, porém os resultados econômicos do primeiro ano desmentem as expectativas iniciais e colocam em xeque a eficácia da medida.
O novo estudo, realizado pela LCA Consultores, apresenta dados minuciosos sobre o desempenho do emprego formal nos setores mais impactados, bem como os desdobramentos arrecadatórios da taxação. Se você acompanha os debates sobre tributação do comércio digital e busca informações seguras para entender o futuro das compras online no Brasil, este conteúdo esclarece tudo que você precisa saber.
O que você vai ler neste artigo:
Logo após a aprovação da alíquota de 20% sobre importação de remessas até US$ 50 em 2024, varejistas nacionais e parte da indústria defenderam que isso fortaleceria o emprego local. O levantamento da LCA, entretanto, revela que, nos 12 meses após a entrada em vigor da lei, o crescimento do emprego foi praticamente inalterado nos setores supostamente beneficiados. O comércio atingiu avanço de apenas 0,97%, enquanto a indústria também ficou nos mesmos 0,97% – desempenho inferior ao crescimento de 3,04% da ocupação na média do mercado brasileiro no mesmo período.
A arrecadação federal teve aumento discreto, R$ 265 milhões mensais (um incremento de 0,08% do total), mas em contrapartida, os Estados sofreram perdas de até R$ 258 milhões por mês em ICMS, mostrando desequilíbrio fiscal e questionando se o modelo valeu a pena. Ou seja, enquanto o governo federal ganhou um fôlego, as finanças estaduais foram prejudicadas.
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O cenário pós-taxa evidenciou uma retração volumosa nas compras diretas do exterior. As remessas via programas oficiais, como o Remessa Conforme, despencaram cerca de 50%. Resultado: menos variedade de produtos e menos acesso a itens internacionais a preço competitivo, especialmente para as classes C, D e E, as mais afetadas pela mudança tributária.
Especialistas ressaltam que o imposto sobre pequenas compras é considerado regressivo, pois acaba pesando proporcionalmente mais no orçamento das famílias de menor renda, limitando ainda mais o acesso ao consumo diversificado. André Porto, diretor da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), destacou que medidas restritivas acabam dificultando a consolidação do setor de e-commerce nacional.
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Segundo Eric Brasil, diretor da LCA Consultores, muitos países desenvolvidos e emergentes adotam o sistema chamado de minimis, no qual remessas de baixo valor são isentas de imposto de importação, mas tributadas pelo imposto de consumo local, promovendo mais equilíbrio e justiça concorrencial. O Brasil, que já discute uma ampla reforma tributária, pode direcionar a discussão para esse caminho no futuro próximo.
O estudo sugere ainda que, até a entrada em vigor dos novos modelos de tributos, como IBS e CBS, o próprio ICMS poderia ser o imposto sobre consumo, permitindo alinhamento do Brasil aos padrões internacionais e menor peso sobre o consumidor final.
Procurado para comentar, o Ministério da Fazenda reforçou que a taxa das blusinhas foi deliberada de maneira conjunta pelos estados e aprovada por ampla maioria no Congresso, cabendo ao Executivo apenas aplicá-la conforme a decisão política dos representantes eleitos.
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Diante desse impasse, o debate sobre protecionismo, modernidade econômica e justiça tributária permanece atual. O tema deve seguir em pauta, especialmente com a consolidação do comércio eletrônico como pilar da economia nacional.
Estudos como o divulgado agora oferecem subsídios para decisões mais alinhadas a resultados reais na geração de empregos, arrecadação sustentável e acesso a produtos. Caso tenha achado útil esta análise da taxa das blusinhas, inscreva-se em nossa newsletter e fique por dentro das próximas atualizações do comércio online e economia digital no Brasil.
O principal objetivo da taxa das blusinhas é proteger o varejo nacional ao tributar importações de baixo valor, visando estimular a geração de empregos locais e fortalecer a economia interna.
Embora a arrecadação federal tenha aumentado discretamente, os estados brasileiros sofreram perdas significativas no ICMS, com um impacto mensal negativo de até R$ 258 milhões, causando desequilíbrio fiscal.
A taxa é considerada regressiva porque pesa proporcionalmente mais no orçamento das famílias de menor renda (classes C, D e E), que se tornam mais limitadas no acesso a produtos importados e diversificados.
O modelo ‘de minimis’ isenta remessas de baixo valor do imposto de importação, mas tributa esses produtos por meio de impostos de consumo locais, promovendo maior justiça tributária e melhor equilíbrio para o comércio.
Especialistas sugerem a adoção de modelos como IBS ou CBS, que harmonizam impostos federais e estaduais, permitindo um sistema de tributação mais justo, além da possível alocação do ICMS como imposto sobre consumo.